Venda de vinhos locais cresce em meio à pandemia

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Na gangorra da economia em 2020, tudo sempre tem dois lados. Se por um lado muitas pessoas estão perdendo seus empregos e empresas estão entrando em falência ou fechando suas portas, existem aqueles setores que estão se destacando em meio aos tempos de incertezas. Setores que, inclusive, há muitos anos não viam as vendas aumentaram em uma velocidade impressionante, como é o caso do mercado de vinhos finos no Brasil, que com as restrições de viagens ao exterior e diminuição do fluxo de turistas, o produto brasileiro parece ter conquistado definitivamente o paladar dos brasileiros.
Estas são algumas constatações de quem trabalha no setor há mais de 20 anos, como é caso do Engenheiro Agrônomo e gerente da filial Almadén/Miolo em Sant’Ana do Livramento, Fabrício Domingues, que conversou com a reportagem do Jornal A Plateia sobre o tema. Segundo ele, a procura pelos vinhos regionais nunca foi tão intensa como neste período, inclusive com recorde de vendas: “Faz 20 anos que trabalho na Almadén e, realmente, este ano é diferente de todos os outros. E está sendo muito bom. Ao contrário de outras estatísticas que estão sendo divulgadas como o consumo de carne, por exemplo, que caiu na pandemia, a procura por vinho brasileiro nunca foi tão grande como agora. Para se ter uma ideia, a média de consumo per capta/ano, não chegava a dois litros por pessoa no Brasil, e somente de janeiro até julho esta média subiu para 2,5 litros. Isto mostra que as pessoas estão tomando mais vinho. Nós temos também dados da UVIBRA (União Brasileira de Vitivinicultura) sobre a comercialização neste ano e que mostram que o consumo da bebida nacional cresceu em relação ao importados. Então, no nosso caso a pandemia serviu para alavancar as vendas” destaca.
No dia 14 de agosto, a Almadén completou 47 anos de atuação na campanha gaúcha, desde a sua fundação em 1973 com a compra de terras na cidade de Bagé. Atualmente Almadén/ Miolo é o maior vinhedo do Brasil com 1 mil hectares de área plantada dividida nas 4 unidades, Livramento, Candiota com a Vinícola Seival, Bento Gonçalves com a Vinícola Miolo e no Vale do São Francisco, no Nordeste, com a vinícola Terra Nova. “Na unidade, aqui de Livramento, nós realizamos todo o processo até o vinho pronto, desde 2012, porém o engarrafamento não é mais feito aqui por uma questão de custos, mas o vinho sai pronto daqui. Nesta semana, por exemplo, temos um plano de 16 carretas para carregar quase meio milhão de litros de vinho que serão engarrafados em Bento Gonçalves e, a partir daí, vai ser distribuído para todo o Brasil.
Ainda sobre o aumento do consumo do vinho nacional, Fabrício Domingues destaca que dois fatores contribuíram para isso: o preço do dólar americano e a diminuição na taxação do produto. “No ano passado nós tínhamos substituição tributária que é um dos impostos, e os ‘importados’ eram tributados na importação e a gente colocava em cima da nossa nota o custo. Neste sentido, o setor vinícola brasileiro se reuniu e conseguiu, junto ao governo, baixar a tributação do produto em 15% e com isso nós conseguimos baixar e entregar esse produto com preço mais baixo ao mercado que repassou a consumidor final”.

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