Jornal A Plateia – Rádio RCC – Santana do Livramento

sáb, 25 de abril de 2026

Fernanda Incerti: a missão de proteger e conciliar mundos e a farda como vocação

A Essência do Servir

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Para muitos, a farda da Brigada Militar simboliza uma barreira intransponível, um escudo de autoridade. No entanto, para a Sargento Fernanda Incerti, o uniforme é um ponto de encontro entre a disciplina herdada de família e uma profunda capacidade de leitura humana. Com quase 17 anos de corporação, Fernanda não se define apenas pelo rigor da profissão, mas pela habilidade ímpar de transitar entre a complexidade da segurança pública, a maternidade e a paixão pela Medicina Veterinária.

Uma Construção de Identidade

A carreira militar estava desenhada na história de Fernanda. Filha de pai militar e com a irmã, a tenente-coronel, Karla Incerti ingressando na corporação em 2004, ela cresceu compreendendo o significado de compromisso. Porém, sua jornada foi uma escolha autêntica de servir. Ao ingressar em 2009, Fernanda buscou alinhar sua essência ao dever: iniciou no Patrulhamento Montado, unindo a farda ao amor pelos animais.

Ao longo dos anos, ela vivenciou a pluralidade da segurança pública, do patrulhamento rural ao comunitário. Hoje, no setor de processamento de ocorrências do 1º Esquadrão, ela aplica a mesma organização meticulosa que a acompanha no 9º semestre da faculdade de Veterinária. Essa rotina tripla: polícia, estudos e família, não é movida por um esforço descomunal, mas por uma disciplina inteligente e um apoio familiar sólido.

A empatia como ferramenta de trabalho

Longe de endurecer diante da rotina muitas vezes traumática das ruas, Fernanda acredita que a sensibilidade é um atributo técnico essencial para o policial militar. “Nós não podemos endurecer diante da dor do outro” afirma. Para ela, o que pode ser “mais uma ocorrência” para o sistema, é um momento único e traumático na vida do cidadão que pede ajuda. Ter o discernimento para acolher com humanidade é o que diferencia o atendimento de excelência.

Essa visão foi ampliada pela maternidade. Fernanda confessa que se tornou mais atenta a ocorrências que envolvem vulnerabilidade familiar. Essa percepção mais aguçada não a tornou menos operacional, mas mais consciente do impacto que sua presença representa: segurança, amparo e, em muitos casos, esperança.

O valor do propósito

Neste Dia do Trabalhador, a trajetória de Fernanda serve para humanizar uma das profissões mais exigentes da nossa sociedade. Muitas vezes, a população vê apenas a abordagem ou a viatura passando, mas não enxerga a mulher que, pouco tempo atrás, ajudava em um parto de emergência ou a estudante que se divide entre leis e a saúde animal.

Para Fernanda, o trabalho é dignidade e reconhecimento do esforço de quem abre mão de tanto para servir. Ela segue motivada não por grandes glórias, mas pela clareza de que, em cada ocorrência, existe uma vida que precisa de segurança e, principalmente, de um atendimento humano. É essa mulher  firme, mas que não abre mão da própria sensibilidade  que constrói o seu legado todos os dias na nossa fronteira.


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