Jornal A Plateia – Rádio RCC – Santana do Livramento

ter, 12 de maio de 2026

O Brasil não precisa de motores mais caros. Precisa usar melhor os biocombustíveis.

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O debate em torno da implementação do PROCONVE MAR-II expõe uma contradição que precisa ser enfrentada com responsabilidade e visão de futuro. O Brasil construiu, ao longo de décadas, uma das políticas energéticas mais bem-sucedidas do mundo, tornando-se referência global em etanol, biodiesel e bioenergia. Agora, no momento em que o país avança para testar o B25 e ampliar ainda mais o uso de biodiesel, surge uma proposta regulatória que pode encarecer máquinas, aumentar custos para produtores e desviar investimentos daquilo que realmente importa: a descarbonização.

A incoerência é evidente.

Se o próprio Brasil reconhece no biodiesel uma solução estratégica para reduzir emissões, fortalecer o campo e diminuir a dependência de combustíveis fósseis, por que direcionar bilhões para exigir novos motores, tecnologias mais caras e adaptações complexas, quando podemos reduzir carbono usando melhor os combustíveis renováveis que já produzimos?

O Brasil não precisa de novos motores. O Brasil precisa de mais biocombustíveis.

A proposta do MAR-II concentra esforços na redução de poluentes locais em máquinas que operam predominantemente em áreas rurais e de baixa concentração populacional, enquanto o mundo discute, com urgência, a redução das emissões de carbono e o combate às mudanças climáticas.

Ao impor mudanças profundas na indústria de motores e equipamentos, com impactos que podem elevar em até 25% o custo das máquinas e aumentar significativamente os custos operacionais, corre-se o risco de transferir essa conta para o produtor rural, para a cadeia de alimentos, para as obras e, no fim, para toda a sociedade.

Mais grave ainda é a contradição com a própria política nacional do Combustível do Futuro. Enquanto avançamos para testar o B25, fortalecendo uma cadeia produtiva nacional, renovável e sustentável, discute-se uma regulamentação que privilegia adaptações mecânicas caras em vez de estimular a substituição do carbono fóssil por carbono renovável.

O Brasil não precisa copiar modelos de países dependentes do petróleo. O Brasil já tem sua própria solução.

E ela atende pelo nome de biocombustível.

Jerônimo Goergen
Presidente da APROBIO

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