A duplicação da Estrada do Mar (RS-389) e a ampliação da estrutura de saúde no Litoral Norte estiveram entre as principais reivindicações apresentadas por lideranças políticas, empresariais e representantes de entidades durante mais uma edição do programa Força Gaúcha, realizada nesta quinta-feira (11), em Capão da Canoa. O projeto de escuta da sociedade, promovido pela aliança de centro-direita, tem percorrido diferentes regiões do Rio Grande do Sul para reunir contribuições que irão subsidiar a elaboração do plano de governo do pré-candidato ao Palácio Piratini, deputado federal Luciano Zucco (PL).
Ao abrir o encontro, Zucco destacou a importância de ouvir as particularidades de cada região do Estado. O parlamentar também comentou a aprovação, na véspera, do projeto que cria uma linha de financiamento para renegociação das dívidas dos produtores rurais gaúchos atingidos por eventos climáticos. “Depois de muito diálogo, articulação e pressão, conseguimos aprovar um projeto que aguardava votação há quase um ano no Senado. Hoje, recebi dezenas de mensagens de agricultores que enxergam nessa medida uma esperança de retomada”, afirmou Zucco, que retornou de Brasília pouco antes para estar no compromisso no Litoral.
Investimentos em infraestrutura
A necessidade de melhorias na infraestrutura rodoviária foi um dos temas mais recorrentes. O vice-prefeito de Capão da Canoa, Renato Silveira, o prefeito de Xangri-Lá, Celso Bassani, o presidente da Câmara de Vereadores, Alessandro Pereira dos Santos, o presidente da Associação dos Corretores de Imóveis de Capão da Canoa (ACICA), Jonas Inácio, o ex-prefeito de Capão da Canoa Ledorino Brogni e representantes do setor produtivo defenderam a duplicação da Estrada do Mar. A principal justificativa apresentada foi o crescimento acelerado da população do Litoral Norte e o aumento do fluxo de veículos em uma rodovia projetada para uma realidade muito diferente da atual. “É uma estrada que tira vidas”, afirmou Renato Silveira, ao defender a obra. A Estrada do Mar tem aproximadamente 90 quilômetros entre Osório e Torres. Apesar de ter uma pista simples mais larga, não tem acostamento.
Também foram apontadas como prioridades melhorias na RS-407, no trecho entre a BR-101 e o acesso a Capão da Canoa e Xangri-Lá, além da construção do viaduto no cruzamento da Estrada do Mar (RS-389) com a ERS-407. Segundo os participantes, os investimentos são fundamentais para a segurança, a mobilidade e o fortalecimento do turismo regional.
Hospital Regional
Na área da saúde, prefeitos, gestores hospitalares e lideranças empresariais relataram a dificuldade enfrentada pelos moradores do Litoral para acessar atendimentos de média e alta complexidade. A criação de um hospital regional foi defendida por diversos participantes como forma de reduzir o deslocamento diário de pacientes para Porto Alegre e outras cidades. Enquanto a estrutura não é viabilizada, representantes da área da saúde pediram reforço no custeio, ampliação das especialidades médicas e investimentos na estrutura dos hospitais já existentes na região.
Diretor executivo do Hospital Santa Luzia, Samuel Meoti destacou que muitas especialidades ainda não estão disponíveis no Litoral Norte. “Se precisar de cirurgia pediátrica na região, vai precisar levar a criança para Porto Alegre”, exemplificou. O secretário municipal de Saúde de Capão da Canoa, Marcelo Berasi Vieira, informou que o município realiza cerca de 30 mil atendimentos por mês e transporta mais de 200 pessoas diariamente para consultas e procedimentos fora da região.
Qualificação profissional
Outro tema recorrente foi a necessidade de ampliar a oferta de qualificação profissional e ensino superior. Lideranças ligadas à educação, ao comércio e à indústria defenderam o fortalecimento da formação técnica, por meio de parcerias com o Sistema S, além da criação de uma universidade federal ou de uma instituição de ensino superior mais robusta no Litoral Norte. Também foram apresentadas sugestões para valorização dos professores, fortalecimento do ensino da língua portuguesa, ampliação do ensino de idiomas, educação financeira e projetos complementares nas áreas de esporte, cultura e tecnologia.
Aumento do efetivo policial
As discussões também abordaram segurança pública, geração de empregos, desenvolvimento econômico, demora nos processos de licenciamento via Fepam e infraestrutura estratégica. As reivindicações foram acompanhadas por um diagnóstico comum entre as lideranças presentes: o Litoral Norte deixou de ser uma região predominantemente sazonal e passou a registrar um dos maiores crescimentos populacionais do Estado, exigindo investimentos mais robustos em infraestrutura, saúde, segurança e qualificação profissional.
O prefeito de Xangri-Lá alertou para a necessidade de ampliar o efetivo policial diante do crescimento populacional da região. Já representantes do setor produtivo defenderam a implantação do Porto Meridional de Arroio do Sal e políticas de incentivo para aumentar a competitividade de setores como a indústria náutica, que hoje perde empreendimentos para Santa Catarina.
Presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Capão da Canoa e Xangri-Lá (ACICC) e do Sinduscon Litoral Norte, Ramiro Laurent resumiu o sentimento apresentado por diversas lideranças presentes. “O Litoral não quer privilégios. Quer investimentos e ser tratado como estratégico para o futuro do Rio Grande do Sul”, afirmou.
Força política para defender o RS
No encerramento do encontro, Zucco afirmou que a educação será uma das prioridades centrais de um eventual governo. O pré-candidato demonstrou preocupação com os índices de aprendizagem no Estado e defendeu medidas para recuperar a qualidade do ensino. “Hoje o Rio Grande do Sul ocupa 25ª posição em alfabetização entre todos os estados. Temos crianças chegando ao ensino médio com dificuldades de leitura, escrita e até de realizar operações matemáticas básicas. Precisamos enfrentar esse problema com seriedade, valorizando os professores, fortalecendo a aprendizagem e revogando no primeiro dia a medida que permite a progressão dos alunos mesmo tendo sido reprovados em até quatro disciplinas”, afirmou. Zucco também voltou a defender a ampliação do modelo de escolas cívico-militares.
Na área da saúde, o deputado afirmou que o tema exige planejamento e prioridade. “Ninguém vai ser irresponsável de dizer que vai resolver todos os problemas da saúde da noite para o dia. Todos conhecem a situação das finanças do Estado. Mas estamos dialogando com especialistas, entidades e gestores para construir soluções viáveis. Uma das nossas prioridades será fortalecer a atenção primária, porque é ali que começa boa parte da prevenção, do diagnóstico e da redução da pressão sobre hospitais e serviços de maior complexidade”, disse.
Zucco também destacou a necessidade de o Rio Grande do Sul recuperar protagonismo político na defesa dos seus interesses. Ao citar novamente a mobilização que resultou na aprovação do projeto de renegociação das dívidas dos produtores rurais no Senado, o parlamentar defendeu uma atuação permanente junto ao Congresso Nacional e ao governo federal.
“O Rio Grande do Sul precisa de liderança, articulação e força política. Temos que conversar com o governo federal, com o Congresso Nacional e construir convergências sempre que for necessário. Independente de ideologia, o interesse do Rio Grande do Sul precisa estar acima de qualquer disputa. Foi assim que ajudamos a aprovar a renegociação das dívidas dos produtores e é assim que vamos trabalhar para defender os interesses dos gaúchos”, afirmou.
A pré-candidata a vice-governadora, Silvana Covatti, e o coordenador político da pré-campanha, Everton Braz, também estiveram na reunião no Litoral, além de deputados e pré-candidatos da aliança de centro-direita.
Força Gaúcha estará em mais três regiões
Antes de Capão da Canoa, o Força Gaúcha já havia realizado encontros em Porto Alegre, Uruguaiana, Caxias do Sul, Santo Ângelo, Lajeado, Passo Fundo e Frederico Westphalen. As próximas etapas ocorrerão em Novo Hamburgo, Pelotas e Santa Maria. A ideia é consolidar as ideias recebidas nesses encontros, além das sugestões vindas nas diversas reuniões paralelas da equipe do plano de governo com entidades e lideranças, no fim da primeira quinzena de julho, mês em que deverá ser apresentado o documento da aliança de centro-direita.
