O mês de setembro é marcado, no Rio Grande do Sul, por manifestações que valorizam a história, os costumes e a identidade do povo gaúcho. Entre elas, está o 20 de Setembro, data que recorda o início da Revolução Farroupilha, em 1835, e que ao longo dos anos passou a fazer parte do calendário cultural do Estado, reunindo comunidades, entidades tradicionalistas e famílias em torno das manifestações da cultura gaúcha.
Mas manter essa cultura presente vai além dos festejos e das comemorações de setembro. Ela também está no cotidiano, na forma de vestir, na música, na culinária, na relação com o campo e com os animais e, principalmente, naquilo que é ensinado dentro de casa.
Mulher do campo, mãe, empresária e proprietária do Florão Eventos, Mariana Silveira carrega no dia a dia uma relação com os costumes gaúchos que acompanham sua família há gerações. Para ela, ser uma mulher gaúcha está diretamente ligado à vivência no campo e à valorização daquilo que faz parte da história da sua terra.
“Viver do campo, cultuar as tradições através das pilchas, músicas, culinária e do trabalho”, define Mariana ao falar sobre o significado de ser uma mulher gaúcha.
A ligação com o campo sempre esteve presente em sua vida. A família trabalha com a criação de ovelhas e gado, atividades que, para Mariana, representam não apenas uma forma de trabalho, mas também parte da história familiar e o próprio sustento.
Essa realidade é compartilhada diariamente com os filhos, Felipe e Beatriz. Desde cedo, os dois convivem com os animais, o campo, as pilchas, a música e a culinária. Para Mariana, apresentar esse universo aos filhos também é mostrar de onde vem o sustento da família e a importância de valorizar os costumes da terra.
“Eles vivenciam diariamente o trabalho no campo, a música, a culinária e sabem que é da terra, do campo, das ovelhas, do gado que provém o sustento”, explica.
A participação em espaços tradicionalistas também faz parte dessa vivência. A família frequenta o Movimento Nativo Coxilha de Santana desde a fundação da entidade, mantendo uma ligação construída ao longo dos anos com as atividades e os costumes cultivados no local.
A filha Beatriz, ainda pequena, já demonstra esse envolvimento. A convivência com os animais, o campo, as vestimentas, a culinária e a música faz parte de sua infância e aproxima, desde cedo, a menina da cultura que a família procura preservar.
Com Felipe, que já é adulto e continua ligado ao campo e às tradições, Mariana acompanha outra etapa desse processo. Para ela, ver o filho trabalhando no campo, provendo o próprio sustento e mantendo essa ligação representa orgulho e a certeza de que os ensinamentos transmitidos dentro de casa seguem adiante.
“Me sinto orgulhosa de ver meus filhos trabalhando no campo, provendo o sustento e cultivando as tradições”, afirma.
Fernando, marido de Mariana, também compartilha desse gosto pelo tradicionalismo. Juntos, os dois procuram manter esses costumes presentes na rotina da família, conciliando o trabalho no campo com a música, a culinária e as demais manifestações da cultura gaúcha.
Para Mariana, a preservação da cultura gaúcha passa justamente por essa vivência. É no contato entre pais e filhos, na convivência com o campo e na valorização dos costumes que aquilo que foi aprendido pelas gerações anteriores continua sendo transmitido.
Ela espera que as novas gerações mantenham vivos os costumes do Rio Grande do Sul e valorizem a cultura da terra e da sua gente.
“Cultivar a tradição gaúcha é respeitar o nosso passado, viver os nossos costumes e prover da terra o nosso sustento.”
A história de Mariana mostra uma das formas pelas quais a cultura gaúcha permanece presente no cotidiano: através de mulheres, homens e famílias que incorporam seus costumes à vida e os apresentam às novas gerações. Em setembro, quando o Estado volta seus olhos para a própria história e para as manifestações que fazem parte da sua identidade, essas vivências também ajudam a contar o que significa ser gaúcho nos dias atuais.

