Jornal A Plateia – Rádio RCC – Santana do Livramento

sáb, 6 de junho de 2026

20 anos de encontros na Banca do Bocha

Ponto de troca de figurinhas da Copa reúne gerações e coleciona histórias de emoção em Sant’Ana do Livramento

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Quando a Copa do Mundo se aproxima, um dos lugares mais movimentados de Sant’Ana do Livramento não é um estádio nem um bar. É a tradicional Banca do Bocha, na Praça José Bonifácio. Há duas décadas, o espaço comandado por Maureci Cavalcanti se transforma em ponto de encontro para colecionadores de todas as idades que compartilham uma mesma paixão: completar o álbum da Copa.

A tradição começou em 2006 e cresceu a cada edição do torneio. O que era apenas uma troca de figurinhas tornou-se um evento aguardado por famílias inteiras. Crianças, pais, avós e até bisavós encontram na praça um ambiente de convivência que vai muito além do colecionismo.

“Vem numa crescente todos os anos. A seleção pode estar indo bem ou não, mas isso não muda o espírito do álbum. As pessoas continuam colecionando. O importante é fazer o álbum”, destaca Maureci.

Há 31 anos na Praça José Bonifácio e há quase cinco décadas trabalhando com revistas e publicações, ele construiu uma trajetória que se mistura à história de muitas famílias santanenses.

“A gente criou os filhos com as revistas. Fez tudo com as revistas. Às vezes penso em parar, mas já bate uma saudade antes mesmo de parar”, comenta.

Ao longo desses 20 anos de encontros, a esposa sempre esteve ao seu lado. “Ela sempre teve presença comigo, sempre ajudando, apoiando, e este ano muito mais”, afirma.

Para Maureci, um dos aspectos mais bonitos das trocas é a integração entre diferentes gerações.

“Aqui tu vê um senhor de 40 anos trocando figurinha com um menino de oito. Só essa integração já é uma coisa linda.”

Mais do que completar espaços vazios no álbum, os encontros ajudam a construir memórias. E algumas delas permanecem marcadas para sempre.

Entre as histórias que mais emocionam o comerciante está a de um menino que frequentava as trocas acompanhado do avô. Em 2022, o garoto voltou pela primeira vez sem ele.

“Aquele momento foi muito emocionante. Ele não conseguiu entrar na praça sem o avô. A gente acabou vivendo aquilo junto. Foi uma história que me marcou muito.”

Outra lembrança especial atravessa os 20 anos do projeto. Em 2006, Maureci registrou uma fotografia de uma avó e seu neto durante as trocas de figurinhas. Neste ano, convidou os dois para refazerem a imagem.

“Sábado passado fizemos a foto novamente. A avó e o neto, agora 20 anos depois. Quando eu encerrar essa história das figurinhas, quero encerrar com essa foto. Ela representa muito bem tudo o que a gente viveu aqui.”

Ao falar sobre as histórias construídas ao redor dos álbuns, a emoção toma conta da conversa. Para ele, o segredo da longevidade dessa tradição está justamente na capacidade de se renovar.

“Vai passando de pai para filho. A criança que era criança virou adulto e agora traz o filho. Muitos lembram que vinham trocar com o pai e hoje trazem os filhos ou os netos. É uma tradição.”

Se precisasse resumir em uma única palavra tudo o que viveu ao longo dessas duas décadas de encontros na praça, Maureci não hesita.

“Felicidade.”

E essa felicidade aparece em cada álbum completado, em cada figurinha encontrada e em cada abraço compartilhado aos sábados na Praça José Bonifácio. Uma tradição que atravessa gerações e que mostra que, para muitos brasileiros, a Copa do Mundo começa muito antes do apito inicial: ela começa na emoção de abrir um pacote de figurinhas.

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