Afinal, as escolas devem ou não retornar às atividades?

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Rede estadual e municipal continua com conteúdo online e Rivera retoma na segunda-feira (28)

Enquanto a Intendência Departamental de Rivera informou na última quarta-feira (24), que as aulas da rede pública iniciarão gradativamente na próxima segunda-feira (28), em Livramento ainda não existe uma resposta oficial para este questionamento. Tanto a rede Estadual e Municipal está realizando tarefas online para não deixar os alunos ociosos durante a quarentena.

A coordenadora da 19ª Coordenadoria Regional de Educação, Ana Alice Campagnaro, comentou sobre diversos pontos do ensino à distância: “Estamos realizando diversas ações com as 56 escolas que a coordenadoria abrange, estamos com aulas remotas e realizando letramento digital, onde os professores estão passando por cursos, aprendendo a dar aulas através da plataforma Google Classroom. Ainda não existe uma data para retorno às aulas, isso só quem pode dizer com total certeza é o governador Eduardo Leite, e caso as escolas voltem às atividades, as secretarias municipais de Educação e Saúde deverão elaborar junto com o estado algumas medidas de distanciamento controlado e higienização, mas isso só em caso de retorno às aulas presenciais, o que ainda não é cogitado”, conta.

Coordenadora, Ana Alice (Foto: Marcelo Pinto/AP)

Questionada sobre como os pais estão reagindo às aulas online e sobre os casos onde o aluno não tem internet, Ana Alice, comenta sobre diversas situações encontradas: “Existem pais de alunos que querem o retorno das aulas e outros que afirmam que se as aulas retornarem, não mandarão seus filhos. Então, esse levantamento está sendo feito pelas escolas, não sabemos ainda como seria o retorno, se teria um retorno facultativo ou se seria obrigatório que os alunos assistissem as aulas”.

A professora Gessi de Ávila da Costa, da Escola Vitélio Gazapina, expôs a sua opinião sobre um possível retorno das aulas: “No momento é inviável, devido à falta de condições das escolas em receber os alunos, como distribuí-los na sala? E no recreio? E para os pequenos, como o professor vai explicar usando máscara (importante proteção)? Sabendo que para a aprendizagem do 1º ano são fundamentais o olhar e a atenção no professor, como fazer então? Estamos preparados? Creio que o mais justo será aguardar que o número de contaminados diminua, que tenhamos mais consciência da gravidade deste vírus “invisível”, que não sabemos onde está, mas, simplesmente que ele existe e mata. Outro ponto importante é que Livramento faz divisa com o Uruguai, separada apenas por uma rua, como barrar a circulação de pessoas? Como saber quem tem o vírus? Portanto, não concordo com volta das aulas enquanto não tivermos a certeza que o vírus foi amenizado ou, porque não dizer, erradicado. Como educadores temos muitas vidas sob nossa responsabilidade, é nosso dever a preservação deste tesouro a nós confiado”, completa a professora.

Alyssandra Rodrigues, aluna do 1º ano do ensino médio da escola Liberato Salzano Vieira da Cunha destacou que o país, no geral, não está preparado para as aulas online: “Acredito que no país onde vivemos, com tanta desigualdade social, o EAD não funciona. Além de problemas familiares, pressão psicológica e a ansiedade, são poucas as pessoas que têm acesso à rede Wi-Fi para realizar as atividades solicitadas. Mesmo as que possuem acesso, muitas vezes não conseguem enviar todas as atividades pelo fato de ser uma fase difícil para todos nós. Em meio a uma pandemia é complicado se concentrar ou até mesmo aprender algo quando se está rodeado de caos e problemas sejam eles quais forem. Creio que a culpa não seja dos professores, pois eles estão apenas fazendo o que foi pedido. Mas acredito que eles poderiam enviar menos tarefas, para não acumular tanto. Digo por mim que estou tendo muitas dúvidas nos trabalhos enviados, muita coisa não consigo acompanhar, mas estou tentando tirar minhas dúvidas com professores e colegas. Porém, não é a mesma coisa que ter um professor te explicando cara a cara e tirando todas tuas dúvidas em apenas uma aula”, relata.

Por enquanto, nada foi decidido sobre esta situação. Os alunos continuarão recebendo conteúdo através de plataformas online para evitar que permaneçam ociosos neste período de quarenta.

João Victor Montoli
joaovictor@jornalaplateia.com