Jornal A Plateia – Rádio RCC – Santana do Livramento

sáb, 25 de abril de 2026

A policial civil Flora Cóssio que faz da empatia sua principal ferramenta de trabalho

A Sensibilidade que Acolhe e a Voz que Protege

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Para muitos, a Delegacia é um lugar de números e inquéritos. Para a policial civil Flora Cossio, é um território de escuta. Há 16 anos na instituição, Flora encontrou sua verdadeira vocação no Cartório da Mulher, onde o lema “servir e proteger” ganha contornos de humanidade e empatia. Ao contrário do que se imagina, o trabalho dela não é sobre frieza técnica, mas sobre entender que, por trás de cada ocorrência da Lei Maria da Penha, existe uma vida fragilizada em busca de uma saída.

O desafio de não julgar

Após oito anos como plantonista, Flora percebeu que as vítimas de violência doméstica precisavam de um olhar diferenciado. No cartório, ela transformou o ambiente policial em um espaço de acolhimento. “O que me chama a atenção é ir ao local, conhecer as histórias”, revela. Ela aprendeu que a barreira para uma mulher deixar o agressor envolve medo, dependência financeira e, muitas vezes, o abandono da própria família.

Para Flora, o maior desafio é a “desvitimização”: ouvir sem julgar, entender o tempo de cada uma e oferecer a única esperança que muitas delas possuem. “A gente descobre que cada caso tem dois lados, por isso não se pode julgar ninguém”, afirma com a sabedoria de quem amadureceu entre os relatos mais difíceis da sociedade.

O refúgio entre flores e patas

Fora da delegacia, o “endurecimento” que a profissão por vezes exige é dissolvido em uma terapia muito particular. Flora é protetora da causa animal e cuida, pessoalmente, de 20 cães e cinco gatos resgatados das ruas. “É maravilhoso porque eu amo animais. Nós somos as vozes deles”, conta. Cuidar desses “anjos” é o que a mantém conectada com a sua essência mais pura após dias intensos de trabalho.

Em casa, a parceria é dobrada: casada com um policial, ela vive uma relação de apoio mútuo há 16 anos, onde o trabalho é respeitado, mas a vida em família,  com a faxina, o almoço de domingo e o tempo com os três netos,  o que garante o equilíbrio.

Ser a diferença

Mãe e avó, Flora busca passar para sua filha e neta a importância do posicionamento e do empoderamento. Para ela, o Dia do Trabalhador é sobre o prazer de sair de casa para fazer o que se ama, independentemente da estação ou das dificuldades. “Eu não acho que temos que fazer a diferença, eu acho que temos que SER a diferença”, finaliza. Aos olhos da comunidade, Flora Cossio não é apenas uma agente da lei; é um porto seguro para quem mais precisa.

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