Um dos maiores sofrimentos para um jornalista com mais de 45 anos de experiência – como eu – é o vício de acompanhar o noticiário das 5h30min até a meia-noite. Sim, sou dependente de informação, com dificuldades para relaxar.
O cenário nacional – política e economia em especial – desperta um sentimento de impotência, revolta e desânimo. Protestar é cada vez mais perigoso. As condenações desmedidas com critérios legais questionáveis causam insegurança jurídica.
Escândalos com figurões da república fazem corar estátuas de mármore. A mais alta instância do poder judiciário parece um balcão de negócios envolvendo figurões do Supremo Tribunal Federal (STF) e implicam até familiares, o que torna ainda mais grave o que lemos e ouvimos nos noticiários.
Escândalos com políticos já não chocam. A mídia é pródiga em d-fundir troca de favores através de emendas parlamentares e o uso de cargos. Desta vez, no entanto, chegamos ao cúmulo de ver, em pleno Jornal Nacional, em espaço nobre da televisão brasileira, desmentindo o todo-poderoso ministro Alexandre de Moraes.
Conhecido como defensor dos poderosos de plantão, o Sistema Globo de Comunicação parece ter “largado a mão” do Supremo e de seus integrantes. Ocorre-me imaginar que, se o mais poderoso grupo de comunicação da América do Sul adotou esta postura, quão graves devem ser os acontecimentos que ainda não se tornaram públicos, mas que circulam pelos bastidores de Brasília.
Prefeitos, vereadores e deputados – estaduais e federais – são alvos frequentes e preferidos da imprensa. Cada passo, cada despesa, cada diária gasta, cada aquisição – com ou sem licitação – são examinados com lupa. Já os gastos recorde do cartão corporativo da presidência da república não passam de mensagens trocadas em grupo de whatsapp integra-dos por “fascistas, conservadores e golpistas”.
Na guerra da informação, pesos e medidas diferentes são usados como critério para definir o que é notícia. Boa parte deste julgamento se baseia nos gastos com publicidade”, um escárnio com quem a cada ano paga mais impostos. Em Brasília e no Palácio Piratini, o super marketing pessoal é obviamente omitido pela mídia que se locupleta do culto ao ego de nossos governantes.
