Eis a Questão! – Jurema Luz – 02/05/2020

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O voo da galinha

Eu não conhecia esta expressão, escutei-a há pouco e quando digo pouco, refiro-me há uns dois ou três meses. Achei superinteressante porque me identifiquei por demais com ela. Eu sou assim. Quando vou dar um voo partindo do telhado do galinheiro, me sinto um Boeing, um supersônico, até pousar logo ali, no poleiro mais próximo, a uns 2 metros do ponto de partida. Traduzindo para nossa realidade: quando tenho uma ideia, acho super, megafácil e acessível até me sentar e colocar os pés no chão.
Uma vez escutei um rapaz dizer: “Ah, em pensamento posso ser o que quiser, até a rainha da Inglaterra”. Na hora eu pensei: credo, que coisa mais idiota de se dizer. Mas, agora, fazendo um paralelo com o voo da galinha, é verdade. Fiquei me imaginando sendo a Rainha da Inglaterra, acordando de manhã, com a governanta descerrando as cortinas e colocando os jornais perto de mim… Credo, não vai se levantar, lavar a cara, ir ao banheiro, fazer o que qualquer ser normal faz quando levanta? Ok, estou voltando do banheiro e sento-me a uma mesinha auxiliar com meu desjejum – claro, como sou a rainha da Inglaterra o meu quarto tem o tamanho duplicado do meu apartamento atual – e na “mesinha auxiliar” apresentam-se todos os tipos de sucos, chás e cafés. “Este café é proveniente de onde? Da Colômbia ou do Brasil?” “Desculpe, Rainha, mas com a pandemia este café é nacional. Arghh, não quero, obrigada”. E por aí vai meu desvario… Até que caio na real, e ao invés de jornais para ler tenho o meu celular cheio de notícias tão desagradáveis e tenebrosas como teriam os jornais fictícios.
E voltando para o meu voo da galinha, retorno ao meu projeto, agora sim, com os pés no chão e imaginando, de fato, como realmente será. E, começo a esmiuçar o projeto, pedaço por pedaço, momento a momento, tentando antecipar o seu sucesso ou o seu fracasso. E, suponho, que todos planos que fazemos, por mais simples que sejam, devem começar assim, tentando transformar o voo da galinha no voo dos patos americanos, aqueles que voam para norte por uns dois ou três mil quilômetros.
No entanto, a situação atual, não está nem para voo da galinha, nem para voo de patos, está mais para o andar da tartaruga. Um dia, quem sabe, saímos deste momento mais fortes que antes.