Eis a questão! – Jurema Luz – 18/04/2020

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A diferença no tempo

Como dizer isso sem criar inimigos? Bom, acho que sou tão insignificante que por mais que minha opinião seja contrária, os “fanáticos de plantão” sequer vão ler esta coluna.
Senão vejamos: Facebook – há algum tempo, esqueci quando, me cadastrei no “Face”, lugar que eu considerava ótimo para desopilar, rir, contatar com pessoas que fazia muitos anos que eu sequer tinha notícias. Depois de algum tempo, notei que o ódio, a intolerância e a ignorância sobre qualquer assunto eram tão grandes, que resolvi passar alguns anos sem acessar. Não parabenizei ninguém pela passagem de seu aniversário, não respondi a ninguém, enfim, me tornei uma reclusa social virtual. Porque se sou adepta da direita, da esquerda ou do centro, não importa qual minha posição, sou taxada de retardada, comunista, louca e por aí vai. E olhem que eu não disse que sou nada disso!!!
Se concordo com a esquerda, perco alguns amigos (amigos?)! Se concordo com a direita, perco outros. Se digo o que, realmente, penso!!!! Cristo, faço companhia a Ti, na cruz!!!
Agora estou inscrita no Instagram. No começo, eu adorava, era um espaço sem publicidade, sem ideologia política, apenas, um espaço diferente, bonito. Já não é mais, está se tornando, lentamente, em uma sucursal do Facebook: muita propaganda e as posições políticas já estão sendo enfiadas goela abaixo.
Eu sempre achei que vivia em uma democracia, com o direito de expor minha opinião e a obrigação de respeitar a opinião alheia. Com isso não quero dizer que devo ficar quieta se não concordo, apenas buscar aquela diplomacia que eu não possuo e que admirava muito em minha avó, e que eu me esforço muito por resgatar. Qualquer pessoa desinformada sabe que as palavras, ao longo dos anos, acabam mudando seu significado, modificando seu sentido. Pois é. Atualmente, o meu direito de pensar diferente me torna tão discriminada quanto um negro foi um dia, um gordo continua sendo, um pobre…, um cego… enfim, aquele que não acompanha e nem concorda com a opinião de quem ouve ou lê.
Perdi meu espaço no mundo!
Todos nós somos diferentes, em vários aspectos. Todos nós somos diferentes no pensamento. Todos nós trazemos em nossa bagagem cultural mundo e visões diferentes. Mas, por mais que eu seja diferente de um ou outro, não preciso, e nem devo dizer ao meu semelhante que ele é burro (por mais vontade que eu tenha – olha o filtro aí, Márcia!), ou que seja necessário desenhar meu ponto de vista para que ele entenda, ou que seja necessário, se eu tiver poder, abusar desse poder para obrigá-lo a fazer o que EU acho que é certo.
Nasci no século passado. Em alguns momentos isto é uma bênção, em outros, me torna pré-jurássica. Vocês lembram quando eram adolescentes? Eu me lembro que ora eu não podia fazer determinada coisa porque era jovem demais, criança; ora, eu era velha demais para tal situação. Enfim, confesso que está sendo difícil me adaptar ao momento presente, com ou sem pandemia. Se convivo com os jovens, meu vocabulário acaba se tornando ora rebuscado demais, ora obsoleto. Nas músicas, nem falar…. Levei anos e anos para dar uma leve lustrada em meu gosto musical, quando meus jovens colegas me perguntam o que estou escutando (e olha que é com fone de ouvido) e eu digo o nome da música ou cantor/cantora eles fazem umas caras de nojo, de desprezo, que me deixa surpresa e confusa. Nas relações afetivas parece que velho não pode mais amar, nem sentir desejo, nem querer ficar mais bonito. Prá que? Tá velho mesmo! E, para completar esta fase caótica, temos o Coronavírus.
Espero que minha fortaleza psíquica não entre em colapso.