Embora tenha morado em Sant’Ana do Livramento por apenas alguns meses após o nascimento, em 1979, Luciano Potter nunca deixou de carregar a cidade como parte da própria identidade. Filho de um funcionário do Banco do Brasil, viveu em diferentes regiões do país durante a infância, mas foi na Fronteira que construiu algumas de suas lembranças mais afetivas.
As férias de verão, os natais na casa da avó Nair, os encontros com tios, primos e amigos transformaram Livramento em um lugar de pertencimento. Para ele, a cidade pode ser resumida em uma única palavra: família.
“Livramento pra mim é família. Essa é a palavra. E família é base.”
Depois de deixar a cidade ainda bebê, a família passou por Goiás, Canguçu e Bahia até se estabelecer em Alegrete, onde Potter viveu dos oito aos dezoito anos. Foi ali que construiu a infância típica do interior, marcada pelas partidas de futebol na rua, pelas amizades que permanecem até hoje e pela liberdade que, segundo ele, as novas gerações dificilmente terão.
Mesmo criado em Alegrete, as constantes visitas a Sant’Ana do Livramento fortaleceram uma ligação especial com a Fronteira. A convivência entre Brasil e Uruguai sempre despertou sua curiosidade e admiração.
“Eu sempre achei encantadora essa dualidade. Um pé em cada país, outra língua, outra cultura. A Fronteira da Paz é um lugar único.”
O contato frequente com o Uruguai também influenciou sua forma de falar, seus costumes e até a paixão pelo país vizinho. Potter conta que mantém expressões típicas da região no vocabulário e diz admirar o estilo de vida dos uruguaios.
“Eu sou muito apaixonado pelo Uruguai e pelo jeito como eles enxergam a vida. A gente é muito parecido.”
A curiosidade pelas pessoas surgiu ainda na adolescência. Sempre interessado por História, Literatura e Geografia, descobriu no jornalismo uma maneira de unir o gosto por contar histórias à vontade de compreender diferentes realidades.
“Eu sempre fui o cara que conversava com todo mundo. Acho que foi isso que me levou para a comunicação.”
Ao longo da carreira, construiu uma trajetória marcada pelo rádio, televisão e plataformas digitais. Entre os momentos mais importantes estão a cobertura da Copa do Mundo da África do Sul, em 2010, e a participação desde o primeiro dia no programa Pretinho Básico, um dos maiores fenômenos da comunicação gaúcha.
“Viver uma Copa do Mundo era um sonho. E acompanhar o crescimento do Pretinho Básico foi fazer parte de algo muito maior do que eu imaginava.”
Nos últimos anos, Potter ampliou sua atuação como palestrante, abordando temas ligados à escuta, comunicação e relações humanas. Segundo ele, a experiência da paternidade reforçou a importância de ouvir as pessoas com atenção, transformando também sua forma de trabalhar.
“Escutar é muito mais difícil do que falar. Foi isso que comecei a estudar e levar para a minha vida.”
Hoje, Luciano Potter divide seu tempo entre a produção de conteúdo, palestras e novos projetos, sempre mantendo uma prioridade clara.
“Minha prioridade total é ser pai.”
Ao recordar Sant’Ana do Livramento, o comunicador volta às origens e à história da avó Nair, figura que considera o grande elo de união da família e uma das maiores inspirações de sua vida.
“Quando penso em Livramento, penso na minha família. É onde estão as pessoas que me deram a base para tudo o que construí.”
Hoje, mesmo com uma carreira consolidada na comunicação, é em Sant’Ana do Livramento que Luciano Potter reencontra parte da própria história. A cidade onde nasceu continua sendo sinônimo de família, afeto e das lembranças que ajudaram a construir quem ele é.

