seg, 18 de janeiro de 2021

Aplateia Digital  -  16/01/2021

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O HUMOR ÁCIDO DE TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME

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O filme é um drama! Conta uma história triste e a revolta da protagonista emociona quem assiste. Ao mesmo tempo, à medida que o espectador é apresentado aos personagens e percebe como eles se comportam, por diversas vezes, o filme é engraçado. O humor é ácido e essa forma de contar a história escancara algumas coisas. Fica evidente, por exemplo, que a personagem principal é implacável, ou seja, sem qualquer limite para sentir que a justiça foi feita. Fica evidente que, a menos que seja provocada, a polícia local não será efetiva. Uma representação da realidade de muitas pessoas. E tudo combinado com uma excelente construção das personagens e as suas respectivas representações faz desse filme uma obra marcante. A história é forte, as atuações são impactantes e a forma como o humor é introduzido complementam a unidade do filme.

A história tem uma premissa impactante. A personagem principal, Mildred Hayes, aluga três outdoors na entrada da cidade e coloca mensagens sobre o estupro e assassinato de sua filha, cobrando uma atitude da polícia que, até o momento, não encontrou solução para o caso. Sem encontrar pistas e sem uma investigação rigorosa, a personagem exige empenho para encontrar o culpado de um crime tão bárbaro cometido contra sua filha. Após fazer isso, toda a cidade fica sabendo e o caso se torna notícia. A polícia, representada pelo delegado Willoughby e por um policial bastante fervoroso, começa a sentir os efeitos daqueles anúncios na entrada da cidade que cobram respostas. Mildred por si só já enfrenta o drama de ter perdido a filha e luta para manter um bom relacionamento com o filho, ao mesmo tempo que enfrenta questões de relacionamentos com o ex-marido.

Os reflexos da atitude de Mildred começam a tomar forma no decorrer do filme e isso torna o filme cativante. Cada personagem do filme produz um efeito diferente em relação aos anúncios e “sofrem” com isso de forma diferente. A construção de cada um dos personagens é tão bem feita que mesmo os personagens coadjuvantes impõem suas características e cativam o espectador justamente por isso, pela naturalidade que agem. A atuação de Frances McDormand, digna do Oscar que recebeu como melhor atriz, e a atuação de Sam Rockwell, digna do Oscar que recebeu como melhor ator coadjuvante, representam a força que os personagens possuem nesse filme, que acompanhados de diálogos fortes e engraçados, conduzem esse drama de forma única.

Não se trata apenas de uma história de vingança, mas um apelo indignado pelo que aconteceu com sua filha sem qualquer tipo de resposta para o caso. É incrível como Mildred é uma personagem forte e incisiva e ao mesmo tempo possui tantas fragilidades, esse equilíbrio de questões emocionais de força e fragilidade fazem com que o espectador se envolva com o drama da personagem. A intensidade da história vai aumentando à medida que os demais personagens são introduzidos e mesmo com um papel menor, são construídos de forma tão natural, que a forma com que a história é contada, mesmo se tratando de um drama poderoso, passa a ser leve e empolgante. Com sete indicações ao Oscar e um poderoso discurso de vitória de Frances McDormand pelo papel das mulheres na indústria cinematográfica, esse filme pode ser cativante de várias formas, seja pela história, seja pela forma de humor, seja pelo papel da mulher protagonista de força imensurável.

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