seg, 4 de março de 2024

Aplateia Digital | 02 e 03.03.24

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Olhos no Campo: Tecnologia a serviço da segurança e conservação ambiental

Iniciará em janeiro de 2024, a operação do Sistema de Videomonitoramento dentro da Área de Proteção Ambiental do Ibirapuitã. O serviço permitirá um controle maior das atividades dentro da APA

A partir de janeiro de 2024, o primeiro Sistema de Videomonitoramento de área rural protegida por lei do Rio Grande do Sul entrará em funcionamento na Área de Proteção Ambiental do Ibirapuitã, o que permitirá um controle inédito na maior unidade de conservação no Bioma Pampa. O monitoramento remoto permitirá identificar veículos, pessoas, a fauna nativa do pampa e até a visualização de colunas de fumaça, dissuadindo a circulação de caçadores, ladrões de gado, assim como a pesca clandestina e os incêndios criminosos.
Segundo Raul Paixão Coelho – Analista Ambiental e Chefe da APA do Ibirapuitã, a iniciativa inédita no estado trará inclusive mais segurança no campo. “Nós pretendemos que, até o final de janeiro, o sistema já esteja em funcionamento com 10 câmeras que irão fazer o monitoramento de todas as principais entradas da era protegida. O objetivo é coibir a caça clandestina, a pesca ilegal com a utilização de redes, além auxiliar na segurança no campo coibindo roubos e furtos nas propriedades rurais. Onde nós poderemos ter um controle dos veículos que estão entrando e saindo dessas áreas”.
O moderno sistema de videomonitoramento é independente pois funciona com geração elétrica com placas solares para alimentar câmeras speed dome com análise inteligente de vídeo, software analítico, totalmente autônoma e contínua, com a visualização ininterrupta através de múltiplos monitores instalados na sede da Área de Proteção Ambiental do Ibirapuitã, em Sant’Ana do Livramento, RS. O sistema está sendo instalado pela empresa CASTSEG Segurança Inteligente, representada pelo Sr. Lahire Badaraco, e conta com recursos do fundo global GEF, intermediado pelo BID e Funbio.
Segundo Raul, esta foi uma demanda do Conselho de Gestão da Área de Proteção Ambiental, que é formado por 30 diferentes instituições como Sindicatos Rurais e prefeituras dos municípios que fazem parte da APA. Os recursos que estão sendo destinados para a instalação e manutenção do sistema são de origem internacional e giram em torno de 400 mil reais oriundos do Fundo Global para o meio ambiente, com a intermediação do FUNBIO. O gestor explica que estes recursos estão sendo destinados para os três biomas brasileiros: caatinga, pantanal e pampa, que nos últimos anos, segundo o gestor, foram os menos favorecidos com recursos para este tipo de projeto.
“As câmeras funcionam 24 horas por dia e a transmissão de dados é feita por meio de propriedades rurais próximas, ou até mesmo via satélite, sendo algo inédito aqui para a região. O nosso país já utiliza sistema semelhante em outras regiões para monitorar a questão de queimadas e áreas montanhosas, mas aqui no Rio Grande do Sul somos os pioneiros. Nós vamos conseguir a partir da nossa sede que fica em Sant’Ana do Livramento, monitorar áreas que são longínquas onde alguns deslocamentos são de até 550 km. Neste sentido, as câmeras conseguem visualizar colunas de fumaças, monitoramento noturno de movimentação de veículos suspeitos, e assim poderemos fazer as ações de fiscalizações da melhor maneira. Assim vamos conseguir cumprir a nossa missão que é de proteger o Bioma Pampa” .
Segundo o gestor, todo esse investimento irá possibilitar um melhor cuidado da nossa região que possui campos nativos muito bem preservados sendo um dos biomas mais conversados do Brasil e que possui uma riqueza imensurável. Agora, teremos imagens 24 h por dia, um grande avanço para a gestão ambiental “, comentou Raul Paixão Coelho, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.