AS PERDAS E O DIA DOS PAIS

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Gilberto Jasper
Jornalista/gilbertojasper@gmail.com

Uma das coisas mal dolorosas da velhice – além da “ites” (sufixo que significa “inflamação”) é a perda de amigos, familiares e afetos. É raro passar um mês sem receber a notícia triste envolven-do personagens marcantes da nossa trajetória terrena.
Neste período que marca o Dia dos Pais, inconscientemente faço uma retrospectiva, não apenas em relação aos filhos e à familia, mas de toda minha biografia. Aos 66 anos, é difícil resistir à tentação de apelar ao saudosismo, suspirar e dizer ou pensar: Ah… no meu tempo… “ou “nos bons tempos…”.
Cada época reserva coisas boas e ruins, aspectos positivos e negativos de nossa rotina, gente boa e nem tanto que habitam o cotidiano de todos nós. Perdas são inerentes à quantidade de anos vividos. Neste final de semana, por exemplo, ao menos duas pes-soas próximas partiram, deixando um gosto amargo, uma espécie de vazio interior difícil de ser preenchido.
Com pai, tenho o privilégio de fazer amigos que foram pessoas que meus filhos trouxeram para dentro de nossa casa. Foram colegas de aula e parceiros de aventuras de meus descendentes – no caso, uma filha e um filho. Com frequência, jovens me interpelam na rua e confesso a eles não lembrar de quem se trata. E aí, ouço depoimentos do tipo “comi muito churrasco na tua casa, regado com Fruki guaraná e sorvete de sobremesa”, como contou um guri recentemente, hoje formado em engenharia com quem esbarrei em uma fila de supermercado.
Em muitos casos, pais destes colegas de aula dos filhos tam-bém se tornaram amigos, resultado de encontros, excursões ou eventos organizados pela direção do colégio. Coisas boas da vida escolar.
A perda de gente querida é um exercício de difícil assimilação e suscita uma série de sentimentos. Às vezes, o remorso nos inva-de, por não termos buscado um contato mais próximo com este ve-lho amigo que nos deixou.
Em outras vezes há uma sensação de alegria por recordar episódios marcantes com este afeto que partiu recentemente. E, é claro, sentimos uma profunda tristeza, resultado de histórias inesquecíveis marcadas para sempre em nossos corações e na memó-ria.
Neste Dia dos Pais, a crônica é uma homenagem ao meu pai, meu homônimo, que partiu há 38 anos, deixando um legado de ce-lebração aos amigos.

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