O campo pede socorro!

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Segundo informações repassadas a nossa reportagem pelos produtores, as perdas com ação dos criminosos vão desde furto de animais como bois, vacas e cavalos à ataque a residências

O dia a dia no campo não é nada fácil. Por vários fatores que vão desde as condições das estradas rurais ao custeio de produção, às variações climáticas e, o mais preocupante de tudo, à falta de segurança em algumas localidades.

De um lado os produtores que veem o fruto do seu trabalho ser constantemente subtraído pela ação de criminosos que estão cada vez mais audaciosos e aproveitam a grande extensão de terras do nosso município para cometer furtos de animais até mesmo à luz do dia. De outro, a polícia que trabalha com todos os esforços e recursos possíveis para tentar identificar esses criminosos que causam um enorme prejuízo financeiro, desestimulando o trabalhador rural cada vez mais. Embora as operações da Brigada Militar e da Polícia Civil com apoio da Polícia de Rivera tenham se intensificado nos últimos anos, o problema persiste e acontece em todas as regiões.

No início deste semana, a nossa reportagem recebeu uma série de mensagens de ouvintes da Rádio Rcc FM e leitores do Jornal A Plateia relatando essa problemática. Uma delas descreve o terror vivido por quem produz. “Todos reconhecem os enormes esforços realizados pela Brigada Militar e Polícia Civil, mas, infelizmente, não estão sendo suficientes. Aqui, na Coxilha Negra está um inferno!!!! Tenho que fazer ronda pelos aramados todas as noites. Às vezes até às 2h da madrugada!!!! Assim é terrível. Depois de trabalhar todo dia temos que fazer ronda de noite. No dia 18 dezembro levaram 40 ovelhas /borregas de perto da casa…um rebanho de 135 animais, da noite para o dia ficou em 95…. Assim não dá! Pedimos para as autoridades para olhar com mais nitidez esse problema do abigeato. Acredito que os rebanhos ovinos de Sant’Ana do Livramento estão em ritmo de decadência. E, talvez, o principal motivo seja o ABIGEATO”, escreveu um pecuarista.

Outro produtor disse que foi obrigado a terminar com seu rebanho por conta dos furtos constantes: “Aqui, nos Galpões nos roubaram 53 ovinos no ano passado e nesse, 74, de uma pegada. Terminei o rebanho ovino, fiquei com 80 na volta das casas, só! Encerrando e fazendo ronda seguido. Fora o gado que roubaram. Quando falam em ovinocultura como alternativa no município acho graça. Estimulam prejuízo. Perto de assentamento, então, é chamariz. De tanto roubarem acabei com a criação. Ou melhor, deixei 15 para consumo. Duraram uma semana. Sumiram. Hoje não tenho nem pra remédio. Esta história é igual em quase todo o município. São milhares de hectares com potencial sem utilização. Teria que haver uma reação em massa igual a esta de mais de 30 pessoas de uma região pequenininha. Este ano tem eleição. Vamos lembrar daqueles que teriam a obrigação de nos apoiarem. Este abaixo assinado vou disponibilizar também para a imprensa. Tem que se colocar pressão. Os fazendeiros estão pedindo socorro”.

Em maio de 2019, por exemplo, os produtores rurais da região do Ibicuí de Sant’Ana do Livramento realizaram um abaixo assinado com mais de 30 assinaturas cobrando uma solução das autoridades, o documento diz o seguinte: “As pessoas abaixo qualificadas, todos produtores rurais do 3º distrito do Ibicuí, município de Livramento, subscrevem em conjunto o presente instrumento rogando providências das autoridades e setores representativos da classe, porquanto contidamente e sistematicamente suas propriedades rurais e semoventes violados por transgressores com invasão e dilapidação do patrimônio imóvel bem como o roubo , subtração e mutilação de animais.

O vilipêndio do patrimônio alheio urge por uma atuação mais consistente dos nossos setores corporativos responsáveis pela segurança, os órgãos de classe devem nos ajudar nesta tarefa, haja vista que não é possível que semanalmente um produtor seja prejudicado.

Entre as medidas que entendemos necessárias e vitais para uma segurança mais efetiva, encontra-se a possibilidade de registro de ocorrência presencial (atualmente apenas via internet) maior fiscalização em açougues, barreiras policiais nas estradas vicinais, rondas noturnas e maior integração entre a polícia civil e militar.

Achamos de fundamental importância temos na cidade uma delegacia especializada em abigeato pois o setor atual não tem meios e pessoal para a investigação. Além disto, apelamos as nossas lideranças para pressionar os legisladores para que as sanções penais sejam mais rígidas no que concerne a qualquer ação em relação ao abigeato, aproveitando o pacote anticrime do ministro Sérgio Moro.

Atualmente, como é sabido de todos, os abigeatários, mesmo que pegos em flagrante, são minimamente penalizados quando não levados à delegacia e saem antes mesmo dos policiais militares que os detiveram, o que desmoraliza e desmotiva a autoridade policial e estimula a bandidagem pela certeza da impunidade.

Ante o exposto, rogamos uma atuação mais robusta das autoridades policiais bem como suplicamos auxílio do Sindicato, Federação e dos setores políticos para que nos auxiliem nas providências cabíveis para estancar esta vazão dilapidatária patrimonial que vem ocorrendo, sistematicamente, no 03º subdistrito do município de Livramento – 10 de maio de 2019.
Ações de combate aos crimes rurais

Uma das ações realizadas pela Brigada Militar para tentar amenizar os problemas dos crimes rurais é a Operação Avante Rural desencadeada na região da Campanha e Fronteira Oeste. Durante dez dias, o efetivo móvel de Brigadianos realizou ações de prevenção e combate aos crimes rurais, entre eles o abigeato, que é a principal preocupação dos produtores, além de demostrar que a Brigada Militar está presente também no interior

Os números registrados durante a operação em 2019 demostram uma diminuição de 65% das ocorrências no período se comparado a 2018, e o grande diferencial deste ano foi o implemento das visitas às propriedades, além de estabelecimentos comerciais como açougues e pequena mercearias. Além do trabalho diário que é realizado no interior do município por meio dos policiais que compõem a unidade da Patrulha Rural e das operações em conjunto com a Polícia Civil e com a Policia de Rivera.

Números de abigeato no RS
Segundo dados do site www.seguranocampo.com, o Abigeato representa 70% dos crimes agropecuários cometidos no Rio Grande do Sul, em 2016 mais de 10 mil ocorrências foram registradas no estado e o prejuízo com as ações dos criminosos estão estimados em mais de R$ 200 milhões de reais.
Com o trabalho da Força Tarefa da Polícia Civil do estado por meio da atuação das Delegacias Especializadas, as ocorrências tiveram uma queda de 23,5% em 2016, de 25,5% em 2017 e um recuo de 30% no primeiro bimestre de 2018, em relação ao mesmo período do ano anterior.
Em dois anos de atuação, a força policial desarticulou 26 organizações especializadas em abigeato e prendeu 198 criminosos, recuperou 963 bovinos e 29 veículos, apreendeu 78 armas e mais de 40 toneladas de carne (dados de fevereiro de 2018).
Os crimes agropecuários não lesam apenas os produtores rurais. O abate clandestino e o comércio ilegal representam evasão fiscal. Além disso, o abigeato mostra crueldade em relação aos animais, muitas vezes abatidos vivos, doentes ou vacinados, o que representa risco à saúde pública.

Matias Moura | contatomatiasmoura@hotmail.com