A ligação de Gilda Rodrigues com o tradicionalismo começou ainda na infância. Neta de João Antônio Rodrigues, o Tio Nico, ela cresceu em uma família profundamente ligada à cultura gaúcha e teve o cavalo como parte da sua vida desde os primeiros anos.
Foi o pai, Oliverio Rodrigues, conhecido como Vasco, quem a colocou a cavalo pela primeira vez, quando tinha apenas dois anos. Desde então, Gilda passou a desfilar e a acompanhar as atividades do piquete do avô. “Eu quero seguir o legado do meu avô e do meu pai”, destaca.
Gilda lembra de ter crescido acompanhando Tio Nico na criação e organização de atividades tradicionalistas na cidade. Entre todos os netos, ela foi a única que permaneceu diretamente ligada e ativa no movimento.
Presença em momentos históricos
Ao longo das décadas, Gilda marcou presença em cavalgadas de grande relevância cultural para o Rio Grande do Sul. Entre as marcantes travessias das quais participou, destaca-se o translado dos restos mortais do general farroupilha David Canabarro, em setembro de 2008. Na ocasião, Gilda integrou a comitiva tradicionalista que levou a urna a cavalo desde o cemitério da Santa Casa de Misericórdia, em Porto Alegre, até Sant’Ana do Livramento, em um percurso histórico que durou cerca de 20 dias.
Atualmente, ela já não acompanha os trajetos de longa distância como antigamente, mas continua presente em cavalgadas menores e prestando apoio aos grupos sempre que é chamada.
Cavalos que também ajudam
A relação com os animais ganhou outros significados ao longo dos anos. Gilda criou uma Escolinha de Equitação particular, onde utilizava o valor das mensalidades para manter os animais e viabilizar um projeto gratuito voltado a crianças especiais que não tinham condições de pagar.
O contato com os cavalos marcou a trajetória dessas crianças. Gilda relata casos de alunos com dificuldades motoras e de fala que apresentaram importante evolução a partir do convívio e dos exercícios no lombo dos animais.
Entre os cavalos do projeto, destaca-se a égua “Loira”, companheira que permanece com Gilda até hoje. Mansa e muito acostumada ao contato infantil, a égua estabeleceu um laço de profunda confiança com a tradicionalista, atendendo prontamente aos comandos de desacelerar o passo quando levava os pequenos.
Hoje, os cuidados com a saúde e o bem-estar da égua idosa continuam prioridade. “Ela é uma paixão da minha vida. Ela me ajudou muito”, desabafa.
Para Gilda Rodrigues, permanecer no tradicionalismo vai além dos desfiles e tropeadas: é a forma que encontrou de honrar a memória de Tio Nico e de seu pai Vasco, perpetuando uma história familiar escrita a cavalo e dedicada ao próximo.

