Prefeita anuncia novo gestor para Santa Casa

Valmir Silveira já foi acusado por uso irregular de verbas públicas

Na tarde de ontem (17), a prefeita Mari Machado anunciou durante reunião com médicos da Santa Casa de Sant’Ana do Livramento, o novo gestor do Hospital, Valmir Rosa Silveira, ex-Secretário de Saúde do município.
Na oportunidade, a prefeita também informou o pagamento da folha de dezembro de 2019, dos médicos e funcionários da Santa Casa. Além dos anúncios, foram tratados diversos assuntos pertinentes à categoria e ao bom andamento hospitalar.
Participaram da reunião: o Secretário da Saúde, Sérgio Aragon; Dr. João José Freitas, diretor clínico da Santa Casa; acompanhado dos médicos, Dra. Alina Macedo, Dr. Marcelo Cunha, Dra. Ieda da Silva e Dr. Felipe Vieira.

Quem é o novo gestor da Santa Casa?

Valmir Rosa Silveira, natural de Cruz Alta, casado, 57 anos de idade, técnico em Contabilidade, economista, pós-graduado em Gestão Hospitalar pelo IACS (Instituto de Administração Hospitalar e Ciências da Saúde-POA); Servidor Público Municipal concursado no cargo de Agente Administrativo Especializado (aposentado); foi Presidente do Sindicato dos Municipários de São Luiz Gonzaga (SLG); Secretário Municipal da Fazenda de SLG; Secretário do Hospital de SLG; Secretário Municipal de Administração de SLG; cedido ao município de Bossoroca, também exerceu o cargo de Secretário Municipal da Fazenda; cedido ao município de Sant’Ana do Livramento quando foi Secretário Municipal da Saúde durante 07 anos e 10 meses; duas vezes cedido ao governo do Estado RS, onde exerceu o cargo de Diretor Administrativo-Financeiro; Diretor Superintendente e Diretor de Hidrovias da Superintendência de Portos e Hidrovias-SPH (antigo DEPREC); e há pouco foi o Secretário Municipal de Saúde de SLG(03 anos na função).

Razões das mudanças para Livramento

Em uma entrevista ao programa Jornal da Manhã, da Rádio Missioneira, na quarta-feira (15), o secretário municipal da Saúde, Valmir Silveira, trouxe os motivos que o levaram a deixar a pasta e assumir a Santa Casa de Misericórdia. Sua saída será oficializada na próxima segunda-feira, 20 de janeiro.
Segundo Valmir, o convite para assumir a intervenção do hospital de Sant’Ana do Livramento ocorreu por meio da prefeita, Mari Machado, devido ao afastamento do titular do cargo. Filiada ao PSB, Mari é correligionária de Valmir e acompanhou o seu trabalho durante sete anos em Sant’Ana do Livramento.
Além dos laços políticos e profissionais, Valmir também informou que razões familiares pesaram na decisão. No ano de 2019, ele perdeu a filha Carol Silveira, vítima de uma parada cardiorrespiratória que a deixou em coma por alguns meses e, apesar de muitos esforços, não foi possível salvá-la.
Segundo Valmir, o trabalho na saúde em São Luiz Gonzaga foi muito proveitoso e, ao longo dessas duas gestões da atual coligação, foi encaminhada uma boa estrutura. As finanças de sua pasta também estão em ordem, assim como novos serviços foram implantados.

Reunião aconteceu na sexta-feira (17). (Foto: Ascom)

Bloqueio de recursos por prejuízo a hospital

Em 2016, a Justiça Federal decretou a indisponibilidade dos bens do ex-prefeito Wainer Vianna Machado (PSB) e do ex-secretário de saúde de Sant’Ana do Livramento, Valmir Silveira. Eles foram acusados de uso irregular de verbas públicas pela liminar da 1ª Vara Federal do município.
O juiz federal substituto Fabiano Henrique de Oliveira aceitou o pedido do Ministério Público Federal e decretou a indisponibilidade dos bens da dupla em um montante de R$ 4,3 milhões. A decisão era liminar e o mérito da ação civil pública de improbidade ainda foi analisado pela Justiça Federal. Cabia recurso ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região.
Além deles, o Ministério Público Federal (MPF) também denunciou dois gestores da Santa Casa de Misericórdia. O hospital teria contratado pessoal para prestar serviços sem licitação.
O ex-secretário Valmir Silveira defendeu que os programas teriam sido realizados por meio de parcerias realizadas com entidade sem fins lucrativos. Já o ex-prefeito Wainer Vianna Machado argumentou que a contratação de laboratório para a realização de exames teria ocorrido sem procedimento licitatório em função da publicação de um decreto fixando a tabela de preços a serem pagos pelas prefeituras.
Os administradores da instituição hospitalar asseguraram desconhecer irregularidades na execução do convênio celebrado com o município. Todos os acusados, na época, foram notificados sobre a decisão. A medida visava garantir recursos para cobrir prejuízos ao hospital, que já tinha sido alvo de intervenção municipal no ano de 2015 devido à grave crise financeira.
Até o fechamento desta edição, a reportagem tentou entrar em contato com Valmir, mas os telefonemas não foram atendidos.

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