CÉREBRO ESPANCADO – Gilberto Jasper _*Jornalista/gilbertojasepr@gmail.com*

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“O cérebro está sendo espancado diariamente e chega uma hora que ele diz ‘deu’. Metade dos idosos em 2050 terá Alzheimer”. A chocante afirmação é do neurologista Pedro Schestatsky. Esta semana, em Porto Alegre, ele lançou o livro “Cérebros quebrados – Uma epidemia invisível”.
O especialista revelou que o Brasil lidera o ranking de ansiedade, depressão e declínio cognitivo, antes da hora “O cérebro está falhando muito antes dos outros 77 órgãos e ele se conecta com todos”, acrescentou. Explica que este fenômeno tem muito a ver com a maneira como estamos tratando o nosso corpo.
Pedro Schestatsky afirmou, ainda, que a expressão “morreu lúcido” é cada vez menos ouvida. E diz porque: “As pessoas não estão mais morrendo lúcidas, já perderam a lucidez muito antes. Não são apenas questões psicológicas, mas também questões neurológicas ou neuropsiquiátricas que estão envolvidas nesse pio-ramento exponencial”, argumenta.
Durante entrevista à imprensa, o especialista revelou que cri-ou um programa. Disse que, nos consultórios, 99% das consultas é falando sobre fármacos “e, na saída, na porta, quando o médico está se despedindo do paciente, ele diz ‘Coma bem e movimente-se’”.
        O neurologista adverte também que deveria ser exatamente o contrário. “99% das consultas deveriam falar sobre como melhorar o cérebro através do corpo, porque se tu melhoras o corpo, o cérebro vai na carona”, revela.
       Talvez muito do que este médico tenha afirmado na entrevista tenha a ver com o excesso de conteúdos consumidos todos os dias pela maioria das pessoas. Na correria do dia a dia, é difícil chegar ao final da jornada, relaxar e perguntar a nós mesmos: “Quanto daquilo que consumi é verdade?”, Quanto é útil? e “Quanto é verdadeiro?”.
       Somos estimulados a acessar inúmeros links, clicar em acessos que por vezes levam a golpes virtuais. A curiosidade é estimulada 24 horas por dia. Por isso, resistir nem sempre é tarefa fácil. Mas é preciso desenvolver mecanismos de filtragem dos conteúdos, sob pena de, como diz o neurologista, “detonarmos” o nosso cérebro.
      A isso, some-se o hábito de praticar exercícios, o que exige disciplina. Principalmente diante do comportamento deste clima inóspito do Rio Grande do Sul.
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