No Dia do Enfermeiro, o que motiva estes profissionais que estão na linha de frente contra o Covid-19?

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No atual momento do planeta, os profissionais da saúde estão em um posto de destaque, no enfrentamento e combate ao Coronavírus. Nesta semana, no dia 12, foi celebrado o Dia Internacional do Enfermeiro. O dia foi criado pelo Conselho Internacional dos Enfermeiros e a data escolhida remete para o aniversário de Florence Nightingale, considerada a fundadora da enfermagem moderna.
E para falar sobre este dia, nada melhor do que as próprias enfermeiras de Livramento. São profissionais que realizam visitas nas residências em que existe suspeita de coronavírus e também trabalham no atendimento especializado na zona rural e também no setor de triagem localizado na Unipampa.
Rosana Dutra Keiran é formada há 20 anos. Enfermeira especialista em Saúde Pública Binacional. Questionada sobre enfermagem, ela logo dispara: “Escolhi a Enfermagem ou ela me escolheu? São perguntas que sempre me faço. Está em mim ajudar as pessoas, acolher e proteger os meus usuários, ter empatia é o essencial. Cada um deles tem a sua essência e é isso que me conquista e me faz, cada dia, ter orgulho de ser enfermeira. Eles depositam toda a sua confiança em nós e não há nada mais gratificante que depois de alguns minutos ver um sorriso no rosto e a sensação de missão cumprida. Tenho orgulho de ser enfermeira e representar um setor muito importante para nossa sociedade”.

Como está sendo enfrentar a pandemia?

“Tivemos que orientar os usuários referente aos cuidados, sintomatologia e adequar os horários para poder atender a demanda de atendimentos e, principalmente, enfrentar o estresse psicológico do dia a dia. Não me vejo em outra profissão que não seja enfermeira. A pandemia vai nos deixar uma lição e que todos entendam que a empatia e proteção ao próximo a todos é o que mais queremos, faz falta aquele abraço e beijo no dia a dia. O mundo não é virtual”, finaliza.
Evelise Pazetto Holzschuh, enfermeira há 19 anos, formada pela URCAMP-Bagé e especialista em Saúde da Família, Saúde Pública e Administração Hospitalar. Perguntada sobre como foi a escolha de ser enfermeira, ela conta: “Escolhi ser enfermeira por gostar de ajudar as pessoas. Desde pequena sempre acompanhei meu pai, que é profissional da saúde, em atendimentos e mutirões de saúde, e esse poder de ajudar, aliviar a dor de alguém, me incentivou a escolher minha profissão, a qual sempre desempenhei com dedicação e amor, até hoje. Por isso sou muito grata a esta profissão que escolhi, às pessoas com as quais trabalho ou trabalhei, pois trabalhamos muito em equipe. Hoje, estamos vivendo um momento novo, delicado, de incertezas, são novos desafios, mas, nós enfermeiros estamos ali, na frente, firmes e prontos para ajudar a todos”, conta.

Vacinação na zona rural de Livramento (Foto: Arquivo Pessoal)

O que a pandemia ensina?

Para Evelise: “Com a pandemia tivemos que nos adequar, fazer novos protocolos de atendimentos, de orientações aos usuários, exclusivo para Covid-19, tudo isso foi um desafio diário, que nos fortalece diariamente e nos motiva a seguir em frente. Vai ficar tudo bem”, conclui a enfermeira.

Família de enfermeira Lampert
(Foto: Arquivo Pessoal)

Família de enfermeiras

Conheça Jéssica Lampert, Ariele Lampert e Iveti Lídia Lampert. Mãe e filhas gêmeas que têm a mesma profissão: enfermeiras. Jéssica é enfermeira aqui em Livramento e falou um pouco de como foi a escolha da profissão: “A escolha, pela enfermagem, veio através da admiração que tenho pela minha mãe, que até hoje, aos 63 anos, atua nesta área com responsabilidade e dedicação. Assim como minha irmã gêmea, que compartilha da mesma profissão, isso me faz querer também prestar um cuidado diferencial ao próximo, o que me causa um enorme sentimento de gratidão, me fascina e encanta poder ver um paciente evoluir mediante meus cuidados, é um sentimento inexplicável”, conta.
“A pandemia veio como um desafio para todos nós, principalmente profissionais da Saúde, rotina de serviços foram adequadas e atendimento de acordo. Com grande concentração de esforços e muito estudo para acompanhar e tratar a população com o máximo de responsabilidade e qualidade possível. Infelizmente, foi necessária uma pandemia para que a enfermagem tivesse maior reconhecimento e visibilidade social, porém, ainda temos muito a crescer como categoria profissional prestando cada vez mais cuidado de excelência aos pacientes”, finaliza Jessica.
Raquel Gadret Levy trabalha no Posto de Saúde, do bairro Simon Bolívar, e comentou como está o seu serviço neste momento: “Eu trabalho num posto de saúde/ESF e tivemos que cancelar todos os atendimentos. Recém agora, nesta semana, estamos voltando à rotina de atendimento médico clínico, sempre com cuidado pelas aglomerações. Temos que nos cuidar muito, principalmente agora que vem frio por aí. Temos que ter uma boa saúde, uma imunidade boa. Sempre usando EPIs. Quanto à escolha de ser enfermeira, creio que a enfermagem me escolheu. É um dom. É empatia, é ter cuidado com o ser humano seja ele quem for. Ajudar as pessoas sem esperar nada em troca, se doar, pois a recompensa vem de Deus e ali naquele momento de dor a única pessoa que o doente tem somos nós, enfermeiros”, conta.
Iana Cristina Haas Garcia também é enfermeira e passa por uma situação difícil, o medo de levar o vírus para seus filhos em casa: “Já passamos por diversas dificuldades, a citar como exemplo a ausência de materiais e insumos adequados para trabalhar. A pandemia me fez enxergar o ambiente de trabalho e a vida de uma maneira diferente. Pois, necessitamos modificar nossos comportamentos, readequar outros e ainda rever algumas ações cotidianas das quais por vezes, erroneamente, passavam despercebidas. Tenho horário para sair da minha residência, mas quase sempre não tenho horário para voltar. Sinto muito em ter de deixar meus dois filhos pequenos a minha espera, todos os dias, e sem saber ao exato como irei voltar. Temos que controlar muito nosso emocional e psicológico para que nossa família não sofra ainda mais com as consequências desta pandemia. É preciso muito estarmos preparados! E nem sempre estamos. Percebi grandes colegas e profissionais ao meu lado. Assim como aqueles que também não. É uma situação de muito aprendizado, profissional e para a vida”.

“Aquela enfermeira me marcou para sempre”

Iana Cristina Garcia (Foto: Arquivo Pessoal)

Iana seguiu os passos de seu avô: “Escolhi minha profissão através de meu avô que, hoje, já não está mais entre nós. Quando ainda estava a escolher minha profissão meu avô precisou ser internado em uma UTI, em quadro grave para tratamento de um câncer. Lá encontrei uma enfermeira que me tratou com muito amor e carinho, permitindo-me despedir de meu avô, quebrando o protocolo daquela instituição, na época onde não se permitia entrada de menores de 16 anos nas visitas de UTI. Aquela mulher me marcou para o resto de minha vida. Meu avô saiu da UTI e ainda esteve conosco por mais um ano. Já em casa, nos seus últimos dias de vida, meu avô ficou sob meus cuidados, de meu pai e de minha avó. Foi quando ele disse que eu deveria fazer a faculdade de Enfermagem e que ele sentiria muito orgulho da sua neta mais velha. Meu avô faleceu dias depois. E um ano depois precisei escolher que caminho seguir. E foi aí que escolhi a Enfermagem pois sabia que sempre haveria um anjo a me guiar em todos os passos da minha profissão: meu avô”, finaliza Iana.

Grupo de atendimento da zona rural, liderado por Raquel Gradet (Foto: Arquivo Pessoal)

João Victor Montoli
joaovictor@jornalaplateia.com