Ser mãe, para Tauana Rodrigues, nunca foi um verbo estático. É um movimento constante. Aos 30 anos, a estudante de Fisioterapia personifica a realidade de muitas mulheres: a de quem precisa desbravar estradas para construir um amanhã melhor. Dividida entre as aulas em Bagé e o cotidiano em Sant’Ana do Livramento, Tauana encontrou na pequena Manuela da Costa Gonçalves não apenas sua maior saudade, mas sua principal motivação.
A decisão de estudar fora trouxe um novo peso à rotina. Pela primeira vez, os quilômetros se colocaram entre mãe e filha. “Foi difícil e muito desafiador. Tive que escolher entre o agora e o depois. Escolhi acreditar que vai valer a pena para nós duas”, revela Tauana .As despedidas são acompanhadas por questionamentos comuns a quem busca o crescimento profissional sem abrir mão da presença constante na vida dos filhos: “Será que ela vai ficar bem? Será que vai sentir minha falta?” Para enfrentar esses dilemas, Tauana conta com o suporte de quem fica, permitindo que ela siga firme no propósito de se tornar fisioterapeuta.
Para encurtar a distância, a tecnologia vira aliada. Chamadas de vídeo e fotos mantêm o vínculo pulsante, mas é no reencontro que o propósito se renova.
O desafio da saúde e a força na fé
A trajetória das duas é marcada por uma luta que começou cedo. No teste do pezinho, veio o diagnóstico de anemia falciforme. O que era desconhecido tornou-se uma rotina de cuidados, exames e transfusões de sangue.
“Hoje é mais difícil, porque ela entende. Sente não só a dor física, mas também a psicológica. Eu tento ser forte por ela, porque sei que a forma como eu reajo impacta nela”, explica a mãe, relembrando momentos críticos, como o susto de um ataque isquêmico transitório sofrido por Manuela. Nesses episódios, o medo dá lugar a uma fé inabalável na cura e em dias mais leves.
Cuidar para poder cuidar
A experiência com a saúde de Manuela mudou a perspectiva de Tauana sobre a vida. Para ela, o conceito de “problema” foi ressignificado: “A gente entende que todo mundo tem problemas, mas o problema de verdade é saúde”.
Nessa jornada exaustiva, Tauana aprendeu uma lição valiosa que faz questão de compartilhar com outras mães: a importância do autocuidado. A academia tornou-se seu refúgio, o lugar onde recarrega as energias para as batalhas diárias. “Cuidar de si também é cuidar dos nossos filhos. Eu preciso estar bem para cuidar dela.”
Um amor sem limites
Definida por ela como uma jornada “movida pelo amor”, a maternidade de Tauana é prova de que a força de uma mãe não conhece fronteiras entre cidades, nem as impostas pelas dificuldades da vida.
“Ser mãe, para mim, é amar sem limites. É lutar todos os dias, mesmo cansada, e nunca desistir. Porque existe alguém que depende de mim, a Manu e que é a razão de tudo.”

