Produtores Rurais temem que situação da estiagem se agrave nos próximos meses

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp

Sem a devida quantidade de água no solo, as pastagens de inverno foram prejudicadas pela seca e os pecuaristas buscam alternativas para contornar o problema

Sem chuvas regulares há mais de 4 meses no munícipio, os produtores rurais estão enfrentando uma das piores estiagem dos últimos anos. A estimativa, em algumas culturas, é de perdas milionárias com a quebra de safra. A reportagem do Jornal A Plateia foi até uma das propriedades do Cerro Chato para saber como os pecuaristas da região do basalto estão enfrentando este problema.
A Estância Santa Rufina, assim como todas as propriedades rurais daquela região estão sofrendo com a falta de água para os animais, visto que os poucos recursos existentes já estão quase secos, e o pasto ralo e queimado é insuficiente para manter os animais que necessitam de suplementação mineral.
Os minerais ajudam ainda a melhorar o sistema imunológico dos animais, deixando o gado mais resistente. – Sal mineral com ureia: é a alternativa de suplementação de menor investimento no período de seca. O objetivo é a manutenção de peso dos animais durante a estiagem.
O engenheiro agrônomo Rafael Nunes, responsável pelo rebanho da propriedade teme que a situação possa se agravar nos próximos meses com a chegada do inverno, que segundo os meteorologistas será frio e seco. “Um inverno sem chuva, frio e já vindo de uma seca é arrasador para qualquer tipo de campo. Então, não vem o rebrote, a geada vai torrar aquele pasto ralo que já está queimado. Aquela possibilidade de pasto de outono/inverno não vai vir. Então, simplesmente não vai ter o que os animais comerem. O mais correto, neste caso, é fazer um manejo com a suplementação. Por exemplo, aqui na propriedade a nossa ideia é ficar somente com as vacas de cria na medida do possível com a busca de alternativas com a silagem. Inclusive, já estamos em negociação para compra de feno para dar uma suplementação para essas vacas tenham o necessário para ali na frente poderem parir”, explica o agrônomo.
A região do basalto, onde a propriedade está inserida, possui algumas desvantagens em relação às outras áreas do munícipio, como, por exemplo, ser praticamente impossível a perfuração do solo para construção de bebedouros. Outro limitante é que a propriedade se encontra dentro da APA do Ibirapuitã e precisa seguir as normativas ambientais em sua produção. O cenário não é nada otimista, segundo o produtor, pois os meses sem chuva poderão afetar inclusive a fertilidade dos animais. “Tudo isso é um agravante. A estiagem está sendo ruim para todo mundo. Aqui na propriedade, por exemplo, as nossas vacas de cria deveriam estar em um estado corporal muito melhor para a entrada do inverno, pois elas irão parir no fim de agosto, início de setembro e se elas entraram nesta condição atual elas não ganham mais peso. Então, essas vacas se não tiveram nenhum tipo de suplementação elas terão problema na hora de parir, ou vão falhar, ou vai dar terneiro muito grande em vaca fraca, pode acontecer também desse animal cair e ainda tem a possibilidade do terneiro que nascer não ter leite para mamar por conta das condições das vacas. Então, nós estamos apenas no início, o problema vai ser daqui uns 60 dias ou mais” comenta.
Sobre o mercado de terneiro, tradicional nesta época do ano, a procura também está bem abaixo do normal. “Historicamente, a nossa propriedade desmama o terneiro a partir da segunda quinzena de maio e neste ano tivemos que fazer praticamente um mês antes, pois o gado já vinha sentindo. No mercado não há uma procura tão grande de terneiros, pois os compradores são os produtores de pastagem e neste ano por conta dessa seca as pastagens foram afetadas. Quem plantou no norte do estado agora que choveu lá, vai ter pastagens daqui 60 dias e a partir daí vai começar a colocar animais. Então é um efeito em cadeia que está acontecendo”, encerrou.

Texto e fotos – Matias Moura

contatomatiasmoura@hotmail.com