ter, 21 de maio de 2024

Variedades Digital | 18 e 19.05.24

Jornalista Elmar Bones completa 80 anos e lança projeto “ Um Tributo à fronteira”

Natural de Cacequi, Bones tem uma história ligada ao jornalismo brasileiro, tendo iniciado a sua carreira no Jornal A Plateia e mais tarde se tornado um dos seus proprietários
O seu primeiro emprego foi justamente no Jornal A Plateia, sendo que em 1982 e 1983 Elmar Bones esteve à frente desta empresa jornalística

Com 80 anos completados na semana do dia 23 de janeiro, o jornalista, escritor Elmar Bones da Costa, anunciou que irá se aposentar da estima jornalística e irá se dedicar a um novo projeto de história ilustrada que já vem desenvolvendo nas páginas de jornais por mais de 30 anos. Dentro de seus trabalhos nesta temática destaca-se, por exemplo, a história ilustrada do Rio Grande do Sul, de Porto Alegre e de Viamão 300 anos.
Nesta nova proposta, o jornalista irá focar no projeto chamado “A fronteira que escolheu a paz”, narrando fatos históricos de Sant’Ana do Livramento e Rivera. “É uma espécie de tributo que presto a essa terra que não me viu nascer, mas me propiciou os fundamentos que me levaram pela vida”, destaca Bones.

Elmar Bones, jornalista completou 80 anos no dia 23 de janeiro

O jornalista conta que nasceu em Cacequi, e quando tinha 1 ano de idade sua família veio morar em Livramento. O ano era 1945, quando seu pai, que era ferroviário, sofreu um acidente caindo na linha do trem tendo um dos braços amputado. “Aqui me criei, sempre morando na periferia: Passinho das Lavadeiras, Vila Júlio de Castilhos, Pontilhão, Coxilha dos Loucos, Beco do Maragato. No meio do “pobrerio”, honesto e trabalhador, absorvi as regras da convivência e da solidariedade. Ali aprendi a ter esperança e não desistir. Livramento me deu acesso à escola pública (meus pais não poderiam pagar uma escola particular). Escola pública de qualidade, no Grupo Escola General Neto e no colégio Estadual, os professores que me abriram as portas de um mundo ao qual eu não teria acesso. Dona Hilda que me alfabetizou; Agapito que me revelou o sentimento cristão de fraternidade, solidariedade e respeito; professor Muller que me ensinou os rudimentos do latim, de grande valia nos intermináveis embates com as armadilhas da língua portuguesa; Alfredo Paiva que me fez ler Machado de Assis e Eça de Queiroz, Dona Judith que me fez ver a importância de conhecer a história”, relembra.
Nos seus 60 anos de trabalho dedicado a informar às pessoas, o jornalista Elmar Bones, relembra que tudo iniciou com seu primeiro emprego justamente no Jornal A Plateia.
“Lembro do “seu” Farias, da livraria na esquina da praça, que nos via – eu e o Kenny Braga – folheando os livros e nos dava de brinde porque sabia que não podíamos pagar. Dona Isolina, em cuja escolinha na sala de sua casa, aprendi gratuitamente datilografia, o que me garantiu meu primeiro emprego na Plateia onde descobri o jornalismo. Então, este novo trabalho que pretendo empreender é uma ideia antiga que cheguei a formular quando dirigi A Plateia nos anos de 1982 e 1983, mas foi adiante, ali fiz as primeiras pesquisas. A principal inspiração para retomar o projeto veio de um livro preciso, do historiador Antonio Cacciatore de Garcia: “Fronteira Iluminada”. O livro, resultado de 30 anos de pesquisas em documentos em Lisboa, Madrid, Rio de Janeiro, Buenos Aires e Montevidéo descreve a singular disputa entre Espanha e Portugal, pelas terras do novo mundo deflagrada antes mesmo da descoberta – mais de 500 anos de contendas diplomáticas e confrontos armados que, segundo Cacciatore, culminaram no acordo exemplar que deu origem a esta “fronteira da paz”. E esse é o contexto que vamos contar.
Segundo o jornalista, este trabalho contará com a participação de santanenses e riverenses em todos os níveis – desde pesquisadores, historiadores, jornalistas, com seu acervo de conhecimentos da cidade, até os moradores com suas histórias e memórias familiares. Será decisivo também o apoio do poder público e dos empresários de ambos os lados. “Todos sabem que essa fronteira é especial, muito poucos sabem como ela se tornou e como se conserva assim e principalmente, o quanto ela é exemplar em um mundo em que as fronteiras são disputadas pelas armas”.