Reportagem especial - Situação do maquinário Curralão

Reportagem confere as condições do maquinário utilizado pelas secretarias , obras, serviços urbanos e agricultura. A maioria dos esquipamentos está parada por falta de peças e manutenção.

Publicado por Jornal A Plateia Livramento em Sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Parque de máquinas ou ferro velho?!

Condições do parque de máquinas do município: no pátio do “curralão” tratores, escavadeiras hidráulicas, caminhões, caminhonetes, motoniveladoras e outros equipamentos parados por falta de peças ou manutenção

A frase “uma imagem vale mais do que mil palavras” pode ser aplicada nesta reportagem. Tire um minuto do seu tempo antes de ler o texto e observe atentamente as fotos registradas pelo fotógrafo do Jornal A Plateia, Marcelo Pinto. À primeira vista, a gente tem a impressão de que as cenas são de algum ferro velho do município, mas, pelo contrário, os veículos ou carcaças dos veículos que aparecem na imagem fazem parte do parque de máquinas da Prefeitura Municipal que é utilizado, ou deveria ser utilizado, principalmente pelas Secretarias de Obras, Serviços Urbanos, Trânsito e Agricultura. Este é um problema que se arrasta há décadas, passando por diversas administrações ao longo dos anos, e o discurso sempre é o mesmo: falta de recursos e investimentos. É bem verdade que a burocracia e falta de articulação política muitas vezes impera, mas, é necessário deixar de lado as siglas partidárias e pensar mais nas condições precárias de muitas ruas dos bairros e estradas da cidade que necessitam de uma manutenção regular e pelo fato de três motoniveladoras estarem paradas por falta de peças, o serviço não é realizado.
E o que falar de duas escavadeiras hidráulicas paradas no pátio faltando peças e sem utilização há mais de um ano? Máquinas que pesam em torno de 22 toneladas e possuem grande força de escavação para trabalhar em ciclos operacionais curtos, equipamentos de estrutura extremamente robusta com baixa manutenção e longa vida útil (segundo informações do fabricante) e tem um custo estimado de 500 mil reais. Maquinário que é utilizado em “balastreiras” e outros tipos de serviço, e que, infelizmente, estão sem operacionalização.

Uma dela é a famosa máquina que caiu no “Batuva” durante uma operação de limpeza de algas no lago, no governo Glauber Lima (PT). Máquina que foi recuperada após o incidente, e que estava em serviço até o início do ano passado quando teve problema em uma bomba durante um serviço no bairro Jardins Plátanos, já no governo Ico Charopen (PDT). O custo inicial para recuperar o equipamento era de 40 mil reais com a recomposição da peça, só que o problema se agravou mais ainda, pois, a escavadeira ficou abandonada ao relento por quase 8 meses e sofreu todo o tipo de vandalismo como vidros quebrados, parte elétrica furtada e outros danos até ser resgatada e levada para o pátio do “curralão”. Atualmente, segundo um dos mecânicos da Prefeitura para recuperar o maquinário e deixar em perfeitas condições será necessário um recurso de aproximadamente 200 mil reais.
O que dizer ainda de duas motoniveladoras que, segundo informações repassadas para nossa reportagem, foram emprestadas para dois municípios do RS e retornaram para Livramento inutilizadas, com pneus furados, vidros quebrados e sistema elétrico danificado. Equipamento que no mercado custa, em média, 390 mil reais (segundo o site Mercado de Máquinas). Hoje, para recuperação das duas máquinas será necessário, aproximadamente 100 mil reais cada. Sem falar em uma terceira motoniveladora que também está nos “toco” como dizem os mecânicos.

Ainda existe no pátio do “curralão”, caçambas, tratores, camionetes, caminhões, que estão sem utilização pelos mais variados problemas, tais como: falta de peças que foram tiradas para arrumar outros veículos, caminhão sem documentação, etc. Já na oficina a situação também é bastante crítica, onde faltam ferramentas apropriadas para a manutenção dos veículos.
Também existe uma quantidade muito grande de “ferro velho” no interior do parque de máquinas, são carcaças inteiras de automóveis, caminhões, tratores que estão lá sem nenhuma utilidade aparentemente contribuindo para a proliferação de todo o tipo de insetos, como mosquitos e causando danos ao meio ambiente.

Durante a visita ao parque de máquinas, a nossa reportagem foi acompanhada pelo secretário de agricultura Pedro Nunes e pelo mecânico Alex que foi descrevendo a real situação do maquinário. Para o secretário, a situação do maquinário é bastante complicada, pois, seria preciso um investimento na casa do milhão para recuperação de, pelo menos, parte dos equipamentos que estão parados. “Sabemos que esse problema não é de hoje, e sim de décadas. Muitos governos se passaram. Mas, desde que assumi estamos buscando trabalhar com os equipamentos que temos, é bem verdade que o município trabalha com orçamento apertado e, neste sentido, a prefeita Mari tem tentado de todas as formas buscar recursos. Inclusive em Brasília nesta semana. Estamos trabalhando graças à parceria dos produtores que têm fornecido inclusive óleo para as máquinas. Infelizmente, não é da forma que a gente gostaria. Mas estamos colocando nas ruas e estradas o maquinário que temos à disposição” disse.

Matias Moura
matiasmoura@jornalaplateia.com

Grupo Aplateia

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