Lavouras de soja do município sofrem com falta de chuva

Atualmente Livramento conta com 60 mil hectares de soja com capacidade para dobrar sua produção através de investimentos em entradas

A soja vem ganhando cada vez mais espaço nos campos de Sant’ana do Livramento, áreas que eram utilizadas antigamente somente para a pecuária estão se tornando cada vez mais valorizadas por produtores que estão em busca de terras agriculturáveis. O segundo município em extensão do estado, de uns anos para cá viu sua pastagens e coxilhas serem transformadas em imensas lavouras de soja que já ocupam em torno de 60 mil hectares no munícipio. Uma cultura que ao longo do tempo representa um investimento de mais de 150 milhões em maquinário e produção, gerando centenas de empregos diretos e indiretos e girando a balança da economia.

No último sábado, o programa Panorama Agropecuário da Rádio RCC FM 95.3 recebeu dois representantes do setor, a produtora rural e corretora Mônica Nunes e o engenheiro agrônomo Fabrício Matos que presta atendimento há muitos produtores e conhece a realidade de quem produz bem de perto. Durante o programa vários assuntos foram abordados, entre eles as condições das lavouras que estão em estágio critico por conta da falta de chuva, pois este é o período de enchimento dos grãos da soja e ausência de umidade faz com que a planta não se desenvolva corretamente.

Programa Panorama Agropecuário sábado dia 15 de fevereiro ; Fabrício Dominguez , Matias Moura ( apresentador) Fabrício Matos e Mônica Nunes

Segundo estima o setor, se a questão da chuva não se normalizar em breve haverá uma quebra de cerca de 20% na safra. O que representa uma enorme perda aos produtores que na safra passada sofreram com o excesso de chuva no mesmo período do ano.  E as condições climáticas são apenas um dos problemas enfrentados pela classe produtiva da soja, assim como em outras culturas, a situação precária das estradas rurais dificulta bastante a produção sobretudo no momento da colheita, onde muitas empresas se negam a trafegar pelas estradas gerando assim mais uma dor de cabeça aos produtores. “Essa é uma reivindicação de toda a nossa classe. É inadmissível a gente produzir e não ter como tirar a produção. Santana do Livramento é uma terra muito boa, com áreas propicias para a soja só que muitos investidores no momento que vem conhecer a terra acabam não fechando negócio por conta das péssimas condições da estrada. Precisamos de investimentos urgente, se não o município vai continuar perdendo pessoas e empresas que querem produzir aqui no município.” destacou a corretora.

Também esteve participando do programa o Engenheiro Agrônomo Fabricio Dominguez diretor operacional da Vinícola Almandén que destacou que ao contrário da soja, a uva se desenvolve muito bem com o tempo mais seco e que a estimativa de produção da vinícola neste ano é ultrapassar os 4 milhões de quilos da fruta durante a colheita. O que em litros de vinhos produz aproximadamente 3,5 milhões de litros.

 

Soja: consultoria prevê quebra no RS e reduz estimativa para safra do país

Os problemas causados pela seca no Rio Grande do Sul devem gerar um corte de quase 11% na safra do estado. O Brasil, no entanto, ainda deve colher safra recordeA consultoria Safras & Mercado prevê que a safra de soja 2019/2020 do Brasil deve atingir um recorde de 123,5 milhões de toneladas. Isso significa um incremento de 3,6%, ante a safra anterior, que segundo a consultoria foi de 119,3 milhões de toneladas. O relatório divulgado  mostra que os problemas causados pela seca no Rio Grande do Sul devem gerar um corte de quase 11% na safra do estado.

 

Apenas 5 estados, dos 17 acompanhados pela consultoria, devem apresentar uma produção menor se comparado à safra anterior: Santa Catarina (-2,1%), Distrito Federal (-4,8%), Bahia (-3%), Rondônia (-0,3%) e, o caso mais preocupante, o Rio Grande do Sul (-10,9%), já considerando uma quebra por conta do clima.

Os gaúchos devem produzir 18,2 milhões de toneladas nessa safra, segundo o relatório atual da consultoria. No anterior, de dezembro, a perspectiva era de 19,9 milhões de toneladas.

“A baixa umidade registrada na segunda quinzena de dezembro e início de janeiro em algumas microrregiões importantes do Rio Grande do Sul trouxe problemas para o desenvolvimento das plantas e as lavouras mais precoces foram as que mais sofreram. Parte das perdas é irreversível”, afirma o analista da Safras & Mercado Luiz Fernando Gutierrez.

E as perdas podem ficar ainda maiores, caso o clima não melhore nas próximas semanas, acredita o analista. “Se o clima não melhorar a quebra pode aumentar. As próximas quatro semanas serão decisivas para o estado”, conta.

Área e produtividade

A consultoria trabalha com uma área de 37 milhões de hectares, com aumento de 1,8% sobre o ano anterior e batendo novo recorde. No ano passado, a área ocupou 36,3 milhões de hectares. A produtividade está estimada em 3.354 quilos por hectare, superando o rendimento médio de 3.296 quilos obtido no ano passado.

Postato por Matias Moura – contatomatiasmoura@hotmail.com

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