Representantes locais do AGRO divergem sobre realização da Expointer e Expofeira

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Presidentes de alguns núcleos de produtores falam sobre o tema

Desde que a data da maior feira agropecuária da América Latina foi anunciada na semana passada, abriu-se uma discussão no setor sobre a necessidade ou não de realização da Expointer 2020, por conta da crise de saúde que vivemos por causa da pandemia do coronavírus. É bem verdade que o AGRO não para e de todos os setores da economia é o que mais cresce neste momento de incertezas. Mas até mesmo ele (AGRO) precisa ser repensado.

No caso da Expointer, a data anunciada foi de 26 de setembro a 4 de outubro, praticamente um mês após a sua já tradicional realização que ocorre no final de agosto. Esta alteração tem sido muito discutida pelos representantes do setor por conta de alguns entraves como a provável postergação das feiras agropecuárias de primavera. Diante disto, a reportagem do Jornal A Plateia esteve conversando com os presidentes dos núcleos de produtores da Associação Rural de Sant’Ana do Livramento para conhecer as suas posições.

Para o presidente do Núcleo Pampa Gaúcho de criadores de Hereford e Braford, Dartagnan Soares, a Expointer é um evento de suma importância para a economia do país e todos os setores do agronegócio que esperam anualmente a sua realização para efetuar comercializações de todos os tipos. Por isso, a sua realização deveria permanecer em sua data tradicional, desde que todos os cuidados fossem tomados. “A Expointer é uma feira muito importante para todos os produtores. Para os agricultores é uma oportunidade de receber aquilo que de mais tecnológico tem para as suas lavouras. Já para os pecuaristas é uma oportunidade de divulgar a inovação genética dos seus rebanhos e de comercialização. Mas, essa nova data que foi divulgada, prejudica de alguma maneira o nosso trabalho porque os agricultores, por exemplo, já estão produzindo em suas lavouras e a estâncias também. Pois, o período de compra e venda e de adquirir insumos e animais para as propriedades já passou. Acredito que nesta nova data, as grandes empresas de máquinas, por exemplo, não irão levar os seus lançamentos, pois não haverá público, visto que os produtores já estarão no campo. Quanto aos pecuaristas, nós já estaremos entrando nas nossas datas de remates de primavera, o nosso Remate, por exemplo, (o da Estância Carcávio) é dia 15 de outubro. Então, dentro deste quadro, na minha opinião, este ano não seria muito prudente levar animais para a Expointer por questões de custos que são muitos altos para manter toda uma estrutura em 10 dias de feira.

Já para o presidente do Núcleo Santanense de Gado Leiteiro, Nei Quevedo, neste momento de pandemia não seria prudente a realização de nenhuma das feiras. “Na minha opinião, acho muito difícil a Expointer sair, assim como a nossa Expofeira de Livramento. A gente sabe que está bastante complicado para movimentar animais, tem a questão das pessoas que têm que viajar, no caso da Expointer, onde participam centenas de produtores de todo o estado e hoje estamos enfrentando este sistema de bandeiras. De repente, vão ter regiões saindo da bandeira vermelha para bandeira amarela e, não se sabe como vai estar essa questão até lá. Porque as coisas vem mudando muito rápido. Tem a questão do pico dos casos da doença. Na minha opinião, nenhuma das feiras poderia ser realizada este ano, pois um dos objetivos também é a questão do público e das atrações. E, no momento que se pede isolamento das pessoas não seria conveniente se realizar nenhum tipo de evento que estimule as pessoas a se juntarem. E neste caso, não há como não ter uma aglomeração, tanto na Expointer como na nossa Expofeira, pois no nosso caso, falando em gado leiteiro, a gente sabe que no momento dos concursos e julgamentos as pessoas se juntam, pois, é importante para os produtores e seus familiares. Tanto para quem está expondo, quanto para quem vai assistir e aprender. Atualmente faço parte da GADOLANDO que é responsável pela organização dos julgamentos na EXPOINTER e escuto as conversas onde os produtores estão meio receosos quanto à realização da feira. Então, acho que, neste ano, devemos ouvir o lado médico, da saúde, e no ano que vem voltamos com mais força.

Dentro do agronegócio, um dos setores que gera muito interesse por parte do grande público são as provas envolvendo o Cavalo Crioulo, sobretudo o famoso Freio de Ouro que tem a sua final disputada nas pistas de Esteio durante a Expointer. Para o Presidente do Núcleo Santanense de Criadores de Cavalos Crioulos, Gabriel Sastre, seria importante manter a feira, mesmo que tomando todos os cuidados necessários e de forma reduzida. “Na minha visão, a gente vive muito alarde, mas, é claro que a gente precisa ter preocupações e precauções. A Expointer é uma feira muito importante para o nosso Estado na questão econômica. No nosso caso, do cavalo crioulo, o nosso setor precisa muito da Expointer onde o Freio de Ouro é o ápice do trabalho de um ano inteiro. Quando os criadores esperam os resultados das provas, os remates e as premiações que acabam nivelando todo o mercado. Nosso seguimento já deu um passo importante que foi a retomada dos eventos de maneira controlada com toda a precaução. Tendo restrição nas equipes e de público nas provas, onde, no conjunto apenas é permitido o proprietário, o criador e o ginete. Então, neste sentido, a ABCCC está muito bem, acho que os organizadores da feira poderiam se basear por aí. Outro fator positivo da feira ser mantida, é a da comercialização de animais que está próxima a seu período reprodutivo de primavera. Já na questão da Expofeira de Livramento, acho importante que ela saia, pois através do bom trabalho que a nova diretoria vem fazendo no comando do presidente D’Auria, a feira tem grande potencial de crescimento” encerrou.

Matias Moura
matiasmoura@jornalaplateia.com