A chama que não apaga

A santanense Luana Leite cultiva o orgulho gaúcho a 2 mil km de casa.

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Dizem que o gaúcho pode sair do Rio Grande, mas o Rio Grande jamais sai do gaúcho. A história da santanense Luana Leite é a prova viva dessa máxima. Morando atualmente em Caçu, no interior de Goiás, ela encontrou no Centro-Oeste um lar acolhedor, onde também vivencia a lida do campo, as cavalgadas e os rodeios locais. No entanto, quando o mês de setembro se aproxima, a bússola do coração aponta inevitavelmente para o Sul.

Para Luana, a Semana Farroupilha não é apenas uma data no calendário, mas o momento exato de reencontro com a própria essência. “A Semana Farroupilha é o lembrete de quem eu sou, de onde eu vim e dos meus valores. É manter acesa a chama crioula mesmo estando a dois mil quilômetros”, relata.

O reencontro na terra natal

A travessia de volta para Sant’Ana do Livramento carrega uma carga simbólica única. O alívio da chegada tem ponto de referência exato na paisagem da Fronteira Oeste: “Quando chego no Cerro de Palomas, o coração acelera de tanta felicidade. O sentimento de estar em casa, junto com as minhas éguas, no meio da nossa tradição, não tem preço”, confessa a santanense.

Essa ligação visceral com o meio rural e com os animais vem de berço. Para Luana, o cavalo é a própria extensão do gaúcho, um elo de confiança e afeto que o tempo e a distância não conseguem apagar. Essa formação sólida foi cultivada em família, entre rodas de chimarrão e conversas de galpão. “Minha mãe me ensinou que ser gaúcho não é só vestir pilcha em setembro, é ter palavra, ter respeito e amor à terra.”

Tradição que se vive no dia a dia

Mesmo longe dos pampas, a rotina em Goiás não deixa a cultura esmorecer. O chimarrão diário, que ela define carinhosamente como a “terapia do gaúcho”, a música tradicionalista tocando no ambiente, as transmissões de rodeios e o sotaque inconfundível garantem a presença do Rio Grande na sua rotina diária.

Este ano, excepcionalmente por razões de trabalho, Luana não poderá estar presencialmente nos festejos em Livramento. A ausência física, contudo, não diminui o fervor da data. Ela acompanhará tudo de longe, com o peito cheio de orgulho.

“O Rio Grande do Sul tem a minha raiz, o cheiro do meu rancho, meus cuscos companheiros e a minha gente. É um sentimento de pertencimento que não encontro em outro lugar. Voltar é recarregar a alma. Eu posso morar onde for, mas o meu coração vai ser sempre do Rio Grande”, conclui.

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