Laura Leite
variedadeslaura.aplateia@gmail.com
Com churrasco, chimarrão e gaita, o evento realizado em Treviso dobrou de tamanho em sua segunda edição e deu os primeiros passos para a criação da primeira associação de tradições gaúchas no país europeu. A mais de 9 mil quilômetros de Porto Alegre, o cheiro do costelão assado e o som do acordeão tomaram conta da comunidade de Ogliano no último domingo, 20 de setembro, data magna dos gaúchos. A Gauchada na Bota reuniu cerca de 200 pessoas e confirmou a força da cultura sul-rio-grandense no exterior.
O projeto foi idealizado pela italiana Caterina Tarantola, conhecida nas redes sociais como a “Gaúcha Fake” e por seu marido, o porto-alegrense Ricardo Almeida. O casal, que se conheceu quando Ricardo esteve na Itália para reconhecer sua cidadania, uniu a vivência de duas culturas para criar um espaço de acolhimento para os migrantes e amantes da tradição gaúcha.
“A ideia nasceu da vontade de reunir os gaúchos que vivem na Itália e criar um espaço onde a gente possa manter vivas e divulgar as nossas tradições”, explica Caterina. “Eu sou italiana, mas, depois de tantos anos casada com um gaúcho, me apaixonei por essa cultura. A Gauchada na Bota é para quem nasceu no RS, mas também para familiares, descendentes e qualquer pessoa que respeite e ame esse chão.”
Do encontro casual ao primeiro CTG da Itália
A primeira edição do encontro ocorreu em 2025, reunindo cerca de 100 pessoas. Em 2026, a procura superou todas as expectativas: os ingressos esgotaram rapidamente, reunindo mais de 200 participantes entre adultos e crianças, enquanto mais de 100 pessoas ficaram em fila de espera por limitações de espaço.
A festa recriou a atmosfera típica dos galpões do Sul do Brasil. O público pôde desfrutar de um verdadeiro churrasco gaúcho, Cantinho do Chimarrão, transmissão de GreNal, Bolicho Gaúcho e apresentações de música nativista. Um dos momentos mais marcantes do evento foi a integração com a comunidade local: um gaiteiro tocava clássicos gaúchos enquanto um italiano da região acompanhava cantando junto.
Diante do sucesso e da demanda crescente, os organizadores entenderam que o projeto precisava ir além de um encontro anual. O grupo está trabalhando na formalização da Gauchada na Bota como uma associação cultural na Itália, inspirada na estrutura e no espírito dos Centros de Tradições Gaúchas (CTGs).
“A intenção agora é organizar mais encontros durante o ano, como mateadas, churrascos e eventos culturais para as famílias”, revela Caterina. “Queremos que o gaúcho que vive longe de casa encontre aqui um lugar para tomar um mate, ouvir uma gaita e matar a saudade do Rio Grande do Sul.” Destaca, Caterina.
Um caminho de volta para as origens
A iniciativa carrega também um forte simbolismo histórico. Durante os séculos XIX e XX, milhares de italianos deixaram a Europa e desembarcaram no Rio Grande do Sul, ajudando a construir a história e a identidade cultural do estado. Hoje, a Gauchada na Bota faz o caminho inverso, levando os hábitos e o orgulho do povo gaúcho de volta ao solo italiano.
O grupo segue em constante crescimento e planeja expandir suas atividades por outras regiões da Itália, fortalecendo os laços comunitários e promovendo o intercâmbio cultural entre os dois países.
Para acompanhar a rotina do grupo, conferir as fotos da última edição ou ficar por dentro das próximas mateadas e eventos na Itália, siga o perfil oficial no Instagram: @Gauchadanabota.
