Seca prejudica mercado agropecuário

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“Essa é uma das piores secas das últimas décadas, estamos rezando para que passe logo” disse Luiz Carlos D’Auria Nunes

De olho no céu e na ponta da caneta. Assim está a rotina dos produtores rurais do município que já contabilizam inúmeros prejuízos com a seca. Mercados com preços abaixo do normal, vendas em ritmo lento e negociações de dívidas de custeio estão na pauta diária dos representantes do setor primário. O pior é que as previsões não são animadoras, com um inverno que está prestes a chegar com promessa de ser seco e frio. As incertezas só aumentam.

Para o produtor rural, a crise causada pela pandemia do Coronavírus pouco influencia no seu dia a dia, uma vez que o AGRO segue produzindo a todo vapor. Mas a estiagem, esta sim é motivo para noites sem sono. No caso da pecuária, por exemplo, tanto de leite quanto de corte, as tradicionais feiras de terneiros e novilhas de abril e maio estão em ritmo muito lento, pois com as pastagens afetadas pela estiagem os compradores não estão fechando negócio. Como explica o presidente da Associação e Sindicato Rural de Livramento, Luiz Carlos D’Auria Nunes.

“A nossa preocupação é que neste momento em vários municípios do Rio Grande do Sul se dão as feiras de terneiros. Nós, há vários anos não temos aqui em Livramento. Mas temos as vendas dos nossos produtores que lidam com pecuária de cria e fazem o ciclo completo. Nesta época eles vendem os terneiros e as vacas “vazias” (sem prenhes). E neste momento não está se tendo um mercado para isso. As vendas que estão sendo feitas são para frigoríficos onde os preços estão complicados. A grande diferença desta estiagem, para os anos anteriores é a sazonalidade, pois no mesmo período somente algumas regiões eram afetadas como o norte do estado por exemplo. Já neste período 2019/2020, todo Estado está sofrendo a falta de recursos hídricos. E por consequência, os compradores não estão tendo pastagens neste período. Não está existindo, hoje, um fluxo de mercado que também nos preocupa. Porque nos bancos, como é o caso do Banco do Brasil, a maioria dos produtores têm os seus vencimentos de custeio e investimentos praticamente concentrados entre os meses de abril e maio, que é o período de pós-safra. Então, o produtor não está vendendo e também não existe uma definição dos bancos para a prorrogação dos prazos de custeio e investimentos que já foram autorizados pelo governo federal”, disse.

Crédito Rural

O Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou a renegociação e a prorrogação de pagamento de crédito rural para produtores afetados pela seca e por dificuldades de comercialização em razão das medidas de isolamento social, necessárias para o enfrentamento da pandemia do coronavírus.

As instituições financeiras podem prorrogar o vencimento das parcelas de crédito rural, de custeio e investimento, vencidas ou a vencer, a partir de 1º de janeiro deste ano. A prorrogação será até o dia 15 de agosto de 2020. O volume de recursos será de R$ 65 milhões, com taxa de juros de até 6% ao ano para as agroindústrias familiares e as cooperativas de agricultores familiares; e de até 8% ao ano para os demais.

Também foi autorizada a concessão de crédito especial de custeio aos agricultores do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e aos produtores rurais do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor (Pronamp), cuja venda da produção tenha sido prejudicada pela redução da demanda.

O volume de recursos por produtor será de até R$ 20 mil, com taxa de juros de 4,6%, para o Pronaf; e R$ 40 mil, com taxa de juros de 6%, para o Pronamp. O prazo de reembolso será de até 3 anos.

 

Fique de olho

 

Durante a próxima semana, o Jornal A Plateia estará fazendo uma live em sua página no Facebook com a presença do gerente do Banco do Brasil da agência de Sant’Ana do Livramento para esclarecer todos os pontos referentes ao crédito rural. #EuViNaPlateia