Consumidores terão que se adaptar com a suba dos produtos alimentícios

Alta nas exportações, falta de matéria prima, estão entre os fatores para o aumento dos produtos da cesta básica
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Nas últimas semanas, os consumidores tiveram um susto ao chegar nos supermercados de todo o país para comprar alguns produtos da cesta básica, como o arroz e o óleo de soja que tiveram um aumento significativo. A suba dos produtos nas prateleiras é reflexo do bom momento que o agro brasileiro vive com as exportações em alta; se de um lado o produtor, lá no campo está com um sorriso nos lábios pela valorização do seu produto, depois de muitos anos de baixa e até desvalorização; na outra ponta da tabela está o consumidor contando moedas para levar para casa o alimento de cada dia.
Em 2020, o ano dos desafios, a alta nos produtos é mais um deles que todos têm que enfrentar. Não bastasse o Brasil ser reconhecido como “o celeiro do mundo” e estar liderando as exportações em muitas áreas do agronegócio mundial alimentando outras nações, é necessário, também um cuidado com a sua própria população para que não fique desbastecida.
Segundo o dirigente da Associação Gaúcha de Supermercados (AGAS) e empresário santanense, Antônio Righi, o setor não vislumbra, em curto prazo, uma diminuição nos preços desses produtos. “Nós somos apenas repassadores dos preços que recebemos dos nossos fornecedores. Nós sabemos que os commodities agrícolas devido à exportação e ao câmbio sofreram uma alteração bem acentuada, como é o caso do óleo de soja e do arroz que são produtos que já estão até em falta no mercado. E o consumidor, que estava acostumado, quatro meses atrás, com um determinado preço nesses produtos, sentiu esse aumento de preço. O arroz, por exemplo, cancelou o imposto de importação para tentar frear esses aumentos. O óleo de soja também. A soja foi toda exportada para a China e, inclusive, as próximas safras 2021 e 2022 já estão vendidas para os países asiáticos. Então, acredito que por conta desses motivos vai demorar um pouco para estabilizar os preços desses produtos. E voltar àquele patamar anterior, vai ser muito difícil”, disse.
Segundo o dirigente, as entidades do Rio Grande do Sul, entre elas a AGAS, estão mobilizadas junto aos fornecedores solicitando a eles que façam um sacrifício para tentar conter esse aumento. “Infelizmente, nós, do setor supermercadista, temos que repassar porque se a gente não repassar o aumento, nós não vamos comprar o mesmo produto pelo preço que se vendeu. Para se ter uma ideia, em uma das compras de óleo de soja que nós fizemos para o supermercado no mês de junho, em relação a esta semana tivemos um aumento de 59% no preço pago. Então, o supermercado não consegue manter o mesmo preço. Então, para que o consumidor entenda, os preços que estão nas gôndolas dos supermercados, hoje, ainda estão passando por estes reajustes. Outro produto que já começou a dar sinais de suba é o açúcar porque ele está entrando na entressafra e também possui um grande volume de exportação. Conversando com nossos fornecedores ficamos sabendo, inclusive, da falta de matéria prima como alumínio, por exemplo, que é utilizado nas vendas de cervejas em latas, falta de embalagens porque as indústrias não estão conseguindo produzir normalmente. E todos esses fatos afetam o preço final das mercadorias”.
O dirigente destaca ainda que apesar do aumento nas prateleiras impactar diretamente no bolso do consumidor final, ele acaba valorizando o produtor que há muitos anos vinha sendo desvalorizado e com o custo de produção defasado.

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