Luan Moreira revela os motivos de ter deixado o comando da Fiscalização

Incompatibilidade das ações e prejuízos à saúde foram determinantes
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Após mais de 120 dias trabalhando praticamente 24 horas por dia como chefe da Força Tarefa da Fiscalização do Comércio, o servidor público Luan Moreira decidiu que era hora de parar. Indicado para a função no início do ano durante a gestão da, então Prefeita, Mari Machado (PSB), Moreira ficou responsável por coordenar as equipes e garantir o cumprimento das medidas de combate ao coronavírus em Sant’Ana do Livramento.

Entretanto, no último dia 22, Moreira comunicou que estava deixando a função, pois se sentia cansado. “Eu cheguei a estar dois dias afastado. O doutor me falou que eu tinha que me acalmar. […] Eu estava direto com o celular da Defesa Civil, isso aí me sobrecarregou. Falta energia. Tu acaba cansando”, explica.

De acordo com o servidor, além de cumprir o seu expediente durante o dia e fiscalizar durante a noite, ainda prestava o atendimento às pessoas que ligavam para a Defesa Civil para tirar dúvidas sobre os decretos municipais. Somado à uma rotina extenuante, a resistência por parte de alguns munícipes também contribuiu para a sua tomada de decisão. “No meu ponto de vista, não falando como servidor, mas como cidadão, quem tomou consciência, tomou consciência. Quem não aprendeu, não aprendeu. Tivemos casos de pessoas que fomos três vezes orientar sobre não promover aglomerações. Quem quer ser resistência, vai ser resistência. Não temos como estar em todos os lugares”, lamenta.

Foto: Marcelo Pinto/AP

Outra questão apontada pelo ex-chefe da fiscalização foi a alteração em alguns pontos do decreto municipal, como a liberação para a realização de partidas de futebol e também a reabertura das praças e parques públicos e privados. “Não é incompatibilidade com partido A ou B. Como servidor público, a gente trabalha pelo município, mas têm certas decisões que têm que estar em consonância para a gente poder continuar trabalhando e não prejudicar o nosso serviço na rua. Não era vontade nossa terminar com o jogo de futebol, com o churrasco que estava acontecendo e ter que onerar uma pessoa que estava fazendo uma festa, […] mas era questão de saúde pública”, aponta.

Dando um exemplo prático sobre essa situação, Moreira questiona: “O futebol nas quadras precisa ter o controle de temperatura, só que na vila a gente vai proibir. Como é que a gente faz a população entender? Na rua não pode, mas na quadra pode. A gente depende também do apoio da Brigada Militar, mas eles não podem estar sempre conosco e a resistência da população estando cada vez maior, tu faz o que tu pode”.

Quanto a isso, o servidor relata que também chegou a receber algumas ameaças enquanto cumpria a sua função. Além de ser intimidado durante a fiscalização, Moreira relata que também era seguidamente atacado nas redes sociais. De acordo com ele, a sua constante presença nessas ações o tornou conhecido, o que contribuiu para os ataques. “Eu estava tentando dar o passo maior do que a minha perna. Chegava no limite e ainda tinha que ir mais. Nós somos poucos servidores. São, aproximadamente, 80 mil habitantes e nós éramos nove”.

Fazendo uma avaliação geral de sua atuação durante o tempo em que esteve à frente das ações de combate e fiscalização, o servidor se diz satisfeito. “Em algumas circunstâncias, era quase certo que teria que chamar a Brigada para podermos continuar trabalhando. Isso aí que preocupa, a resistência. Mas, de maneira geral, a população colaborou. […] O melhor dado a gente não tem como calcular, seria quantas vidas a gente salvou com o nosso trabalho. É imensurável”, destaca. Finalizando a sua fala, o servidor aproveitou para agradecer aos colegas da Secretaria Municipal da Fazenda, do Planejamento, das Obras, do Departamento de Meio Ambiente, os agentes da Secretaria Municipal de Trânsito, Transportes e Mobilidade Urbana e também aos policiais da Brigada Militar.
Seis dias após a saída de Moreira, o nome indicado para substituí-lo foi o de Luiz Mansilha, titular desde o dia 28 de julho.

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