qui, 27 de janeiro de 2022

Aplateia Digital - 8 e 9/01/2022

Última Edição

TODOS SÃO IGUAIS PERANTE A DEMOCRACIA DA PRAIA

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-Buenas!,

 

            Sou só eu que notei ou vocês também concordam que a praia realiza o sonho de todo idealizador da democracia: nivela a todos e faz a igualdade tão sonhada ser legitimada? Todo aquele que conseguir chegar à costa litorânea têm direito ao seu quinhão de areia e seus hectolitros de água salgada, está escrito nos alfarrábios gregos de 2500 anos…

Claro que há algumas distinções, pois muitos gostam de ostentar copos de marca famosa que viraram moda instantaneamente no atual verão, outro tanto só precisa arrastar um cooler, um caixão grande que faz a função do antigo isopor, cheio de cerveja compradas em promoção e algum gelo. Tudo para que possam ser felizes.

Apesar das diferenças de valores investidos nos equipamentos, todos tornam-se iguais perante a democracia praiana, pois além disso, não há quem não chegue sobraçado a uma caixa de som portátil, também de uma única e mesmíssima marca. Por que, pergunto aos deuses todos, por que inventaram aparelho tão terrível?

Entendo que alguns de meus leitores, prezando por sua e a alheia sanidade, não carregam consigo estas peças com o único intuito de torturar àqueles que adentram os círculos infernais de areia. Certamente foram idealizadas pelos demônios do entretenimento, eles adoram surpreender, principalmente com hits musicais a cada verão…

E são todos, ricos e pobres, que praticam esta guerra velada realizada por seus aparelhos de som portáteis, alguns com caixas originais, outros com suas imitações, mas todas iguais e democraticamente barulhentas. Só irão negar minha afirmação determinista aqueles que nunca colocaram o pé na área, com caipirinha ou água de coco, como diz a letra de uma música chiclete que ainda toca nas praias brasileiras.

E os diferentes tipos de músicas espraiam-se pelos ares. Querendo ou não, você irá ouvi-lo, mesmo que você, como eu, seja um prevenido portador de fone de ouvido, daqueles que tentam impedir outros sons de adentrar seu cérebro, além dos que você escolheu para seu deleite praiano. Vã ilusão…

Claro, os ricos levam caixas originais, discretas, potentes. Já o povão, leva caixas de som da mesma marca, porém compradas em camelôs, com índice altíssimo de falsificação, contudo, tão eficientes na arte de fazer barulho e incomodar os vizinhos de areia quanto as originais, com menor qualidade, obviamente…

O povo – e vejam aqui a importância da democracia praiana – enquanto na praia, não se diferencia se chegaram até a areia com carros importados comprados à vista e em moeda corrente ou com carro usado e emprestado pelo cunhado, financiado em 96 prestações e sem seguro. Todos sairão dali sujos de areia, recheados de bicho geográfico, insolação e queimaduras diversas, pois o protetor solar ficou de enfeite na mochila, porque protetor é coisa que não se usa, se compra e, caso por ventura tenhamos que esparramar no corpo, é daquele jeito, com o marido de má vontade, passando os dedos lambuzados nas paletas da esposa enquanto olha para as mocinhas que passam ao largo…

Mesmo assim, irão sobrar algumas assaduras, insolações e queimaduras, mas todos estarão felizes e despreocupados com um possível câncer de pele que será cobrado no dia do julgamento final.

O que mais  importa é tocar suas músicas (sic) e as postagens nas redes. Sim, senhoras e senhores, não importa se a areia irá consumir seu celular último tipo 8G ou aquele baratex que mal pega a internet: o que conta serão as fotos que postarão nas redes sociais, ricos ou pobres. Se a água está congelando, o vento é o nordestão, o que interessa é aquele momento eternizado – fazendo biquinho, nunca esqueçam! – numa postagem que poucos irão curtir, mas que causará uma inveja medonha naqueles que ali não puderam ali estar, não é?

Antigamente, antes do advento do ar-condicionado e da maior revolução da humanidade, o shopping com ar-condicionado, migrar para regiões com temperaturas mais amenas era uma premissa de sobrevivência. Nos tempos machadianos, os cariocas auto-deportavam-se para a região serrana de Petrópolis. Já os gaúchos preferiam, em meados da segunda metade do século XX, Tramandaí e Cidreira.

Com o passar do tempo, começou a migração para territórios catarinenses, criando-se verdadeiras colônias gaúchas por lá. Mas se há ar-condicionado e shoppings, por que cargas d’água todos querem migrar para o litoral?

A resposta é simples e direta: o brasileiro quer exercer o sagrado direito da democracia! E só na praia é  que isto acontece o mais próximo da maestria tão sonhada pelos teóricos gregos…

 

 

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