Quem costuma utilizar o transporte coletivo em Sant’Ana do Livramento certamente já cruzou com o sorriso cordial e a postura serena de Bento dos Santos. Figura emblemática da nossa fronteira, Bento não apenas transporta pessoas; ele coleciona histórias e cultiva amizades ao longo de cada itinerário. Neste Especial de Dia do Trabalhador, mergulhamos na rotina deste profissional que transformou a direção em uma missão de cuidado e respeito ao próximo.
Uma mudança de rota
A trajetória de Bento nem sempre foi nos ônibus. Durante anos, seu escritório foi a cabine de um caminhão, cruzando distâncias com cargas pesadas. A mudança para o transporte de passageiros veio por influência familiar. “Meu sobrinho e meu cunhado já eram motoristas de ônibus. Eu admirava o trabalho deles e, embora no início tenha hesitado, acabei aceitando o convite”, recorda.
O que começou como uma experiência nova tornou-se uma vocação. Onde antes havia o silêncio das estradas, hoje há o movimento constante e o diálogo com a comunidade. Para Bento, o dia a dia é pautado pela paz: “Procuro resolver os problemas em vez de aumentá-los. Me dou muito bem com os colegas e com os passageiros, graças a Deus”.
Desafios e responsabilidade
Embora o carinho do público seja constante, a profissão impõe desafios diários. Bento aponta que o estado das vias e a complexidade do trânsito urbano são os maiores obstáculos na condução de um veículo de grande porte. Contudo, a responsabilidade de zelar por vidas fala mais alto.
Em sua memória, guardam-se momentos em que o papel de motorista precisou ir além. Ele recorda com precisão o dia em que socorreu uma passageira que desmaiou no coletivo, agindo rápido para garantir que ela chegasse ao hospital. Em outra ocasião, a prudência foi vital para evitar uma tragédia maior em um acidente causado por terceiros. “Ser motorista é ter responsabilidade no trânsito e respeito absoluto com passageiros e pedestres”, afirma.
O melhor salário: o reconhecimento
Para Bento, não há cansaço que resista a uma demonstração de afeto. Ele revela que sua maior satisfação é ouvir o feedback direto de quem sobe os degraus de seu ônibus. “Quando os passageiros entram e dizem: ‘Que bom que é tu o motorista’, por eu dirigir bem e ser educado… não tem nada melhor para se ouvir. O carinho deles é verdadeiro e é o que mais me orgulha”.
Neste Dia do Trabalhador, Bento define a data como um momento de reconhecimento da sociedade e do governo para com aqueles que movem o país. Para os novos colegas que ingressam na profissão, ele deixa um conselho simples, mas profundo: “Tenham responsabilidade na direção e procurem sempre apaziguar as situações”.
O homem por trás do volante
Fora da escala de serviço e longe do posto de comando do ônibus, Bento dos Santos mantém a mesma essência que cativou a fronteira. Define-se como “um homem simples e amigo de todos”. É essa simplicidade, somada ao compromisso profissional, que faz dele um exemplo de dedicação ao trabalho e amor à nossa gente.

