Produtores rurais das regiões do Passo do Guedes, Passo do Forno, Tafona e Rincão da Bolsa relatam prejuízos crescentes e cobram medidas para conter o avanço dos ataques aos rebanhos.
Por Matias Moura
A crescente incidência de ataques de cães a rebanhos ovinos voltou a preocupar produtores rurais de Sant’Ana do Livramento. Nas localidades do Passo do Guedes, Passo do Forno, Tafona e Rincão da Bolsa, a estimativa é de que aproximadamente 80 ovelhas tenham sido mortas nos últimos meses em decorrência da ação de cães soltos ou abandonados, causando prejuízos econômicos e insegurança aos pecuaristas.
Um dos produtores afetados é Gilson Giliarde, que afirma que o problema se agravou significativamente nos últimos meses. Segundo ele, os ataques deixaram de ser casos isolados e passaram a atingir diversas propriedades da região.
“Hoje a gente não consegue mais sair tranquilo da propriedade. Quando precisamos ir até a cidade ou passar algumas horas fora, ficamos preocupados com o que pode acontecer no rebanho. É um problema antigo, mas agora tomou uma proporção muito maior”, relata.
Gilson conta que também sofreu ataques em sua propriedade e conseguiu identificar um dos cães responsáveis. Após conversar diretamente com o proprietário do animal, a situação específica foi resolvida, porém o problema coletivo permanece.
“O cachorro já havia atacado outras propriedades antes de chegar na minha. Só foi retirado dali porque consegui flagrar e fui conversar firme com o dono. Mas isso não resolve o problema geral. São muitos cães atacando rebanhos em diferentes localidades.”
Prejuízo econômico e emocional
Além da perda financeira, os produtores destacam o impacto sobre anos de seleção genética e manejo dos rebanhos. Uma única investida de cães pode matar diversas ovelhas em poucos minutos, inclusive animais prenhes e cordeiros.
Segundo Gilson, a situação já afeta diretamente a atividade pecuária na região.
“Quem cria ovinos vive disso. São anos de trabalho, investimento e dedicação. Em poucos minutos um ataque destrói tudo. É muito difícil para quem depende dessa produção.”
Falta de controle preocupa produtores
Na avaliação do produtor, parte do problema está relacionada ao abandono de cães na zona rural e à ausência de controle sobre a reprodução dos animais.
Ele defende campanhas permanentes de castração, identificação e responsabilização dos proprietários.
“Eu gosto de cachorro, tenho duas cadelas de trabalho na propriedade e sempre cuidei delas com responsabilidade. O problema não é o cachorro, mas a falta de responsabilidade de quem cria e abandona animais ou deixa eles soltos. Todo cachorro precisa ter um dono responsável.”
Gilson também critica a existência de cães abandonados tanto na cidade quanto na campanha.
“Infelizmente ainda há pessoas que levam cães da cidade para largar no interior. Depois esses animais se juntam em matilhas e acabam atacando os rebanhos.”
Mobilização dos produtores
Diante dos sucessivos prejuízos, produtores da região estudam organizar um grupo para levar a situação ao conhecimento do poder público municipal e buscar soluções conjuntas.
Entre as propostas defendidas estão a intensificação das campanhas de castração, maior fiscalização sobre abandono de animais, cadastro de cães utilizados para caça e criação de políticas públicas voltadas ao controle populacional dos cães errantes.
Segundo Gilson, o objetivo não é promover conflito entre produtores e defensores da causa animal, mas encontrar uma solução equilibrada.
“Todos querem proteger os animais, mas também precisamos proteger quem produz alimento. O produtor rural não pode continuar acumulando prejuízos sem que haja uma política pública para enfrentar esse problema.”
A preocupação cresce justamente em um momento em que a ovinocultura busca recuperar espaço na economia regional. Para os criadores, controlar os ataques de cães tornou-se uma das principais demandas do setor, sob pena de comprometer ainda mais a permanência da atividade no campo.

