Bagre Fagundes será velado no Palácio Piratini nesta segunda-feira (3)

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Coautor do clássico “Canto Alegretense”, músico, folclorista e comunicador morreu aos 86 anos, deixando um legado que atravessa gerações e ajudou a consolidar a identidade cultural do povo gaúcho

O Rio Grande do Sul amanheceu de luto neste domingo (2) com a confirmação da morte de Euclides Fagundes Filho, o eterno Bagre Fagundes, aos 86 anos. Um dos mais importantes nomes da música regional e do tradicionalismo gaúcho, o artista faleceu em Porto Alegre após permanecer internado por mais de dois meses em decorrência de complicações provocadas por uma parada cardiorrespiratória sofrida no fim de maio, após um episódio de engasgo em sua residência.

Patriarca de uma das famílias mais influentes da cultura regional, Bagre construiu uma trajetória marcada pela defesa das tradições do Rio Grande do Sul, transformando a música, a poesia e o folclore em instrumentos de valorização da identidade gaúcha. Sua morte encerra uma carreira de mais de seis décadas dedicadas à preservação da cultura do Pampa, mas deixa um legado que continuará presente em festivais, CTGs, escolas, rodeios e nos lares de milhares de gaúchos.

Natural de Uruguaiana, nascido em 3 de outubro de 1939, Bagre passou a infância em Alegrete, cidade que moldou sua relação com o campo, a música e as tradições. O apelido “Bagre”, que o acompanharia por toda a vida, surgiu ainda na juventude após uma pescaria no Rio Ibirapuitã. Ainda adolescente, começou a tocar gaita e logo iniciaria uma carreira que o transformaria em referência da música nativista.

Ao lado do irmão Nico Fagundes, escreveu aquela que se tornaria uma das maiores canções da história do Rio Grande do Sul: “Canto Alegretense”. A música ultrapassou gerações e fronteiras, sendo considerada por muitos um verdadeiro hino não oficial dos gaúchos. Seus versos se incorporaram ao imaginário popular e ajudaram a projetar a cultura regional para todo o Brasil.

Além da carreira artística, Bagre também atuou como advogado, bancário, vereador em Alegrete, pesquisador do folclore e comunicador. Em todas essas funções manteve o compromisso de preservar e difundir a história, os costumes e as tradições do povo gaúcho.

Nos últimos anos, integrou o grupo Os Fagundes, ao lado dos filhos Neto Fagundes, Ernesto Fagundes, Paulinho e do irmão Nico, levando espetáculos por todo o país e ao exterior. O grupo tornou-se um dos maiores símbolos da música regional, aproximando diferentes gerações da cultura tradicionalista.

Como reconhecimento à importância histórica do artista, o Governo do Estado definiu que o velório seria realizado no Palácio Piratini, uma homenagem reservada a personalidades cuja contribuição marcou profundamente a história do Rio Grande do Sul. A cerimônia foi aberta ao público para que admiradores, amigos e representantes da cultura prestassem a última homenagem ao músico.

A despedida de Bagre Fagundes ocorre pouco mais de uma década após a morte de seu irmão Nico Fagundes, outro grande ícone da cultura gaúcha. Juntos, os dois ajudaram a transformar a música regional em patrimônio cultural, inspirando artistas e fortalecendo o movimento tradicionalista dentro e fora do Estado.  Mais do que um cantor e compositor, Bagre Fagundes foi um contador de histórias, um pesquisador da cultura popular e um defensor apaixonado das raízes do povo gaúcho. Sua voz silencia, mas sua obra permanece viva em cada verso do Canto Alegretense, em cada roda de mate, em cada fandango e em cada gaúcho que encontra na tradição um motivo de orgulho.

O velório de Bagre Fagundes será realizado no Palácio Piratini, em Porto Alegre, nesta segunda-feira (3/8). O local da cerimônia fúnebre, que será aberta ao público a partir das 10h, é um reconhecimento do governo do Estado à grandeza do seu legado e uma forma de prestar homenagem ao artista.

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