As redes sociais

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O Facebook – esqueci quando me cadastrei no “Face” – era um lugar que eu considerava ótimo para desopilar, rir, contatar com pessoas que fazia muitos anos que eu sequer tinha notícias, algumas, para minha surpresa, já nem estavam mais neste plano. Depois de algum tempo, notei que o ódio, a intolerância e a ignorância sobre qualquer assunto eram tão grandes que resolvi passar alguns anos sem acessar. Não parabenizei ninguém pela passagem de seu aniversário, não respondi a ninguém, enfim, me tornei uma reclusa social virtual. Explico: se sou adepta da direita, da esquerda ou do centro, não importa qual minha posição, sou taxada de retardada, comunista, louca e por aí vai. E olhem que eu nunca disse abertamente minha posição política!
Se concordo com a esquerda, perco alguns amigos (amigos?)! Se concordo com a direita, perco outros. Se digo o que, realmente, penso! Cristo, faço companhia a Ti, na cruz!!!
Agora estou inscrita no Instagram. No começo, eu adorava, era um espaço sem publicidade, sem ideologia política, apenas, um espaço diferente, bonito. Já não é mais, está se tornando, lentamente, em uma sucursal do Facebook: muita propaganda e as posições políticas já estão sendo enfiadas goela abaixo.
Eu sempre achei que vivia em uma democracia, com o direito de expor minha opinião e a obrigação de respeitar a opinião alheia. Com isso não quero dizer que devo ficar quieta se não concordo, apenas buscar aquela diplomacia que admirava em minha avó, e que eu me esforço muito por resgatar. Qualquer pessoa desinformada sabe que as palavras, ao longo dos anos, acabam mudando seu significado, modificando seu sentido. Porém, não consigo entender como os valores mudaram de tal forma que, antigamente, roubar, apropriar-se de bem alheio era errado, a pessoa devia ser punida. Hoje, faz parte da cultura tupiniquim.
Lentamente, sinto-me perdendo meu lugar neste mundo.
Todos nós somos diferentes, em vários aspectos, pois somos indivíduos = individual. Todos nós trazemos em nossa bagagem cultural mundo e visões diferentes. Mas, por mais que eu seja diferente de um ou outro, não preciso, e nem devo dizer ao meu semelhante que ele é burro, ainda que morra de vontade de fazê-lo; ou que seja necessário desenhar meu ponto de vista para que ele entenda, ou se eu tiver poder, abusar desse poder para obrigá-lo a fazer o que EU acho que é certo.
Nasci no século passado. Em alguns momentos isto é uma bênção, em outros, me torna pré-jurássica. Vocês lembram quando eram adolescentes? Às vezes a gente não podia fazer determinada coisa porque era jovem demais, outras vezes era velha demais para tal situação. Enfim, confesso que está sendo difícil me adaptar ao momento presente, com ou sem pandemia. Se convivo com os jovens, meu vocabulário acaba se tornando ora rebuscado demais, ora obsoleto. Nas músicas, nem falar…. Levei anos e anos para dar uma leve lustrada em meu gosto musical, quando meus jovens colegas me perguntam o que estou escutando (e olha que é com fone de ouvido) e eu digo o nome da música ou cantor/cantora eles fazem umas caras que me deixam surpresa e confusa. E, para completar esta fase caótica, temos este vírus, empatando a vida de todo mundo. Espero que meu psicológico não entre em colapso.

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