dom, 28 de novembro de 2021

Jornal A Plateia Digital - 27-28/11/2021

Última Edição

A SENSAÇÃO

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Interessante a sensação. A sensação é algo único, pessoal, indescritível, porque não há como colocar em palavras o que sentimos, e além de tudo, ela é efêmera. A sensação pode ser de prazer, de alegria, de tristeza, de raiva, de deslumbre, de incompetência, de incapacidade e são tantas que corro o risco de ao enumerá-las, esquecer alguma. A sensação é tão pessoal, que por mais que queiramos compartilhá-la naquele momento, não tem como. Eu disse naquele momento, porque por ser sensação, ela é volátil, mutante, se esvai e logo, logo fica apenas uma tênue lembrança que acaba se perdendo no universo da vida.
Se eu fosse colocar que a sensação de impotência é a pior, o leitor poderia dizer: depende do momento! Posso citar inúmeros momentos de impotência que dá vontade de a gente ir direto falar com Deus e dizer: e aí, meu Amigo, não vais fazer nada? Meu filho (a), minha amiga (o) está sofrendo, por favor, me ajuda! Por favor, dá um jeito, eu não posso fazer nada!
Ou a sensação plena de ter realizado seu trabalho, e como dizem os americanos: dei o melhor de mim e não fui reconhecido. Ou a sensação do abandono, pais abandonando filhos, maridos deixando as esposas com os filhos e achando que pagando a pensão já estão cumprindo com o seu papel. Gente, que horror! O homem é diferente da mulher fisicamente, mas e sentimentalmente?
Ou a sensação do sonho. Pode ser um sonho gostoso, daqueles que continuamos a sonhar por um bom momento quando acordamos até cair a ficha que não passou de um sonho, ou um sonho que, aparentemente, queria nos dizer algo, mas que não conseguimos decifrar. Freud diz que quando sonhamos a “nossa polícia interna” se afasta e acabamos colocando no sonho nossos desejos ocultos – palavras minhas, é claro – e quando contamos o nosso sonho ao acordar, a “polícia” já está presente, e por mais que queiramos relatar com fidelidade nosso sonho, ela (a polícia interna) altera o sonho, e nos sentimos impotentes por não conseguirmos transmitir nossa sensação.
E lá se vai nosso encanto do sonho, nossa sensação de prazer se o sonho foi bom; porque se foi ruim, ufaaa…. ainda bem que foi só um sonho!
E a sensação se dissipou.