seg, 25 de janeiro de 2021

Aplateia Digital - 23/01/2021

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Retrospectiva do agro

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A reportagem do Jornal A Plateia conversou com o presidente a Associação e Sindicato Rural de Livramento, Luiz Carlos D’Auria Nunes, sobre os desafios de 2020 no agro santanense que assim como o país inteiro enfrentou os mesmos problemas e mesmo assim conseguiu se manter com médias excelentes. Confira a entrevista:
– Começamos o ano com uma das piores estiagens das últimas décadas, quais os seus impactos na produção do município? “Nós começamos o ano, afetados por uma das piores estiagens das últimas décadas. Isto é um fato. Em segundo lugar ela se estendeu até final do inverno e entrada da primavera quando os campos precisam de umidade e de chuva para crescimento das pastagens de verão. Seca também prejudicou as pastagens cultivadas. Na Agricultura, o impacto foi muito grande, principalmente na soja, já a vitivinicultura teve um ano muito bom o clima favoreceu essa cultura, mas no geral o impacto foi muito grande tanto que o município decretou situação de calamidade pública e as agências financeiras foram obrigadas a disponibilizar o renegociamento de custeio aos produtores.”
– Presidente, o ano 2020 ficará marcado para sempre na história como o ano da pandemia, na sua opinião este foi um dos anos mais desafiadores para o AGRO do munícipio? ” Não resta dúvida. Costumo dizer que nós nos preparamos para a seca arrumando açudes e investindo em irrigação. Para as cheias também temos um planejamento. Ou seja, para as condições climáticas que se alternam ano após ano. Essas são incertezas que o agro sempre tem. Mas a pandemia não foi uma coisa programada. Pegou todos nós de surpresa. Foi algo nunca foi enfrentado pelas nossas gerações. Tem o impacto na sociedade, mas é aquilo que nós falamos. O agro não parou e seguiu produzindo, tanto é que no pico da pandemia nós não ficamos desabastecidos. Não faltou alimento. Mas é uma situação muito complicada e não se sabe quando vai terminar.

Presidente da Rural, Luis Carlos D’Auria

– Outro fato importante neste ano foi a retirada da vacinação contra a febre aftosa que significa um desafio muito grande para os produtores por conta dos riscos de uma reintrodução do vírus, qual a sua visão sobre esse assunto? “Nós fomos contrários desde o início, fomos inclusive o primeiro sindicato a notificar a nossa posição por escrito para a FARSUL, pelo risco que a retirada da vacina representa. Por conta de outros vetores que podem conter o vírus como o caso dos javalis, dos gados de corredores e também pelo fato de sermos uma zona de fronteira. Mesmo assim, o estado optou pela retirada da vacinação, até agora não tivemos nenhum incidente e esperamos que não tenha. Nosso grande questionamento sobre esse assunto são as faltas de garantias de recursos, pessoal e investimento em fiscalização para as inspetorias veterinárias efetuarem um melhor controle. Até agora não vieram os veículos, nem aumentaram a contratação de pessoal, pelo contrário aconteceram muitas aposentadorias e incorporação de estagiários sem experiência. Outra questão muito importante é que dos 137 sindicatos que votavam pela retirada da vacina, todos da região pecuária votaram contra. Os municípios produtores de carne da fronteira do Rio Grande do Sul foram contra porque os rebanhos estavam sendo ameaçados e principalmente os produtores de genética. Nesta questão algumas pontas ainda estão soltas como é o caso das indenizações em caso de um foco de aftosa. Mas esperamos que não aconteça.
– Cancelamento de feiras. Assim como a maioria dos eventos que envolvem a participação de grande público a Expointer no seu formato tradicional foi cancelada. Em Livramento não foi a Expofeira do munícipio bateu todos os seus recordes das edições anteriores e também em nível nacional e internacional. Comente.
“A Expointer é uma feira muito importante porque é uma vitrine para as cabanhas que lá participam. Isso sim foi um impacto para os produtores que não puderam levar os seus animais. Porém, nos municípios, as feiras foram contornadas com uma mescla entre eventos virtuais e presenciais. No caso da nossa feira foram realizadas inúmeras reuniões com os organizadores dos remates e os representantes do Executivo. Com a não realização da Expointer, as cabanhas acabaram levando seus melhores animais para as feiras locais. Neste sentido a nossa Expofeira de Primavera foi muito valorizada, pois os animais das nossas cabanhas têm conquistado cada vez mais mercado não só nos municípios vizinhos para também em todo o país. A nossa feira foi um sucesso tanto em vendas de animais quanto nas médias algumas raças com valores recordes nacionais e internacionais. A suba do preço da carne também ajudou bastante na valorização das nossas vendas de primavera. Com uma programação exclusiva de remates, a 82ª Expofeira de Sant’Ana do Livramento entra para a história como a de maior arrecadação em remates em todas as suas organizações. Os mais de R$ 7,9 milhões atingidos na venda de mais de 600 animais das raças Hereford, Braford, Angus e Brangus dos criatórios santanenses”.
Um novo projeto de governo para Livramento foi eleito. Quais são as expectativas da Associação Rural em relação ao governo Ana e Evandro e seus principais desafios. “Nós desejamos sucesso a nossa administração, assim como fizemos com a anterior. Neste ano, junto com a ACIL nós realizamos uma série de entrevistas com os candidatos e nelas a gente expôs o nosso pensamento e principalmente as nossas reinvindicações. Assim que eleição foi definida, nós começamos a realizar uma série de reuniões com os novos governantes onde nós entregamos em mãos todas aquelas necessidades e aportes que Associação e Sindicato Rural pretende dar ao município e trabalhar em mútua compreensão entendendo os problemas que o município tem: financeiros, de pessoal e estrutural, mas também queremos dar um voto de confiança e contribuir dentro das nossas possibilidades com a gestão”.
– Quais são os Projetos futuros do Sindicato e Associação Rural, incluindo o residencial Altos da Rural. E de que maneira os produtores podem auxiliar a entidade a se fortalecer cada vez mais assumindo o protagonismo que ela merece.
Nosso grande projeto para 2021 é dar sequência no empreendimento Residencial Altos da Rural que ultrapassa os 150 milhões de reais de investimento e que, neste ano, sofreu com alguns percalços, e atualmente está em fase de cartório. Nós esperamos que no máximo no final de janeiro, a construtora possa retornar a obra e trabalhar a “toque de caixa” para daí para frente só parar quando for finalizado este grande empreendimento para o nosso município que vai gerar mais de 200 empregos. Além disso, nós temos outro grande projeto que já está inclusive na Assembleia Legislativa que é para trazer uma escola técnica agrícola para o nosso município para formação em nível de segundo grau de técnicos em agropecuária para o desenvolvimento de mão de obra especializada e para instrução de filhos de funcionário e instrutores para os pequenos e médios produtores. Nós temos também uma proposta de uma parceria pública privada que em breve nós iremos anunciar, para trazer desenvolvimento para os próximos 20/30 anos. Estamos trabalhando desde 2019 neste projeto, que devido a pandemia ficou paralisado. Temos também um projeto para uma estação meteorológica para Livramento, a criação de um Centro Internacional Tecnológico da Ovinocultura entre outros. Esperamos em breve poder anunciar essas novidades, que deixaram de ser projetos e irão se tornar realidade.

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