Quem passa pela Rua Duque de Caxias, nas proximidades do Braz, já sabe: o aroma do cachorro-quente é apenas o convite para algo muito mais valioso, o sorriso e o acolhimento de Dada Bittencourt Bianguer. Aos 64 anos, essa mulher de fé e fibra é a prova viva de que o trabalho, quando realizado com amor, deixa de ser obrigação para se tornar uma extensão do próprio coração.
Uma formação de responsabilidade
A trajetória de Dada com o trabalho começou cedo, aos 12 anos. Vinda de uma família numerosa e com uma educação pautada pela rigidez e pelos valores sólidos, ela aprendeu desde menina a equilibrar as tarefas de casa com os estudos. Aos 16, já estava inserida nos negócios da família, onde descobriu sua verdadeira vocação: o trato com o público.
“Ali eu percebi que gosto de gente”, revela. Essa percepção moldou sua jornada profissional, levando-a a escolher a área da alimentação como seu campo de atuação. O que para muitos pode parecer um serviço simples, para ela é uma arte que exige entrega total. “Já trabalhei 16 horas por dia para dar o melhor aos meus filhos. Requer dedicação e um atendimento impecável”.
Além do balcão: uma troca genuína
Dona Dada, mãe de oito filhos, não vê o cotidiano como uma repetição cansativa. Para ela, a responsabilidade e o potencial de se desafiar diariamente mantém o vigor de sua profissão. O que a torna tão querida na fronteira não é apenas a qualidade do que serve, mas a “régua” com que mede o mundo: a sinceridade.
“Sinto muito bem a reciprocidade. Somos seres sensíveis e percebemos quando a troca é genuína”, explica. Seja para a criança que se aproxima do balcão, para o jovem apressado ou para o adulto em busca de uma refeição rápida, o tratamento de Dada é o mesmo. O abraço, o carinho e o diálogo transformaram clientes em amigos ao longo de décadas de experiência.
Orgulho e dignidade
Para Dada, o trabalho na maturidade é um símbolo de sua autonomia. “É a minha dignidade e meus valores. Mesmo na minha idade, desempenho com prazer o que me proponho a fazer”, afirma com orgulho. A maior recompensa não está apenas no fechamento do caixa ao final do mês, mas na satisfação do cliente que, ao saborear o lanche, retribui com um elogio e um sorriso.
Ao ser questionada sobre o que diria para quem está começando ou busca motivação, ela é enfática ao sugerir que a escolha da área é fundamental. “Trabalhar naquilo que nos satisfaz faz com que tudo fique mais leve. Não se torna uma obrigação, mas um prazer”.
A lição de Dada
Neste Dia do Trabalhador, a história de Dada Bittencourt Bianguer nos lembra que a verdadeira excelência não está no cargo que se ocupa, mas na forma como tocamos a vida das pessoas ao nosso redor.

