Jornal A Plateia – Rádio RCC – Santana do Livramento

sáb, 6 de junho de 2026

RESUMO DE SÁBADO -06/06/202

Germano Rigotto - Foto: Cedida
O texto abaixo está em

Edição de Chico Bruno

REPORTAGENS DE CAPA DE REVISTAS

VEJA: O fator Trump

A classificação do PCC e do CV como organizações terroristas e um novo tarifaço transformam a política externa em plataforma eleitoral de Lula e Flávio Bolsonaro e reacendem o debate sobre a interferência dos Estados Unidos no Brasil.

CartaCapital: Tariflávio

A nova ameaça de tarifaço de Trump entra na conta do pré-candidato à Presidência, em mais um ato de lesa-pátria da família Bolsonaro. As novas sobretaxas podem chegar a 37,5%.

Crusoé: Campanha artificial

Ministros do STF semeiam desconfiança sobre IA na eleição, mas não dão motivos para os brasileiros confiarem na regulação que prometem.

MANCHETES DOS JORNAIS

FOLHA DE S.PAULO – Temendo sanção dos EUA, empresas checam conexões de parceiros com PCC e CV

O ESTADO DE S.PAULO – Inadimplência atinge 1,5 milhão de empresas no Brasil em um ano

Valor Econômico – Não circula hoje

O GLOBO – Leilão de energia vai gerar R$ 48 bi de custo extra anual aos consumidores

Correio Braziliense – Brasil teme mais sanções dos EUA com CV e PCC na lista do terror

Destaques de primeiras páginas, fatos e bastidores mais

importantes do dia

BACULEJO nas conexões – Preocupadas com o novo enquadramento do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas pelo governo dos EUA, as empresas brasileiras iniciaram uma varredura para identificar parceiros que possam ter alguma conexão com as facções, sejam clientes, fornecedores ou prestadores de serviço, segundo especialistas consultados pela Folha. Depois desse diagnóstico, as companhias vão avaliar se e quais deles podem ser excluídos de suas redes de negócios, para evitar sanções futuras. As legislações americanas para punir quem se relaciona com terroristas são abrangentes. As autoridades dos EUA têm autonomia para investigar, tirar as próprias conclusões e aplicar sanções. Ainda que a empresa prove que teve contato com PCC e CV por desconhecimento de quem estava por trás de toda a cadeia envolvida, ela corre o risco de sofrer tipos diferentes de punição, como perder conta bancária aqui no Brasil ou ter bens bloqueados nos EUA. As atividades consideradas mais vulneráveis são aquelas cuja presença das facções já foi identificada pelas autoridades brasileiras: venda de combustíveis, incluindo não apenas gasolina e diesel, mas também botijão de gás e etanol, logística de transporte, defensivos agrícolas, construção e venda de imóveis, ouro e bets.

CALOTE nos negócios – A inadimplência empresarial no Brasil atingiu recorde em abril de 2026, com 9 milhões de CNPJs negativados, segundo a Serasa Experian. O aumento de 1,5 milhão de empresas inadimplentes em um ano reflete juros altos e crédito restrito, afetando principalmente micro e pequenas empresas. O setor de serviços lidera em dívidas, com o Sudeste concentrando o maior número de inadimplentes. Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa, alerta para a continuidade desse cenário desafiador ao longo do ano.

TARIFA mais alta – Um leilão de energia realizado pelo governo vai deixar a conta de luz mais cara. O processo era esperado pelo setor há três anos, mas só foi realizado em março, com a contratação de R$ 515,7 bilhões e recebeu questionamentos no TCU, na Justiça e no Cade. Seu objetivo foi contratar uma espécie de energia reserva, garantindo que o país tenha oferta disponível em momentos de pico de demanda. Um estudo, no entanto, estima em R$ 48 bilhões o custo anual aos consumidores, com aumento já a partir de agosto e alta de 7,5% nas tarifas residenciais em 2032. Especialistas defendem a medida para dar segurança ao sistema, mais associações veem contratação acima do necessário.

FIOFÓ apertado – O governo dos Estados Unidos oficializou, ontem, a classificação do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho como organizações terroristas. Além de abrir brecha para intervenções militares estrangeiras no Brasil, a medida permite que os norte-americanos punam empresas nacionais que tenham algum tipo de ligação comercial com essas facções. Mesmo sem reações públicas à decisão da Casa Branca, o Palácio do Planalto pretende negociar mudanças, mas há o temor de mais pressões econômicas e políticas contra o Brasil, caso o combate ao crime não seja avaliado como suficiente.

PEDIDO negado – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, negou nesta quarta-feira (3), o pedido de suspeição apresentado por quatro senadores contra o ministro Kassio Nunes Marques, relator do mandado de segurança que trata da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) voltada ao Banco Master. Nunes Marques foi escolhido, por sorteio, para julgar o mandado. Os senadores Eduardo Girão (Novo), Alessandro Vieira (MDB), Marcos Pontes (PL) e Plínio Valério (PSDB), porém, alegaram que o ministro tem relação de amizade com Ciro Nogueira (PP) – um dos investigados por envolvimento na fraude financeira liderada por Daniel Vorcaro.

MODULAÇÃO de tom – Pré-candidatos aliados de Lula e Flávio Bolsonaro ajustam suas posturas em relação aos EUA, evitando exposição enquanto defendem seus padrinhos políticos. Bolsonaristas celebram a classificação de facções como terroristas, mas não abordam tarifas americanas. Governistas criticam taxações, mas a questão de segurança pública é pouco debatida. Políticos como Fernando Haddad e Eduardo Paes reagem, destacando a relação com os EUA e defendendo o Pix.

BOM motorista – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, sem vetos, nesta sexta-feira (5), o Projeto de Lei que promove mudanças no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e consolida a renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para motoristas com bom histórico de condução. A nova legislação, que será publicada em edição extra do Diário Oficial da União, garante a renovação automática da CNH e da Autorização para Conduzir Ciclomotor para condutores cadastrados no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC) que não tenham cometido infrações sujeitas à pontuação nos 12 meses anteriores ao vencimento do documento.

PF segue o dinheiro – A Operação Compliance Zero estuda pedir a inclusão de Daniel Vorcaro na difusão prateada da Interpol para identificar e até mesmo bloquear remessas de ativos do ex-dono do Banco Master para fora do País. A informação foi revelada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão nesta sexta-feira (5). Vorcaro é o alvo principal da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes bilionárias do Master. A difusão prateada foi implantada no organograma da Interpol – a Polícia que mantém ligações com forças de segurança em todo o mundo – com o fim específico de alcançar dinheiro ilícito.

CIRO explica elo com Vorcaro – O senador Ciro Nogueira (PP-PI) justificou sua relação com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, ao se definir como “um dos homens mais importantes do país”. Mensagens divulgadas pela revista Piauí mostram uma relação próxima entre os dois, que utilizam termos como “meu amigo”, “irmão” e “irmãozão” para se referirem um ao outro. Em entrevista ao portal Piripiri Repórter, o senador afirmou que sua posição política o faz ter contato com “todos os grandes empresários do país”, inclusive banqueiros, de forma que ele é convidado para encontros com eles. Na visão dele, esse contato é “fruto da importância que ganhou no país”

DESTRAVAR pautas – O governo Lula acredita que a recente decisão de Donald Trump de classificar facções como terroristas pode ser usada no Senado para destravar pautas de interesse do governo que guardam alguma relação com o tema. Integrantes do Palácio do Planalto acham que podem sensibilizar os senadores a votar a PEC da Segurança e o projeto de lei que trata das terras raras.

Para o governo, destravar a PEC pode ser uma resposta institucional ao governo Donald Trump de que o Brasil combate o crime organizado. Já o PL das terras raras é uma estratégia para garantir a soberania do país diante de um possível acordo com o governo norte-americano sobre o tema. Governistas admitem, no entanto, que ainda precisam convencer o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a pautar os assuntos.

VEM com fé – A pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República lançou nesta sexta-feira (5) um vídeo e um jingle que servirão de motes da candidatura, tendo como fios condutores a fé e a defesa da família brasileira. A ideia é aproveitar o clima de mobilização nacional com a chegada da Copa do Mundo —antecipando-se a um movimento similar que a pré-campanha de Lula deve fazer em breve. O vídeo com o jingle “Vem com Fé”, em ritmo sertanejo, mostra imagens de Flávio em eventos, inclusive fazendo suas já famosas dancinhas. Há cenas com o pai, Jair Bolsonaro, a ex-primeira-dama Michelle e os irmãos Eduardo, Carlos e Jair Renan, além de cenas de pessoas comuns trabalhando e orando. A peça é assinada pelo marqueteiro da pré-campanha, Alexandre Oltramari, e pelo publicitário Rafael Rizzo, com consultoria de Eduardo Fischer.

FLÁVIO pede suspeição de Moraes – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes seja declarado suspeito em ação relacionada ao Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O pré-candidato do PL se antecipou a um pedido do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que pediu investigação sobre o caso “Dark Horse”. O pedido da defesa de Flávio foi enviado ao presidente do STF, Edson Fachin, e aponta uma possível relação entre Moraes e Vorcaro, citando o contrato da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, com o banco. Segundo dados da Receita, a instituição financeira pagou ao escritório da advogada R$ 80,2 milhões em dois anos.

PGR pede que volte ao STF caso envolve Rui Costa – A PGR (Procuradoria-Geral da República) pediu o envio do caso contra o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa sobre respiradores para a Covid-19 ao STF (Supremo Tribunal Federal). O processo tramitava no STJ (Superior Tribunal de Justiça), responsável por julgar governadores. A ação trata da compra de 300 ventiladores pulmonares durante a pandemia da Covid-19. Os equipamentos custaram R$ 48,7 milhões aos cofres públicos, mas não foram entregues. A subprocuradora-geral da República, Luiza Frischeisen, cita na peça o entendimento da própria corte de que, em casos de mandatos sucessivos, prevalece o de maior foro —no caso de ministros do governo, trata-se do STF. O inquérito saiu do Supremo para o STJ em agosto passado por determinação de Flávio Dino, para quem o caso retorna agora. Dino afirmou, na decisão, que o caso é de competência do STJ porque os supostos atos praticados pelo investigado teriam ocorrido quando ele era chefe do Executivo da Bahia, e não ministro de Estado. A Folha procurou na tarde desta sexta o ex-ministro, que deve concorrer ao Senado, e aguarda posicionamento sobre o pedido da PGR.

CAIADO nega articulação de chapa com Zema – Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás, negou a formação de uma aliança com Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais, para a eleição presidencial, afirmando que ambos manterão candidaturas independentes. Em entrevista, Caiado destacou a importância da união da centro-direita para derrotar o PT, reiterando que ele, Zema e Flávio Bolsonaro devem estar juntos para enfrentar Lula, mas sem composição única.

PRESIDENTE do Republicanos reage a Cleitinho – O presidente do Republicanos, Marcos Pereira, respondeu às críticas do senador Cleitinho, que duvida do apoio da legenda à sua possível candidatura ao governo de Minas Gerais. Pereira afirmou que Cleitinho não o conhece e parece incerto sobre seu caminho político. A indefinição afeta a aliança com o PL, de Flávio Bolsonaro, que considera Cleitinho um forte candidato alinhado ao bolsonarismo no estado.

TIRO pela culatra – Mensagens de Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro abalaram sua credibilidade entre eleitores independentes, segundo pesquisas da Genial/Quaest. O caso afastou eleitores de Flávio, aproximando-os de Lula, devido à percepção de desonestidade e perda de imagem de moderado. Iniciativas do governo, como o Desenrola 2.0 e a redução da jornada de trabalho, também favoreceram Lula. Apesar disso, eleitores criticam a falta de melhorias prometidas por Lula em seu terceiro mandato.

O QUE preocupa a Câmara Legislativa – A perspectiva de delação do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa preocupa muito mais os deputados distritais do que os federais. É que a maioria da turma de Brasília chancelou a compra do Master pelo BRB. A operação, vale lembrar, foi aprovada por 15 votos a sete, em primeiro turno, e 14 a sete no segundo, com a abstenção de Thiago Manzoni (PL). Agora, esses mesmos deputados terão que analisar a operação de salvamento do Banco Regional de Brasília. E o que se diz é que o discurso que eles podem adotar para tentar limpar a barra é dizer que foram “enganados” e trabalhar para salvar empregos e investimentos do DF em vez de fechar o banco e permitir que a Faria Lima tome conta de tudo.

PORfalar em Câmara Legislativa… – Até hoje a turma que aprovou a operação do BRB com o Master não assinou o pedido de criação de comissão parlamentar de inquérito para investigar o caso. Tal e qual ocorre no Congresso, a investigação legislativa foi barrada pelas excelências. Em ano eleitoral, ninguém quer dar palanque para adversários ou para um tiroteio entre governo e oposição. No caso da CLDF, continua faltando apenas uma assinatura para fazer o pedido caminhar.

FUNDOS do Master sob mira – Com a entrada em vigor da classificação do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho como organizações terroristas, voltam à baila antigas gestoras de fundos de investimento que tiveram negócios com o Banco Master e terminaram liquidadas. No topo da lista, a Reag, flagrada na Operação Carbono Oculto, que identificou lavagem de dinheiro para o PCC.

E O Ibaneis, hein? – Quem acompanha de perto o caso Master/ BRB no Judiciário diz que o ex-governador e pré-candidato ao Senado, Ibaneis Rocha (MDB), tinha tudo para ter cortado as asas de Paulo Henrique Costa antes que o então presidente do banco deixasse um rombo enorme no Banco Regional de Brasília. Isso está sob análise, embora Ibaneis não seja investigado.

PIX é inegociável – O presidente Lula vai aproveitar a reunião do G7, daqui a 10 dias, para reforçar o Pix. Não tem essa de trocar o sistema brasileiro, que é universal, por qualquer outro. E quem tentar fazer isso, será um “entreguista”. Afinal, o que incomoda os outros países é que o Pix acabou por reduzir as transações com cartões de débito e, com isso, caiu também o lucro das operadoras norte-americanas. Faz parte do jogo tentarem reverter isso, mas não pode ser visto como “natural” o Brasil abrir mão do seu sistema.

ONDE mora o perigo – Empresários mineiros estão para lá de preocupados com o novo tarifaço dos Estados Unidos. É que o município de Sete Lagoas será o maior prejudicado, se não houver uma revisão em relação ao ferro gusa. Em 2025, o minério respondeu por 49% das exportações totais da cidade. Deste percentual, 85% foram destinados aos Estados Unidos. Minas exportou para os EUA US$ 1 bilhão só em ferro gusa, conforme dados da Fiemg.

HELLO, my friend – Quem mais deve ajudar o Brasil na mesa de negociação das tarifas com os Estados Unidos são as próprias empresas norte-americanas, que precisam dos insumos brasileiros como matéria prima. É aí que está a chance das exportações de Minas Gerais obterem a exceção. “Ferro gusa tem chance de entrar na lista de isentos porque os EUA não têm indústria para produzir em curto tempo e são dependentes dos produtos brasileiros”, explica Verônica Winter, coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais da Fiemg.

MELHOR de três – As conversas no Senado apontam três senadores cotados para relatar a proposta de emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6×1 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ): Omar Aziz (PSD-AM), Rogério Carvalho (PT-SE) e Rodrigo Pacheco (PSB-MG). Os três nomes são mais alinhados ao governo e a indicação de um deles é vista como um gesto para reaproximar o comandante da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), do presidente Lula.

APOSTA maior – Entre os senadores, a avaliação é a de que, se Pacheco quiser abraçar essa causa, será ele o relator. Por parte da base governista, o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), não tem o menor problema quanto a isso. Ele tem dito que decidirá a forma de tramitação e o relator junto com Alcolumbre.

TRISTE Brasil – Entre 2019 e 2023, o Brasil registrou 822.892 nascidos vivos de mães entre 8 e 17 anos. Apenas entre as meninas de 8 a 14 anos, foram 82.604 partos, os outros 740.288 foram de adolescente entre 15 e 17 anos. Esses números representam uma média de 450 partos por dia, com uma criança se tornando mãe a cada 38 minutos. Os números fazem parte do relatório Violência, gestação e parto de crianças e adolescentes no Brasil: análises de dados da saúde, produzido pelo Observatório Criança Não é Mãe. Mesmo com as legislações que autorizam o aborto em casos de estupro, crianças e adolescentes ainda enfrentam barreiras para garantir o seu direito. Os dados mostram que as crianças são obrigadas a “peregrinar” para conseguir o serviço de saúde. Cerca de 85% delas precisam viajar até 100 km para acessar o aborto legal, 11% percorrem de 100 a 300 km, e mais de 3% chegam a viajar mais de 1000 km. A burocracia, agora, pode aumentar, após o Senado aprovar nesta se mana um projeto que susta uma re solução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), que estabelecia diretrizes para o atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual e facilitava o acesso ao aborto.

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