Insegurança no campo – “Isso aqui era um paraíso”

Família na região da Tafona sofre assalto com ação violenta de criminosos se passando por policiais civis

Era só mais uma noite tranquila de verão em uma propriedade rural na região da Tafona, em Sant’Ana do Livramento, quando de repente a calmaria se transformou em momentos de terror para uma família de produtores rurais. Tudo por conta da ação de um grupo criminoso que se passou por policias civis para cometer um assalto e levar pânico aos moradores. A reportagem do Jornal A Plateia esteve no local, conversou com o proprietário da área e com uma funcionária que estava presente no momento da ação.
O local que fica bem próximo à cidade possui uma paisagem linda com vista longe da estrada e dos cerros que rodeiam a região com uma beleza singular e um ar de tranquilidade que, infelizmente, foi quebrada naquela noite.

Era por volta das 22 horas de segunda-feira, dia 20 de janeiro, quando os criminosos chegaram no local e começaram a bater palmas na frente da porteira, foi quando o caseiro saiu para ver quem era, neste momento homens vestindo camisetas da Polícia Civil apresentaram um papel dizendo que teriam um mandado de busca na propriedade por denúncia dos vizinhos e conseguiram ter acesso ao interior da propriedade “A gente já estava se preparando para deitar, foi quando ouvimos as palmas lá na frente. Meu marido levantou, ele estava inclusive de calção e assim foi lá ver quem era. Eles se identificaram como polícia civil e que havia tido uma denúncia dos vizinhos sobres tiros na propriedade. Eles pediram para entrar, e como quem não tem mal em si, não pensa mal de ninguém. Permitimos que eles entrassem. Aí eles começaram a procurar coisas dentro de casa, o que eles estavam querendo ainda a gente não sabia. Eles arrombaram a casa do patrão e reviraram tudo inclusive o que era meu” disse a funcionária.
Ao todo eram seis criminosos que participaram do assalto, eles estavam armados com pistolas e vestidos com camisetas da Polícia Civil e em determinado momento começaram a agir de forma mais violenta. “Ataram o meu marido e deram um pontapés nele, já o outro rapaz que estava aqui com a gente foi mais agredido. Também amarraram ele e deram uns chutes. Eu nunca imaginei passar por uma coisa dessas. Isso a gente estava acostumada somente a ver na televisão” disse ela.

Depois de amarrar os homens que estavam na casa, o grupo trancou as mulheres em uma peça da casa. Logo após, fugiu do local levando uma grande quantidade de objetos, entre eles televisão, celulares, roupas camufladas, muitas peças de arreios além de facas e outros pertences. Ação durou aproximadamente 2 horas. “O medo era tão grande que a gente ficou ali dentro de casa, depois de passado um certo tempo o rapaz conseguiu se soltar, arrombou a porta e nos tirou de lá. A gente saiu a pedir socorro para um vizinho e conseguimos ligar para a polícia. Não demorou muito a Patrulha Ambiental da Brigada chegou aqui. A gente não imagina quem são essas pessoas, sempre vivemos tranquilos, todo mundo nos quer bem. Aqui é um paraíso, ou pelos menos era até segunda-feira”, desabafou a funcionária.

O coronel aposentado e médico veterinário Antônio Paulo, comprou a área em 1975, quando ainda servia nas fileiras do Exército Brasileiro, com o objetivo de ter um lugar tranquilo para descansar e passar momentos agradáveis com sua família. O coronel diz que, em 45 anos, nunca teve este tipo de problema, mas alerta aos moradores da zona rural que hoje os tempos são outros e é preciso tomar certos cuidados para evitar este tipo de ação. Aqui é uma região boa, todo mundo se conhece e, principalmente, ajuda um ao outro. Infelizmente aconteceu, e a gente lamenta muito. Mas fica de aprendizado. Quem mora na campanha precisa se preparar, colocar câmeras e tomar outros cuidados como, por exemplo, não abrir espaço para este tipo de ação. Hoje em dia essa situação é muito séria, e esses criminosos vão seguir agindo. A gente confia no trabalho da polícia e espera que em breve esses elementos estejam no lugar aonde eles merecem que é na cadeia.

“Estamos trabalhando na investigação deste crime”

A reportagem conversou com a delegada regional, chefe da 12ª Delegacia da Polícia Civil, Ana Tarouco, que está à frente das investigações. Segundo ela, essa é uma prática que já vem acontecendo em outras regiões do Estado e do País, mas que aqui na fronteira ainda não era comum. Embora algumas linhas de investigação já foram tomadas, a delegada, destaca que a população também dever fazer a sua parte tomando os devidos cuidados para evitar este tipo de ação. “Desde que nós tivemos acessos aos fatos, já estamos trabalhando. Esse é um trabalho de difícil elucidação por várias questões; por envolver horário; por ser na zona rural e o número de integrantes desse grupo. Mas estamos trabalhando para chegar à autoria desse crime. Isso não é algo novo no Estado, inclusive envolvendo casos de extorsão por parte de pessoas se passando por policiais, mas aqui na região, sim. Essa não é a forma de agir da polícia. Dificilmente a Polícia Civil cumpre algum tipo de mandado de prisão à noite, até porque temos uma legislação a cumprir e ainda mais agora com a lei de abuso de autoridade que dificulta ainda mais essa ação. Esse fato específico, por exemplo, serve de alerta para os moradores da zona rural que existem essas pessoas se passando por policiais. Então, é importante que a comunidade fique atenta e qualquer postura ou ação suspeita entre em contato conosco” destacou.

Matias Moura | contatomatiasmoura@hotmail.com

Grupo Aplateia