Ser mãe nunca esteve nos planos imediatos de Eduarda Ignácio Amado. No último período da faculdade, cheia de projetos e sonhos para o futuro, ela recebeu a notícia da gravidez da pequena Eleonor. O susto inicial veio acompanhado de uma preocupação ainda maior: desde os 10 anos, Eduarda convive com a diabetes tipo 1 e sabia que enfrentaria uma gestação de alto risco.
Os medos eram muitos. Entre consultas, exames e cuidados constantes, ela conhecia cada complicação que poderia surgir durante a gravidez. Malformações, problemas cardíacos e, principalmente, o temor do óbito fetal acompanharam sua rotina durante meses. Além disso, a diabetes extremamente descompensada acabou trazendo outras consequências para sua saúde, como o desenvolvimento da Retinopatia Diabética Proliferativa, condição que afetou sua visão durante a gestação.
Mesmo diante de tantos desafios, havia algo dentro dela que insistia em acreditar que tudo ficaria bem. “Eu tinha um sentimento de que ela viria perfeita e foi exatamente assim que veio”, relembra.
A chegada de Eleonor transformou completamente sua vida. Depois de tudo o que enfrentou, bastou vê-la pela primeira vez para sentir que toda a dor e o medo haviam valido a pena. Foi ali que Eduarda compreendeu a dimensão do amor materno. “Ela me conquista mais a cada dia e é muito mais do que eu esperava. Descobri que o amor de mãe realmente é o maior de todos.”
A maternidade também mudou sua forma de enxergar a vida. As prioridades passaram a ser outras e, hoje, tudo gira em torno da filha. “O que mais importa é ela”, afirma.
Durante a gravidez, o medo esteve presente em diversos momentos. Primeiro, pelas complicações que a diabetes poderia causar ao bebê. Depois, pela possibilidade de perder totalmente a visão em decorrência da retinopatia. Já no final da gestação, o maior temor era perder a filha. Apesar disso, Eduarda encontrou forças para seguir em frente.
Um dos episódios mais marcantes aconteceu já nas últimas semanas da gravidez. Após uma hipoglicemia severa enquanto estava em Campanha, ela sentiu, pela primeira vez, que algo poderia não estar bem com a bebê. Acostumada com os movimentos mais tranquilos de Eleonor, percebeu que naquele dia havia algo diferente. Decidiu então procurar atendimento médico.
No hospital, um exame apontou que os batimentos cardíacos da bebê estavam baixos devido às hipoglicemias da mãe. A partir daquele momento, os médicos decidiram adiantar o parto para a semana seguinte. Eleonor nasceu com 37 semanas, saudável, fortalecendo ainda mais na mãe a certeza de que existe uma conexão única entre mãe e filho. “Foi a primeira vez que tive essa intuição de mãe, e aquele momento foi crucial para a minha filha”, conta.
O pós-parto também trouxe desafios. A diabetes permaneceu descompensada por um período e os tratamentos para a retinopatia exigiam viagens constantes para outras cidades. Houve internações, crises severas de hipoglicemia e momentos delicados. Mas foi justamente a maternidade que fez Eduarda olhar com mais atenção para a própria saúde.
Hoje, ela segue uma rotina regrada, com acompanhamento médico e alimentação controlada. Mais do que cuidar de si mesma, ela entende que precisa estar bem para acompanhar o crescimento da filha. “Agora não sou apenas eu. Tenho a Eleonor, e ela precisa de uma mãe saudável.”
Entre os dias difíceis, é na família e na filha que ela encontra forças para continuar. Eduarda se emociona ao falar sobre a maternidade e sobre tudo o que aprendeu ao lado de Eleonor. “Ela me ensinou o amor de verdade, a paciência, a importância da família e o quanto as coisas simples me fazem feliz.”
Quando pensa no futuro, sonha em estar presente em todos os momentos importantes da vida da filha: aniversários, formaturas, os 15 anos, o casamento e até nos dias comuns, que para ela também carregam significado especial.
Todos os dias, Eduarda busca ser uma mãe melhor. Sem idealizar a perfeição, acredita que o mais importante é continuar tentando evoluir por ela e pela família. E deixa também uma mensagem para outras mães que enfrentam problemas de saúde: “É extremamente importante cuidarmos de nós mesmas, estarmos saudáveis para cuidar dos nossos filhos e estarmos presentes nos momentos em que eles precisam.”
Neste Dia das Mães, Eduarda celebra muito mais do que a maternidade. Celebra a força, a superação, a fé e o amor que encontrou em Eleonor, a filha que transformou sua vida e deu um novo significado para cada batalha vencida.

