A Copa do Mundo de 2026 terá um significado especial para Nicolas Galanos. Aos 89 anos, o empresário radicado em Sant’Ana do Livramento está com viagem marcada para acompanhar mais uma edição do principal torneio do futebol mundial. Será a 15ª Copa da qual participará presencialmente, uma marca alcançada por poucos torcedores no mundo e que o coloca entre os brasileiros que mais acompanharam Mundiais de perto.
Natural de Alicianos, na Ilha Grega de Creta, Nicolas chegou ao Brasil em 1957. Primeiro viveu em São Paulo e, alguns anos depois, escolheu Sant’Ana do Livramento para construir sua história. Foi na fronteira que formou família, desenvolveu seus negócios e fortaleceu uma paixão que atravessaria décadas: o futebol.
O interesse pelo esporte surgiu ainda nos primeiros anos no país. Em uma época em que as transmissões esportivas eram limitadas e a televisão ainda não fazia parte da rotina da maioria das famílias, ele buscava maneiras de estar próximo do jogo. Em Livramento, chegou a organizar uma equipe de futebol sete, experiência que ajudou a alimentar uma ligação cada vez mais forte com o esporte.
Mas foi em 1970 que essa paixão ganhou um novo capítulo. Naquele ano, Nicolas embarcou para o México e assistiu à primeira Copa do Mundo de sua vida. A viagem acabou se transformando em uma experiência inesquecível. Além de acompanhar os jogos, viu de perto a seleção brasileira comandada por Pelé conquistar o tricampeonato mundial.
Mais de cinco décadas depois, ele ainda fala daquela equipe com admiração.
“Foi a melhor. Aquela seleção tinha craques que não saem da memória da gente”, afirma.
O que começou como uma viagem entre amigos se transformou em uma tradição que acompanhou toda a sua vida. Depois da primeira experiência, Nicolas não quis mais ficar longe dos Mundiais. A cada quatro anos, organizava a rotina, planejava a viagem e partia para acompanhar o Brasil pelos estádios do mundo.
Nas primeiras edições, as aventuras eram compartilhadas apenas com a esposa. Com o passar dos anos, os filhos passaram a integrar a delegação familiar. Depois vieram as noras, outros parentes e amigos. Hoje, as Copas representam muito mais do que futebol para a família Galanos.
“Na primeira fui com um amigo. Depois comecei a ir com a minha esposa. A partir da Copa da Espanha, em 1982, comecei a levar meus filhos e nunca mais parei. Quando eles casaram, passaram a viajar também as esposas”, relembra.
Entre tantas histórias acumuladas ao longo de 14 Copas do Mundo, algumas permanecem especialmente vivas na memória. Uma delas é a conquista do tetracampeonato em 1994, nos Estados Unidos.
Para Nicolas, aquela edição foi a mais emocionante que acompanhou. Depois de 24 anos sem títulos, o Brasil voltou ao topo do mundo ao vencer a Itália na decisão por pênaltis. A festa dos brasileiros presentes nos Estados Unidos se transformou em uma lembrança que ele guarda até hoje.
Outra Copa que jamais esquecerá foi a de 1998, na França. Mas, dessa vez, por um motivo diferente. Nicolas viajou para acompanhar a final entre Brasil e França, porém acabou enfrentando um problema inesperado e não conseguiu assistir à partida das arquibancadas, apesar de estar no local.
Mesmo assim, a viagem entrou para a lista de histórias que fazem parte de sua longa trajetória como torcedor.
Ao longo dos anos, Nicolas viu a Copa do Mundo mudar. A competição cresceu, ganhou novas seleções, novos formatos e estádios cada vez mais modernos. Entre todos os palcos que conheceu, um dos que mais o impressionou foi nos Estados Unidos, pela estrutura e tecnologia oferecidas ao público.
As transformações do futebol, porém, não diminuíram seu entusiasmo. Pelo contrário. Aos 89 anos, ele continua acompanhando o esporte com o mesmo interesse de quem embarcou para o México em 1970.
Quando o assunto é o maior jogador que viu atuar em uma Copa do Mundo, a resposta vem de forma imediata.
“Pelé.”
A simplicidade da resposta resume o privilégio de quem presenciou algumas das maiores páginas da história do futebol mundial.
Agora, a expectativa está voltada para a Copa de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, México e Canadá. Embora reconheça as dificuldades da competição, Nicolas acredita que o Brasil tem condições de brigar pelo título.
Ele vê com bons olhos a renovação da equipe e mantém a confiança que sempre carregou ao longo de mais de meio século acompanhando a Seleção.
“Eu sempre acredito até o fim. O Brasil é o Brasil.”
A viagem já está praticamente pronta. As passagens estão organizadas, os planos definidos e a ansiedade começa a aumentar. Nicolas sabe que cada Copa é única, mas também entende que oportunidades como essa se tornam ainda mais especiais com o passar dos anos.
Mais do que assistir aos jogos, ele segue em busca daquilo que sempre encontrou nos Mundiais: a alegria de ver diferentes povos reunidos em torno do futebol, os encontros entre torcedores, as histórias compartilhadas nas arquibancadas e a emoção de acompanhar a Seleção Brasileira.
Se o Brasil conquistar o hexacampeonato em 2026, Nicolas já tem planos para a volta. Entre risos, garante que pretende celebrar como fez em tantas outras ocasiões e até organizar uma grande comemoração em Sant’Ana do Livramento.
Afinal, depois de 14 Copas acompanhadas de perto e a 15ª prestes a começar, a paixão continua a mesma. E, para quem fez do futebol um companheiro de vida, cada novo Mundial representa a chance de criar mais uma lembrança para uma coleção iniciada há mais de cinco décadas.

