seg, 22 de julho de 2024

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Os detalhes sobre a ação que terminou com um federal baleado em Livramento

O policial recebeu alta do hospital na tarde dessa sexta-feira (1°)
Foto: Marcelo Pinto/AP

O superintendente regional da Polícia Federal no Rio Grande do Sul, Aldronei Rodrigues, veio pessoalmente a Sant’Ana do Livramento, nessa semana, para acompanhar de perto o caso do policial federal que foi atingido por dois disparos de arma de fogo, durante uma ação contra as práticas de evasão de divisas, de câmbio ilegal e de lavagem de dinheiro, no município.
O fato aconteceu por volta das 6h da madrugada, quando o policial, acompanhado da equipe, estava abrindo a porta da residência, alvo da operação. Segundo o superintendente, todos os protocolos foram seguidos. “É padrão da Polícia Federal, anunciar, bater na casa e depois ingressar. Foi o que foi feito, então havia ciência de… Essa pessoa que desferiu os tiros tinha um sistema de videovigilância bastante eficiente, tinha noção total de quem estava ingressando na casa, então entendemos que não foi nada de surpresa e que há premeditação aí, inclusive a emboscada que é um agravante do que nós entendemos que seja o crime praticado, que é de homicídio tentado”, explicou.
No final da tarde de quarta, foi lavrado um auto de prisão em flagrante, enquanto as perícias continuavam sendo feitas. Um dos disparos acertou o braço do policial e o outro transfixou a parte lateral do tórax, ingressando pela axila, onde não havia a proteção do colete balístico.
O advogado do homem detido se manifestou ainda no final da tarde, durante o programa Conversa de Fim de Tarde, da RCC FM. Vitor Hugo Argiles manifestou solidariedade e respeito com a atividade da Polícia Federal. “Entendemos que a PF é importante na nossa segurança e na vigilância das pessoas. Nos solidarizamos com o policial que teve essa situação, mas por outro lado, temos uma visão bastante diferente do que foi apresentado pelo superintendente, com relação ao fato que ocorreu na residência do nosso cliente”, disse.
Segundo o advogado, não houve por parte do seu cliente a mínima intenção de causar uma lesão a um policial federal. “Toda a comunidade sabe que Livramento e Rivera vem enfrentando uma situação bem complicada no que diz respeito à criminalidade. Cada vez mais os tiroteios e os assaltos vêm aflorando na nossa comunidade. […] O nosso cliente nos relatou que ele estava dormindo quando a polícia adentrou na residência e que ele (agiu) em um ato de susto”, afirmou Argiles destacando que o seu cliente imaginou que se tratava de um assalto e não uma ação da polícia.

INVESTIGAÇÃO

O núcleo investigado tem estreita vinculação com os investigados na primeira fase da operação Cisplatina, ocorrida em setembro de 2020. Durante o cumprimento de um dos mandados, um dos policiais foi atingido por disparo de arma de fogo, partindo do morador que estava no interior da sua residência. Logo após, o atirador se entregou e foi preso. O policial foi levado à Santa Casa, onde recebeu os cuidados médicos de emergência e não corre risco de morte.
A investigação demonstra que, desde 2013, os investigados atuam no recebimento de valores com posterior remessa ao exterior. O mapeamento das atividades indica que o grupo recebeu, aproximadamente, 140 milhões de reais de pessoas e empresas de todo o país, interessadas no envio desses valores ao Uruguai, através de Rivera. Somente no período entre 2018 e 2021, o grupo movimentou ao menos R$ 61 milhões.