ENERGIA SOLAR A LUZ QUE VEM, LITERALMENTE, DO CÉU

Desde 2015, as contas de luz dos lares do Brasil ganharam um elemento a mais. Pois é, estou falando das bandeiras tarifárias. Dispostas nas cores verde, amarelo e vermelho, as bandeiras indicam se haverá ou não um acréscimo nos valores repassados aos consumidores. Quando a bandeira verde aparece, o que é raro, significa que as condições de geração de energia estão favoráveis, portanto, a tarifa não sofre acréscimo. Isso quer dizer que as cerca de 7 mil e 500 usinas hidrelétricas brasileiras, de acordo com os dados fornecidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), estão operando com a sua capacidade máxima. A bandeira amarela já indica que algumas das 62 usinas termelétricas, sob responsabilidade do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), tiveram que ser empregadas por conta de diversos fatores. Um deles é a estiagem, que contribui para a queda no nível dos reservatórios das hidrelétricas. Com isso, o consumidor deve pagar a quantia de R$ 1,34 a mais para cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. Já a verm e l h a , uma das mais comuns, vem com um bônus, ela possui dois níveis diferentes. Ambas são empregadas quando há uma grande dificuldade de gerar energia nas termelétricas, mas a de Patamar 1 adiciona R$ 4,16 por 100 kWh consumidos. A de Patamar 2, por sua vez, soma R$ 6,24 a cada 100 kWh. Dito isso, já podemos ter uma ideia de que, mesmo que durante o ano a bandeira amarela apareça mais vezes, nós continuamos pagando caro pela nossa luz. Algumas soluções para este problema podem estar nas energias renováveis, tanto a eólica, que deve ganhar o seu espaço nesta coluna em breve, quanto a solar, podem ser a saída para quem deseja pagar menos. Para a instalação dos painéis fotovoltaicos, popularmente conhecidos como placas solares, deve-se primeiro fazer um estudo sobre o consumo de energia do local que vai receber esses equipamentos. Posteriormente, ocorre a instalação. De acordo com um levantamento realizado com algumas empresas da cidade que fornecem este serviço, em cerca de cinco anos este investimento “se paga”. Mas, como uma placa no telhado consegue abastecer uma casa, por exemplo?

CAPTAÇÃO

Após a instalação, a captação é o ponto de partida do sistema. Os painéis que, normalmente possuem uma área de 2m² e pesam pouco mais de 20kg, são formados por 72 células fotovoltaicas capazes de converter a irradiação solar em energia contínua. Tudo isso é favorecido pela composição das placas que, entre outros elementos, são compostas por silício e germânio, ótimos condutores
de energia. Entretanto, essa corrente contínua não pode ainda ser utilizada na rede. Isto porque, a rede doméstica brasileira é de corrente alternada de 220 V em uma frequência 60Hz dimensionada para alimentar os equipamentos eletroeletrônicos produzidos aqui. Isso significa que esta energia captada no primeiro momento está na forma “bruta’’. O que nos leva às próximas etapas.

POTÊNCIA E DISTRIBUIÇÃO

Cada painel gera em torno de 40 V e a corrente depende da quantidade de luz solar disponível no momento. Portanto, a cada segundo a corrente gerada oscila em níveis diferentes, mas vale lembrar que, o sistema de uma casa utilizará mais de um painel e, desta forma, a potência total do sistema de cada construção será o resultado da soma do que é gerado por todos os painéis. Depois da captação pelas placas, essa corrente contínua, a energia “bruta”, por assim dizer, desce para um equipamento chamado inversor. Essa energia é transportada através de um sistema de cabos especificamente produzidos para suportar altas temperaturas e também uma grande carga de corrente contínua. Já no inversor, a corrente contínua torna-se alternada, sob as mesmas especificações da fornecida pela concessionária de energia elétrica. Feito isso, a energia gerada pelas placas já pode ser utilizada efetivamente para abastecer a casa. Quando recebi essas informações, logo pensei: como a energia é gerada em dias de chuva? E durante a noite, a casa fica sem luz”? Pois bem, para essas perguntas, surgem duas situações. A primeira ocorre, geralmente, ao meio dia, por exemplo, quando a geração de energia atinge o seu ápice, desta forma, o que o usuário não consome, é transferido para a rede da concessionária. Já a segunda situação, é em momentos como os dias de chuva e o período da noite, quando a produção de energia pelo sistema é baixa ou nenhuma. Sendo assim, o cliente usa a energia fornecida pela rede da concessionária, mas, praticamente, sem custo, pois ao haver excedente, como no caso do meio dia, ganha-se uma espécie de “créditos” para quando necessitar. Dito isso, mesmo que esta forma de geração de energia esteja em uma crescente no Brasil, ainda falta um investimento maior por parte do governo para que o país gere uma energia mais limpa e barata. Tudo isso observando que a vida útil de um painel é de mais de 30 anos, sendo que, alguns fabricantes, garantem que em 25 anos o equipamento ainda gera, pelo menos 85%. O que pode ser o argumento que faltava para você que está pensando em deixar de pagar um absurdo todo o mês.

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