Edição de Chico Bruno
CAPAS DE REVISTAS
VEJA: História de cinema
O impacto político e o constrangimento causados pelas conversas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro para o financiamento de um longa-metragem sobre Jair Bolsonaro. Pródigo em distribuir dinheiro à esquerda e à direita na política para aumentar sua rede de relacionamentos, o ex-banqueiro também patrocinou filmes em homenagem a Lula e a Michel Temer.
CartaCapital: Filme queimado
Os áudios entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro deixam mais claras as ligações umbilicais do clã com o banqueiro.
Crusoé: Contaminado
Troca de mensagens com Daniel Vorcaro envenena candidatura de Flávio Bolsonaro a presidente.
MANCHETES DOS JORNAIS
FOLHA DE S.PAULO – Eduardo assinou contrato como ‘diretor executivo’ do filme sobre Bolsonaro
Correio Braziliense – Dino manda investigar emenda de filme sobre Bolsonaro
O ESTADO DE S.PAULO – PF mira ex-governador suspeito de favorecer megassonegador no Rio
O GLOBO – Castro direcionou governo para beneficiar Refit, diz PF
Valor Econômico – Não circula hoje
Destaques de primeiras páginas, fatos e bastidores mais importante do dia
DIRETOR de araque – O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) atuou como produtor-executivo do filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e assinou um contrato com poderes sobre a gestão financeira do projeto, de acordo com o site The Intercept Brasil. Os documentos obtidos contradizem declarações públicas de Eduardo de que ele teria apenas cedido direitos de imagem, sem exercer nenhum cargo de gestão na produção.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Eduardo admitiu que assinou um contrato com a produtora do filme para contratar o diretor da obra e que recebeu a função de diretoria-executiva, mas afirmou que os planos mudaram. Segundo o Intercept, o contrato, datado de novembro de 2023 e assinado digitalmente por Eduardo em 30 de janeiro de 2024, designa ele e o deputado federal Mario Frias (PL-SP) como produtores-executivos, ao lado da produtora Go Up Entertainment, sediada nos Estados Unidos. A função conferiria poder para lidar diretamente com o controle de orçamento e a gestão financeira de um projeto audiovisual. Ainda de acordo com o site, os produtores-executivos teriam responsabilidade sobre decisões estratégicas de financiamento, preparação de documentação para investidores e identificação de fontes de recursos para o filme —que, na época, se chamava “O Capitão do Povo” e, posteriormente, foi intitulado “Dark Horse” (“azarão”, em inglês).
Filme contaminado – Depois das suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo a produção do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, o ministro Flávio Dino determinou abertura de processo para apurar eventual envio de emendas parlamentares aos EUA a fim de custear o longa. O Ministério Público do TCU acionou a Corte para investigar indícios de irregularidades vinculadas à captação de recursos destinados à obra.
CENÁRIO propício a sonegação – Os investigadores da Polícia Federal à frente da Operação Sem Refino, deflagrada nesta sexta-feira, 15, apontam que o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) atuou para criar um “ambiente propício” ao Grupo Refit, apontado como o maior sonegador de impostos do País, e perpetuar fraudes fiscais bilionárias no setor de combustíveis. Segundo a PF, o então governador teria articulado um refinanciamento desenhado para atender aos interesses da Refit, com potencial para reduzir em até 95% a dívida da empresa com o Estado. Cláudio Castro, alvo de busca e apreensão às 6h desta sexta-feira, negou qualquer ilícito envolvendo fraudes tributárias e favorecimentos ao grupo Refit. Em nota, a defesa do ex-governador afirmou que ele está “à disposição da Justiça para dar todas as explicações” e “convicto de sua lisura”. Já a Refit diz que “não foi beneficiada pelo programa especial de parcelamento de créditos do governo do Estado do Rio de Janeiro”. “A companhia não é elegível ao Refis 2025, uma vez que já possui um parcelamento em vigor junto ao governo desde 2023″, diz nota da empresa.
“PEGA ladrão” – Ontem, o senador Flávio Bolsonaro foi alvo de vaias e protestos ao chegar ao Quartel-General da Polícia Militar do Rio de Janeiro, onde participou de um evento. Manifestantes gritaram frases como “pega ladrão” e “bandido”, enquanto exibiam cartazes contra o parlamentar do PL. Segundo relatos, o protesto ocorreu no momento em que a banda da corporação executava uma marcha em homenagem ao senador.
INSS: PF muda chefia – O senador Carlos Viana (PSD MG) pediu esclarecimentos ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, sobre a substituição do delegado responsável por investigar as fraudes em descontos do INSS. A PF não explicou se a troca ocorreu a pedido do próprio delegado ou se foi por uma definição do comando da corporação. O delegado Guilherme Silva era chefe da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários da PF e foi o responsável por coordenar e conduzir as investigações sobre o INSS. Foi ele quem, por exemplo, pediu a realização de investigação contra Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Lula. Essa troca motivou uma reunião do ministro André Mendonça, do STF, com a equipe da corporação ontem.
DELAÇÃO a caminho – O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa está em tratativas finais para firmar o acordo de delação premiada com a Polícia Federal, segundo fontes liga das ao caso ouvidas pelo Correio. A previsão é de que, na próxima semana, ele assine um termo de confidencialidade com os investigadores — período em que fornece as informações a que teve acesso, cita envolvidos nas fraudes e compartilha provas. Em seguida, a defesa apresenta a proposta de delação. A previsão é de que até o fim deste mês a colaboração premiada seja protocolada oficialmente e aceita pela corporação. Na atual fase, PHC está definindo com os advogados o material que será apresentado. A avaliação é de que há um conteúdo robusto, especialmente sobre o caminho do dinheiro, além da participação de autoridades do Distrito Federal no esquema criminoso. Ele também cita autoridades federais.
QUEM é magro – O advogado Ricardo Magro, de 51 anos, é especializado em direito tributário pela Universidade Paulista (Unip) e principal controlador do Grupo Refit, empresa que adquiriu em 2008. Considerado pelos pares como uma figura controversa, é classificado pelas autoridades fiscais como o “maior devedor contumaz do país”, com passivos e débitos com o Fisco que superam a marca de R$ 26 bilhões. Magro esteve no centro de sucessivas operações policiais e fiscais relacionadas ao mercado de refino e distribuição de combustíveis. Antes da Operação Sem Refino, deflagrada ontem, ele esteve no foco de outras incursões das autoridades. Atuou formalmente como advogado do ex-deputado e ex-presidente da Câmara dos Deputados em processos relacionados a fundos de pensão.
FLÁVIO na berlinda – Apesar de uma parte do mercado financeiro ainda aguardar os desdobramentos do impacto do vazamento das conversas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, negociando recursos para financiar o filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulado Dark Horse (Cavalo Negro, na tradução lideral), alguns analistas já começam a admitir que a candidatura do filho 01 morreu, conforme informou ao Correio um analista de uma grande gestora de ativos financeiros, que pediu anonimato.
CHAPA competitiva – “A busca, agora, é por chapa competitiva e que tenha pelo menos uma mulher na composição”, disse o analista. Na avaliação dele, o fato de Flávio ter sido atingido, contudo, não significa que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já está reeleito. “É muito cedo para concluir isso. Há opções maduras na direita”, acrescentou. Na avaliação dele, o centro e a direita do país precisam ser pragmáticos e trabalhar por outro candidato o quanto antes para que a chapa tenha condições de ser mais competitiva contra Lula e Geraldo Alckmin. “Se a política falhar (novamente), aí sim entregarão mais quatro anos para Lula”, afirmou.
CAIU nas redes – Após o vazamento das conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, os petistas não perdoaram e fizeram uma música sertaneja por inteligência artificial (IA) com as falas do filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro para o ex-banqueiro intitulada “Estarei sempre contigo”.
DEU certo – Os bolsonaristas mais fiéis usam as redes sociais para defender o patrocínio “oculto” do Banco Master ao filme biográfico de Jair Bolsonaro Dark Horse. De acordo com internautas, Daniel Vorcaro patrocinou o projeto para receber parte dos lucros da bilheteria do projeto. Do outro lado, os petistas estão felizes com a nova postura do PT em publicar, diversas vezes, o áudio vazado. Não só comemoraram, como pediram mais. De acordo com alguns, a esquerda aprendeu a usar as mesmas ferramentas que a direita.
RACHOU legal – Os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro não gostaram nada das críticas enfáticas do pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo). O momento gerou um racha dos mais próximos de Flávio Bolsonaro com o mineiro. O líder da oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto (PL-PB), afirmou à coluna que a ruptura não engloba o partido Novo. Mesmo com uma tentativa de Flávio em apaziguar o atrito, ainda há quem não queira uma reaproximação por enquanto.
PRESSÕES por delações I – Detentos presos preventivamente por conta da Operação Sem Desconto, que apura as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), dizem sofrer pressão para firmarem acordos de delação. De acordo com as alegações, a ação ocorreria no Bloco 5 da Penitenciária do Distrito Federal (PDF) IV. A parentes e advogados, eles contam serem vítimas de pressão psicológica para forçá-los a assinar acordos de colaboração. Entre as queixas estão ter de dormir em colchões cortados pela metade, receber quentinhas já abertas, ouvir barulhos altos e intermitentes de equipamentos de raio-x instalados na porta das celas e até permanecer por horas em um espaço apertado após receberem a visita de seus defensores.
PRESSÕES por delações II – Os presos dizem que são pressionados a entregar eventual participação de autoridades do Tribunal de Contas da União (TCU) e dos Poderes Legislativo e Judiciário na suposta organização criminosa investigada. Procurada, a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) afirmou “que todas as rotinas de custódia, movimentação, segurança e atendimento aos reeducandos nas unidades prisionais do DF seguem protocolos operacionais padronizados, fundamentados na legislação vigente, nas normas de segurança penitenciária e nos princípios previstos na Lei de Execução Penal”. Sobre eventual pressão para firmar acordo de delação, a Seap disse que “não há, até o presente momento, registro formalizado na Corregedoria da Pasta acerca de supostas abordagens indevidas e que toda denúncia recebida pelos canais oficiais é devidamente apurada, com rigor e observância ao devido processo administrativo”.
NA Marcha de Prefeitos, sabatina de presidenciáveis – Os gabinetes do Senado Federal estão em polvorosa com a expectativa do movimento de milhares de prefeitos pelos corredores do Congresso Nacional na próxima semana. A partir de segunda-feira, será dada a largada da XXVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios. Mais de 12 mil gestores e três mil prefeitos estão confirmados, mas esse número ainda pode aumentar, de acordo com dados da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), que promove o evento, e que promete ser a maior edição da história. Realizada no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), no Setor de Clubes Sul, a Marcha dos Prefeitos será marcada pela primeira sabatina presencial com os principais pré-candidatos à Presidência da República. A programação política terá início na terça-feira. Confirmaram presença o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), além de Renan Santos (Missão) e Aldo Rebelo (DC). Eles devem responder às perguntas dos participantes nas mais diversas áreas da administração municipal ao longo dos dias 19 a 21, data final do evento. A presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não estava confirmada até o fechamento desta edição.
RECEIO da Justiça Eleitoral – Os produtores do filme “Dark Horse” avaliam antecipar a estreia do filme que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro para julho. A previsão inicial era lançar apenas em setembro, véspera das eleições. Essa hipótese já era cogitada nos bastidores para evitar problemas com a Justiça Eleitoral. Juridicamente, há um temor de que a justiça barrasse a veiculação no país sob o pretexto de uso eleitoral. O mês de julho foi levantado como alternativa porque antecede o período oficial de campanha, que começa em agosto. Após a divulgação do áudio entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, a avaliação entre pessoas envolvidas na produção do filme é que a antecipação pode ser até melhor para o presidenciável. Aliados de Flávio apostam que o longa vai humanizar o ex-presidente Jair Bolsonaro e, com isso, convencer o eleitor a votar no filho dele.
FLÁVIO diz que Bolsonaro o aconselhou a falar a verdade – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmou nesta sexta-feira (15) que conversou com seu pai, Jair Bolsonaro (PL), a respeito de sua relação com Daniel Vorcaro, revelada pelo site The Intercept Brasil, e que o ex-presidente lhe disse para ficar tranquilo e falar a verdade.
Segundo Flávio, o dono do Banco Master e Bolsonaro nunca se encontraram, apesar de ter havido uma tentativa de levar o ex-presidente à mansão do ex-banqueiro para assistir a um documentário. O presidenciável também criticou seu rival na direita, o ex-governador Romeu Zema (Novo), a quem chamou de precipitado por ter dito que o caso era “imperdoável”.
LULA ironiza Flávio Bolsonaro – O presidente Lula (PT) ironizou nesta sexta-feira (14) o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, ao participar de evento no interior de São Paulo, e voltou a defender a proibição do uso de inteligência artificial nas eleições deste ano. As afirmações foram feitas no Hospital de Amor de Barretos (a 423 km de São Paulo), onde esteve para anunciar a construção de um centro de pesquisa e medidas de incentivo à realização de cirurgias robóticas pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Acompanhado do vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), e dos ministros Alexandre Padilha (Saúde) e Frederico de Siqueira Filho (Comunicações), Lula se referiu ao caso envolvendo Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, enquanto comentava sobre recursos liberados para o hospital, referência no tratamento oncológico no país.
“Aqui nesse hospital, aqui não tem dinheiro do Vorcaro”, disse o petista, que foi ovacionado pelos presentes.
DOCUMENTÁRIO sobre Bolsonaro estreia com salas vazias –
O documentário “A Colisão dos Destinos”, dirigido por Doriel Francisco, que conta a história da vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, chega ao seu primeiro fim de semana em cartaz nos cinemas com distribuição falha e salas vazias. Apesar de ser exibido em 17 estados, a obra está fora do circuito Rio-São Paulo.
Profissionais do setor audiovisual afirmam que um filme com esse teor político, em ano eleitoral, afasta os programadores. Do mesmo modo, dizem que a estratégia de lançamento do filme foi mal-conduzida. Tanto que, em geral, a comunidade cinéfila desconhecia sua produção até a estreia. Assim como “Dark Horse”, “A Colisão dos Destinos” integra uma rede que tem elo com verbas de deputados bolsonaristas. Além de ser o diretor, Francisco é dono da produtora, a Dori Filmes, sediada em Brasília, e assina o roteiro com William Alves. O argumento foi criado pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP), que também ajudou a financiar a obra, em parceria com o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. A distribuição é feita de maneira independente, pela própria produtora.
PGR denuncia Zema – A PGR (Procuradoria-Geral da República) denunciou o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), pré-candidato à Presidência da República, sob a acusação de calúnia no caso da série de vídeos contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes. A peça, assinada pelo chefe do Ministério Público, Paulo Gonet, foi apresentada nesta sexta-feira (15) ao STJ (Superior Tribunal de Justiça), e não no Supremo, como pedia o decano da corte. Isso porque quando Zema publicou os vídeos ele ainda ocupava a chefia do Executivo mineiro e usou canais institucionais. Como revelou a coluna Mônica Bergamo, Gilmar enviou a Alexandre de Moraes uma notícia-crime contra o ex-governador mineiro pedindo a inclusão dele no inquérito das fake news. O procedimento é sigiloso. Moraes, relator do caso, enviou o material à PGR para manifestação.
DIRCEU recebe diagnóstico de linfoma – O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) recebeu diagnóstico de linfoma, segundo nota divulgada pelo hospital Sírio-Libanês nesta sexta-feira (15). Ele é pré-candidato a deputado federal por São Paulo.
“O paciente José Dirceu de Oliveira e Silva foi internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, no dia 10 de maio para a realização de exames gerais, que revelaram o diagnóstico de linfoma”, informou o boletim médico. O texto diz também que Dirceu “se encontra em boas condições clínicas e permanecerá internado para iniciar o tratamento específico”, sem detalhes. A equipe que atende o ex-ministro conta com os médicos Raul Cutait, Roberto Kalil e Celso Arrais.
EX-AUXILIAR de Ciro recebeu R$ 1,3 milhão da Refit – As investigações da Polícia Federal que levaram à Operação Sem Refino, deflagrada nesta sexta-feira (15), apontam que um ex-auxiliar do senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI) recebeu R$ 1,3 milhão de empresas do grupo Refit, do empresário Ricardo Magro.
Jonathas Assunção foi secretário-executivo da Casa Civil quando Nogueira comandava a pasta, no governo Jair Bolsonaro (PL). Foi indicado pelo então ministro para representá-lo no conselho de administração da Petrobras. Depois, passou a atuar pela Refit, sendo identificado no mercado como responsável pelas relações institucionais. Em novembro, já havia sido alvo de busca e apreensão na Operação Poço de Lobato. O que se conta no setor é que sua ida para a Refit ocorreu por sugestão de Ciro, por ser próximo a Ricardo Magro. Em entrevista à Folha em 2025, Magro chamou o senador de amigo, mas descartou qualquer possibilidade de usar a proximidade para obter favorecimentos em seus negócios. A reportagem não conseguiu localizar Assunção. Também enviou perguntas sobre o tema às assessorias de Magro e do parlamentar, mas não recebeu posicionamentos até a publicação deste texto.
BIOGRAFIA de Carlos Lacerda – A Companhia das Letras lança no fim de julho o primeiro dos dois volumes da biografia de Carlos Lacerda (1914-1977), de autoria do jornalista Mário Magalhães.
Ex-ombudsman da Folha, ele trabalha na obra desde 2015, há onze anos. “Lacerda – Coração de Tempestade” cobre a vida de Lacerda desde seu nascimento, em 1914, até novembro de 1955, quando Lacerda embarcou para o autoexílio. Magalhães teve acesso a milhares de documentos originalmente secretos elaborados por órgãos oficiais do Brasil, dos EUA e da antiga União Soviética.
“Meu maior desafio ao contar a vida de Carlos Lacerda é libertá-lo das camisas de força históricas em que até hoje tentam aprisioná-lo. Ele é um personagem com muito mais contrastes do que sugerem olhares unilaterais sobre ele. Não teve trajetória linear”, afirma o escritor. Mário Magalhães é autor também da biografia “Marighella”, livro que virou filme dirigido por Wagner Moura.
CANDIDATURA a perigo – A candidatura de Cláudio Castro ao Senado pelo Rio de Janeiro enfrenta incertezas após operação da Polícia Federal e inelegibilidade pelo TSE. O PL já considera substituições, com Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy entre os potenciais candidatos. A decisão final cabe a Flávio Bolsonaro. Desde a condenação de Castro, há cautela no partido quanto ao apoio a um candidato com pendências judiciais.
FALARAM demais – A Polícia Federal intensificou investigações sobre o financiamento do filme “Dark horse”, relacionado a Bolsonaro, após declarações contraditórias de Flávio Bolsonaro e aliados. Central à investigação está a origem dos recursos e contratos, com foco em se o fundo Havengate, no Texas, financiou o filme ou as despesas de Eduardo Bolsonaro nos EUA. A crise se agrava com a possibilidade de emendas parlamentares terem financiado, indiretamente, a produção.
CONFRONTO Supremo – A crise interna no STF se intensificou com Gilmar Mendes acusando Edson Fachin de obstruir julgamentos importantes, divulgando publicamente uma mensagem enviada ao presidente da Corte. Gilmar critica Fachin por usar manobras regimentais para atrasar deliberações, enquanto a mudança recente nas regras de distribuição de processos visa evitar o direcionamento de petições. O incidente reflete tensões crescentes no tribunal.
Edição de Chico Bruno
CAPAS DE REVISTAS
VEJA: História de cinema
O impacto político e o constrangimento causados pelas conversas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro para o financiamento de um longa-metragem sobre Jair Bolsonaro. Pródigo em distribuir dinheiro à esquerda e à direita na política para aumentar sua rede de relacionamentos, o ex-banqueiro também patrocinou filmes em homenagem a Lula e a Michel Temer.
CartaCapital: Filme queimado
Os áudios entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro deixam mais claras as ligações umbilicais do clã com o banqueiro.
Crusoé: Contaminado
Troca de mensagens com Daniel Vorcaro envenena candidatura de Flávio Bolsonaro a presidente.
MANCHETES DOS JORNAIS
FOLHA DE S.PAULO – Eduardo assinou contrato como ‘diretor executivo’ do filme sobre Bolsonaro
Correio Braziliense – Dino manda investigar emenda de filme sobre Bolsonaro
O ESTADO DE S.PAULO – PF mira ex-governador suspeito de favorecer megassonegador no Rio
O GLOBO – Castro direcionou governo para beneficiar Refit, diz PF
Valor Econômico – Não circula hoje
Destaques de primeiras páginas, fatos e bastidores mais importante do dia
DIRETOR de araque – O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) atuou como produtor-executivo do filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e assinou um contrato com poderes sobre a gestão financeira do projeto, de acordo com o site The Intercept Brasil. Os documentos obtidos contradizem declarações públicas de Eduardo de que ele teria apenas cedido direitos de imagem, sem exercer nenhum cargo de gestão na produção.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Eduardo admitiu que assinou um contrato com a produtora do filme para contratar o diretor da obra e que recebeu a função de diretoria-executiva, mas afirmou que os planos mudaram. Segundo o Intercept, o contrato, datado de novembro de 2023 e assinado digitalmente por Eduardo em 30 de janeiro de 2024, designa ele e o deputado federal Mario Frias (PL-SP) como produtores-executivos, ao lado da produtora Go Up Entertainment, sediada nos Estados Unidos. A função conferiria poder para lidar diretamente com o controle de orçamento e a gestão financeira de um projeto audiovisual. Ainda de acordo com o site, os produtores-executivos teriam responsabilidade sobre decisões estratégicas de financiamento, preparação de documentação para investidores e identificação de fontes de recursos para o filme —que, na época, se chamava “O Capitão do Povo” e, posteriormente, foi intitulado “Dark Horse” (“azarão”, em inglês).
Filme contaminado – Depois das suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo a produção do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, o ministro Flávio Dino determinou abertura de processo para apurar eventual envio de emendas parlamentares aos EUA a fim de custear o longa. O Ministério Público do TCU acionou a Corte para investigar indícios de irregularidades vinculadas à captação de recursos destinados à obra.
CENÁRIO propício a sonegação – Os investigadores da Polícia Federal à frente da Operação Sem Refino, deflagrada nesta sexta-feira, 15, apontam que o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) atuou para criar um “ambiente propício” ao Grupo Refit, apontado como o maior sonegador de impostos do País, e perpetuar fraudes fiscais bilionárias no setor de combustíveis. Segundo a PF, o então governador teria articulado um refinanciamento desenhado para atender aos interesses da Refit, com potencial para reduzir em até 95% a dívida da empresa com o Estado. Cláudio Castro, alvo de busca e apreensão às 6h desta sexta-feira, negou qualquer ilícito envolvendo fraudes tributárias e favorecimentos ao grupo Refit. Em nota, a defesa do ex-governador afirmou que ele está “à disposição da Justiça para dar todas as explicações” e “convicto de sua lisura”. Já a Refit diz que “não foi beneficiada pelo programa especial de parcelamento de créditos do governo do Estado do Rio de Janeiro”. “A companhia não é elegível ao Refis 2025, uma vez que já possui um parcelamento em vigor junto ao governo desde 2023″, diz nota da empresa.
“PEGA ladrão” – Ontem, o senador Flávio Bolsonaro foi alvo de vaias e protestos ao chegar ao Quartel-General da Polícia Militar do Rio de Janeiro, onde participou de um evento. Manifestantes gritaram frases como “pega ladrão” e “bandido”, enquanto exibiam cartazes contra o parlamentar do PL. Segundo relatos, o protesto ocorreu no momento em que a banda da corporação executava uma marcha em homenagem ao senador.
INSS: PF muda chefia – O senador Carlos Viana (PSD MG) pediu esclarecimentos ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, sobre a substituição do delegado responsável por investigar as fraudes em descontos do INSS. A PF não explicou se a troca ocorreu a pedido do próprio delegado ou se foi por uma definição do comando da corporação. O delegado Guilherme Silva era chefe da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários da PF e foi o responsável por coordenar e conduzir as investigações sobre o INSS. Foi ele quem, por exemplo, pediu a realização de investigação contra Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Lula. Essa troca motivou uma reunião do ministro André Mendonça, do STF, com a equipe da corporação ontem.
DELAÇÃO a caminho – O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa está em tratativas finais para firmar o acordo de delação premiada com a Polícia Federal, segundo fontes liga das ao caso ouvidas pelo Correio. A previsão é de que, na próxima semana, ele assine um termo de confidencialidade com os investigadores — período em que fornece as informações a que teve acesso, cita envolvidos nas fraudes e compartilha provas. Em seguida, a defesa apresenta a proposta de delação. A previsão é de que até o fim deste mês a colaboração premiada seja protocolada oficialmente e aceita pela corporação. Na atual fase, PHC está definindo com os advogados o material que será apresentado. A avaliação é de que há um conteúdo robusto, especialmente sobre o caminho do dinheiro, além da participação de autoridades do Distrito Federal no esquema criminoso. Ele também cita autoridades federais.
QUEM é magro – O advogado Ricardo Magro, de 51 anos, é especializado em direito tributário pela Universidade Paulista (Unip) e principal controlador do Grupo Refit, empresa que adquiriu em 2008. Considerado pelos pares como uma figura controversa, é classificado pelas autoridades fiscais como o “maior devedor contumaz do país”, com passivos e débitos com o Fisco que superam a marca de R$ 26 bilhões. Magro esteve no centro de sucessivas operações policiais e fiscais relacionadas ao mercado de refino e distribuição de combustíveis. Antes da Operação Sem Refino, deflagrada ontem, ele esteve no foco de outras incursões das autoridades. Atuou formalmente como advogado do ex-deputado e ex-presidente da Câmara dos Deputados em processos relacionados a fundos de pensão.
FLÁVIO na berlinda – Apesar de uma parte do mercado financeiro ainda aguardar os desdobramentos do impacto do vazamento das conversas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, negociando recursos para financiar o filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulado Dark Horse (Cavalo Negro, na tradução lideral), alguns analistas já começam a admitir que a candidatura do filho 01 morreu, conforme informou ao Correio um analista de uma grande gestora de ativos financeiros, que pediu anonimato.
CHAPA competitiva – “A busca, agora, é por chapa competitiva e que tenha pelo menos uma mulher na composição”, disse o analista. Na avaliação dele, o fato de Flávio ter sido atingido, contudo, não significa que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já está reeleito. “É muito cedo para concluir isso. Há opções maduras na direita”, acrescentou. Na avaliação dele, o centro e a direita do país precisam ser pragmáticos e trabalhar por outro candidato o quanto antes para que a chapa tenha condições de ser mais competitiva contra Lula e Geraldo Alckmin. “Se a política falhar (novamente), aí sim entregarão mais quatro anos para Lula”, afirmou.
CAIU nas redes – Após o vazamento das conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, os petistas não perdoaram e fizeram uma música sertaneja por inteligência artificial (IA) com as falas do filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro para o ex-banqueiro intitulada “Estarei sempre contigo”.
DEU certo – Os bolsonaristas mais fiéis usam as redes sociais para defender o patrocínio “oculto” do Banco Master ao filme biográfico de Jair Bolsonaro Dark Horse. De acordo com internautas, Daniel Vorcaro patrocinou o projeto para receber parte dos lucros da bilheteria do projeto. Do outro lado, os petistas estão felizes com a nova postura do PT em publicar, diversas vezes, o áudio vazado. Não só comemoraram, como pediram mais. De acordo com alguns, a esquerda aprendeu a usar as mesmas ferramentas que a direita.
RACHOU legal – Os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro não gostaram nada das críticas enfáticas do pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo). O momento gerou um racha dos mais próximos de Flávio Bolsonaro com o mineiro. O líder da oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto (PL-PB), afirmou à coluna que a ruptura não engloba o partido Novo. Mesmo com uma tentativa de Flávio em apaziguar o atrito, ainda há quem não queira uma reaproximação por enquanto.
PRESSÕES por delações I – Detentos presos preventivamente por conta da Operação Sem Desconto, que apura as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), dizem sofrer pressão para firmarem acordos de delação. De acordo com as alegações, a ação ocorreria no Bloco 5 da Penitenciária do Distrito Federal (PDF) IV. A parentes e advogados, eles contam serem vítimas de pressão psicológica para forçá-los a assinar acordos de colaboração. Entre as queixas estão ter de dormir em colchões cortados pela metade, receber quentinhas já abertas, ouvir barulhos altos e intermitentes de equipamentos de raio-x instalados na porta das celas e até permanecer por horas em um espaço apertado após receberem a visita de seus defensores.
PRESSÕES por delações II – Os presos dizem que são pressionados a entregar eventual participação de autoridades do Tribunal de Contas da União (TCU) e dos Poderes Legislativo e Judiciário na suposta organização criminosa investigada. Procurada, a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) afirmou “que todas as rotinas de custódia, movimentação, segurança e atendimento aos reeducandos nas unidades prisionais do DF seguem protocolos operacionais padronizados, fundamentados na legislação vigente, nas normas de segurança penitenciária e nos princípios previstos na Lei de Execução Penal”. Sobre eventual pressão para firmar acordo de delação, a Seap disse que “não há, até o presente momento, registro formalizado na Corregedoria da Pasta acerca de supostas abordagens indevidas e que toda denúncia recebida pelos canais oficiais é devidamente apurada, com rigor e observância ao devido processo administrativo”.
NA Marcha de Prefeitos, sabatina de presidenciáveis – Os gabinetes do Senado Federal estão em polvorosa com a expectativa do movimento de milhares de prefeitos pelos corredores do Congresso Nacional na próxima semana. A partir de segunda-feira, será dada a largada da XXVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios. Mais de 12 mil gestores e três mil prefeitos estão confirmados, mas esse número ainda pode aumentar, de acordo com dados da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), que promove o evento, e que promete ser a maior edição da história. Realizada no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), no Setor de Clubes Sul, a Marcha dos Prefeitos será marcada pela primeira sabatina presencial com os principais pré-candidatos à Presidência da República. A programação política terá início na terça-feira. Confirmaram presença o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), além de Renan Santos (Missão) e Aldo Rebelo (DC). Eles devem responder às perguntas dos participantes nas mais diversas áreas da administração municipal ao longo dos dias 19 a 21, data final do evento. A presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não estava confirmada até o fechamento desta edição.
RECEIO da Justiça Eleitoral – Os produtores do filme “Dark Horse” avaliam antecipar a estreia do filme que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro para julho. A previsão inicial era lançar apenas em setembro, véspera das eleições. Essa hipótese já era cogitada nos bastidores para evitar problemas com a Justiça Eleitoral. Juridicamente, há um temor de que a justiça barrasse a veiculação no país sob o pretexto de uso eleitoral. O mês de julho foi levantado como alternativa porque antecede o período oficial de campanha, que começa em agosto. Após a divulgação do áudio entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, a avaliação entre pessoas envolvidas na produção do filme é que a antecipação pode ser até melhor para o presidenciável. Aliados de Flávio apostam que o longa vai humanizar o ex-presidente Jair Bolsonaro e, com isso, convencer o eleitor a votar no filho dele.
FLÁVIO diz que Bolsonaro o aconselhou a falar a verdade – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmou nesta sexta-feira (15) que conversou com seu pai, Jair Bolsonaro (PL), a respeito de sua relação com Daniel Vorcaro, revelada pelo site The Intercept Brasil, e que o ex-presidente lhe disse para ficar tranquilo e falar a verdade.
Segundo Flávio, o dono do Banco Master e Bolsonaro nunca se encontraram, apesar de ter havido uma tentativa de levar o ex-presidente à mansão do ex-banqueiro para assistir a um documentário. O presidenciável também criticou seu rival na direita, o ex-governador Romeu Zema (Novo), a quem chamou de precipitado por ter dito que o caso era “imperdoável”.
LULA ironiza Flávio Bolsonaro – O presidente Lula (PT) ironizou nesta sexta-feira (14) o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, ao participar de evento no interior de São Paulo, e voltou a defender a proibição do uso de inteligência artificial nas eleições deste ano. As afirmações foram feitas no Hospital de Amor de Barretos (a 423 km de São Paulo), onde esteve para anunciar a construção de um centro de pesquisa e medidas de incentivo à realização de cirurgias robóticas pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Acompanhado do vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), e dos ministros Alexandre Padilha (Saúde) e Frederico de Siqueira Filho (Comunicações), Lula se referiu ao caso envolvendo Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, enquanto comentava sobre recursos liberados para o hospital, referência no tratamento oncológico no país.
“Aqui nesse hospital, aqui não tem dinheiro do Vorcaro”, disse o petista, que foi ovacionado pelos presentes.
DOCUMENTÁRIO sobre Bolsonaro estreia com salas vazias –
O documentário “A Colisão dos Destinos”, dirigido por Doriel Francisco, que conta a história da vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, chega ao seu primeiro fim de semana em cartaz nos cinemas com distribuição falha e salas vazias. Apesar de ser exibido em 17 estados, a obra está fora do circuito Rio-São Paulo.
Profissionais do setor audiovisual afirmam que um filme com esse teor político, em ano eleitoral, afasta os programadores. Do mesmo modo, dizem que a estratégia de lançamento do filme foi mal-conduzida. Tanto que, em geral, a comunidade cinéfila desconhecia sua produção até a estreia. Assim como “Dark Horse”, “A Colisão dos Destinos” integra uma rede que tem elo com verbas de deputados bolsonaristas. Além de ser o diretor, Francisco é dono da produtora, a Dori Filmes, sediada em Brasília, e assina o roteiro com William Alves. O argumento foi criado pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP), que também ajudou a financiar a obra, em parceria com o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. A distribuição é feita de maneira independente, pela própria produtora.
PGR denuncia Zema – A PGR (Procuradoria-Geral da República) denunciou o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), pré-candidato à Presidência da República, sob a acusação de calúnia no caso da série de vídeos contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes. A peça, assinada pelo chefe do Ministério Público, Paulo Gonet, foi apresentada nesta sexta-feira (15) ao STJ (Superior Tribunal de Justiça), e não no Supremo, como pedia o decano da corte. Isso porque quando Zema publicou os vídeos ele ainda ocupava a chefia do Executivo mineiro e usou canais institucionais. Como revelou a coluna Mônica Bergamo, Gilmar enviou a Alexandre de Moraes uma notícia-crime contra o ex-governador mineiro pedindo a inclusão dele no inquérito das fake news. O procedimento é sigiloso. Moraes, relator do caso, enviou o material à PGR para manifestação.
DIRCEU recebe diagnóstico de linfoma – O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) recebeu diagnóstico de linfoma, segundo nota divulgada pelo hospital Sírio-Libanês nesta sexta-feira (15). Ele é pré-candidato a deputado federal por São Paulo.
“O paciente José Dirceu de Oliveira e Silva foi internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, no dia 10 de maio para a realização de exames gerais, que revelaram o diagnóstico de linfoma”, informou o boletim médico. O texto diz também que Dirceu “se encontra em boas condições clínicas e permanecerá internado para iniciar o tratamento específico”, sem detalhes. A equipe que atende o ex-ministro conta com os médicos Raul Cutait, Roberto Kalil e Celso Arrais.
EX-AUXILIAR de Ciro recebeu R$ 1,3 milhão da Refit – As investigações da Polícia Federal que levaram à Operação Sem Refino, deflagrada nesta sexta-feira (15), apontam que um ex-auxiliar do senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI) recebeu R$ 1,3 milhão de empresas do grupo Refit, do empresário Ricardo Magro.
Jonathas Assunção foi secretário-executivo da Casa Civil quando Nogueira comandava a pasta, no governo Jair Bolsonaro (PL). Foi indicado pelo então ministro para representá-lo no conselho de administração da Petrobras. Depois, passou a atuar pela Refit, sendo identificado no mercado como responsável pelas relações institucionais. Em novembro, já havia sido alvo de busca e apreensão na Operação Poço de Lobato. O que se conta no setor é que sua ida para a Refit ocorreu por sugestão de Ciro, por ser próximo a Ricardo Magro. Em entrevista à Folha em 2025, Magro chamou o senador de amigo, mas descartou qualquer possibilidade de usar a proximidade para obter favorecimentos em seus negócios. A reportagem não conseguiu localizar Assunção. Também enviou perguntas sobre o tema às assessorias de Magro e do parlamentar, mas não recebeu posicionamentos até a publicação deste texto.
BIOGRAFIA de Carlos Lacerda – A Companhia das Letras lança no fim de julho o primeiro dos dois volumes da biografia de Carlos Lacerda (1914-1977), de autoria do jornalista Mário Magalhães.
Ex-ombudsman da Folha, ele trabalha na obra desde 2015, há onze anos. “Lacerda – Coração de Tempestade” cobre a vida de Lacerda desde seu nascimento, em 1914, até novembro de 1955, quando Lacerda embarcou para o autoexílio. Magalhães teve acesso a milhares de documentos originalmente secretos elaborados por órgãos oficiais do Brasil, dos EUA e da antiga União Soviética.
“Meu maior desafio ao contar a vida de Carlos Lacerda é libertá-lo das camisas de força históricas em que até hoje tentam aprisioná-lo. Ele é um personagem com muito mais contrastes do que sugerem olhares unilaterais sobre ele. Não teve trajetória linear”, afirma o escritor. Mário Magalhães é autor também da biografia “Marighella”, livro que virou filme dirigido por Wagner Moura.
CANDIDATURA a perigo – A candidatura de Cláudio Castro ao Senado pelo Rio de Janeiro enfrenta incertezas após operação da Polícia Federal e inelegibilidade pelo TSE. O PL já considera substituições, com Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy entre os potenciais candidatos. A decisão final cabe a Flávio Bolsonaro. Desde a condenação de Castro, há cautela no partido quanto ao apoio a um candidato com pendências judiciais.
FALARAM demais – A Polícia Federal intensificou investigações sobre o financiamento do filme “Dark horse”, relacionado a Bolsonaro, após declarações contraditórias de Flávio Bolsonaro e aliados. Central à investigação está a origem dos recursos e contratos, com foco em se o fundo Havengate, no Texas, financiou o filme ou as despesas de Eduardo Bolsonaro nos EUA. A crise se agrava com a possibilidade de emendas parlamentares terem financiado, indiretamente, a produção.
CONFRONTO Supremo – A crise interna no STF se intensificou com Gilmar Mendes acusando Edson Fachin de obstruir julgamentos importantes, divulgando publicamente uma mensagem enviada ao presidente da Corte. Gilmar critica Fachin por usar manobras regimentais para atrasar deliberações, enquanto a mudança recente nas regras de distribuição de processos visa evitar o direcionamento de petições. O incidente reflete tensões crescentes no tribunal.
