Morre aos 82 anos o zootecnista Jair Menezes, referência da ovinocultura brasileira

Jair Menezes (1944–2026) foi um dos mais respeitados zootecnistas do Brasil, ex-presidente da ARCO e das principais entidades rurais de Sant'Ana do Livramento, dedicando mais de cinco décadas ao fortalecimento da ovinocultura nacional.Foto - Matias Moura/AP
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Ex-presidente da ARCO, da Associação e Sindicato Rural de Sant’Ana do Livramento e jurado internacional, o profissional dedicou a vida ao fortalecimento da criação de ovinos no Brasil e no Paraguai

Por Matias Moura

A ovinocultura brasileira perdeu, neste domingo (19), uma de suas maiores referências. Morreu, aos 82 anos, em sua residência, em Sant’Ana do Livramento, o zootecnista Jair Menezes, ex-presidente da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (ARCO), da Associação e Sindicato Rural de Sant’Ana do Livramento e um dos profissionais mais respeitados do setor agropecuário no país.

Nascido em 26 de março de 1944, Jair Menezes faleceu na manhã deste domingo, 19 de julho de 2026, após sofrer uma parada cardiorrespiratória. Ele estava em casa, semanas depois de passar por um procedimento cirúrgico em Pelotas como parte do tratamento de um câncer.

Jair deixa a esposa, Lorena, um filho e três filhas.

Reconhecido por sua competência técnica e espírito de liderança, integrou a primeira turma do curso de Zootecnia formada no Brasil. Ao longo de décadas de atuação, construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com o desenvolvimento da pecuária e, especialmente, da ovinocultura.

Foi presidente da ARCO na década de 1990, quando ajudou a fortalecer institucionalmente a entidade e ampliar sua representatividade nacional. Também presidiu a Associação Santanense de Criadores de Ovinos, a Associação Rural e o Sindicato Rural de Sant’Ana do Livramento, tornando-se uma das principais vozes em defesa dos produtores e da cadeia produtiva ovina.

Como técnico da ARCO por aproximadamente 20 anos, destacou-se como jurado em exposições e julgamentos de animais no Brasil e no exterior. Seu conhecimento ultrapassou fronteiras ao prestar assessoria técnica no Paraguai, onde foi responsável pela organização da cadeia produtiva da ovinocultura e pela introdução da raça Texel, contribuindo decisivamente para o desenvolvimento da atividade naquele país.

Em Sant’Ana do Livramento, sua atuação esteve intimamente ligada à preservação da história da ovinocultura. Defensor da identidade do município como Capital Nacional da Ovelha, participou de iniciativas voltadas à valorização da memória do setor e ao reconhecimento da importância econômica, cultural e social da criação de ovinos para a Fronteira Oeste.

Em nota oficial, a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (ARCO) lamentou a morte do ex-presidente e destacou sua contribuição para a entidade e para a ovinocultura brasileira.

“Sua trajetória será lembrada pelo trabalho realizado em prol dos criadores, pela defesa da ovinocultura e pelo legado construído ao longo de décadas de atuação.”

A entidade também manifestou solidariedade aos familiares, amigos e a toda a comunidade da ovinocultura neste momento de luto.

O velório ocorre na Funerária Angelos Oeste, em Sant’Ana do Livramento, com início às 16h deste domingo (19). O encerramento das homenagens está previsto para às 11h de segunda-feira (20).

Jair Menezes deixa um legado que transcende cargos e títulos. Seu trabalho ajudou a consolidar a genética ovina brasileira, fortaleceu instituições representativas do setor, formou gerações de criadores e técnicos e contribuiu para projetar a ovinocultura brasileira no cenário internacional. Seu nome permanecerá como uma das maiores referências da história da atividade no Rio Grande do Sul e no Brasil.

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