seg, 15 de julho de 2024

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Lixo compõe a paisagem do Passo do Mingote

Pneus, garrafas, plástico e até um sofá foram descartados às margens de um dos arroios mais importantes do município

Localizado próximo às margens da BR-293, na chegada em Sant’Ana do Livramento para quem vem da região oeste do estado, a área conhecida como Passo do Mingote abriga a nascente de um dos principais rios da região. Entretanto, mesmo tendo uma grande importância na manutenção do ecossistema, uma parcela da população parece não se importar.
A poucos metros do Passo está a nascente do Arroio da Faxina que, depois de cortar toda a cidade, segue pelas margens da BR-158 até os limites do território santanense com o município de Rosário do Sul, quando torna-se o Rio Santa Maria.
O que antes era o início, hoje parece estar muito próximo do fim. Rodeado pelo que resta da vegetação nativa do bioma Pampa, o arroio segue o seu curso enquanto a água disputa o espaço com o lixo. Os obstáculos são diversos, além de pneus de vários tipos, caixas, plástico, velas e até restos de animais compõem a cena.
Próximo dali, no início da estrada que dá acesso ao Passo, o quadro é ainda pior. Partes de automóveis, mais plástico, mais garrafas e até um sofá foram descartados no caminho. Enquanto a reportagem do jornal A Plateia registrava a situação, um morador da região que passava pelo local parou para conversar. De acordo com o homem, que não quis se identificar, é bastante comum alguns automóveis chegarem ao local para realizar o descarte do lixo que, mesmo que a empresa responsável pela coleta tenha disponibilizado um container, é jogado de qualquer forma. Em meio à sujeira, também foi possível encontrar restos de materiais de construção.
Ainda segundo o relato do morador, esses detritos foram descarregados em plena luz do dia por um grupo de pessoas que estava em uma camioneta. Testemunhando a ação dos homens, o senhor tentou intervir, mas conta que desistiu de dissuadi-los após sofrer ameaças e temer por sua integridade física.
Junto com alguns vizinhos, o homem conta que a situação não é novidade e que o grupo de moradores já realizou reiteradas denúncias e pedidos de ajuda para o poder público, entretanto, nunca foram atendidos.
Em contato com o responsável pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (SMDU), Jair Pires, o secretário afirmou não ter conhecimento da situação. “Eu estive lá visitando aquela área. Eu não sabia que tinha tanta coisa ali. Têm vários tipos de lixo ali, geladeira, fogão, pneus, deve ter uns 30 itens diferentes”.
Ainda em sua fala, Pires reconhece que o problema não é exclusivo da região, em diversas áreas da cidade é possível encontrar lixões. Quanto a isso, Pires disse: “Falei com o responsável pela Defesa Civil para conseguirmos uma área para armazenar esse lixo. Eu não tenho dificuldade nenhuma de levantar aquele material de lá, de limpar, eu só não sei onde colocar. Vou procurar fazer um trabalho com (a Secretaria de) Meio Ambiente pra ver o que podemos fazer”.

Murilo Alves
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