Incêndios na Austrália devem favorecer exportações de carne bovina brasileira

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp

Fogo afetou a pecuária de corte e tende a prejudicar o desempenho australiano no comércio internacional de carne e boi

Os incêndios que atingem a Austrália podem favorecer as exportações brasileiras de carne bovina para a Indonésia e também os embarques de gado vivo, segundo o diretor da Scot Consultoria, Alcides Torres. “Estes incêndios são cíclicos, mas o fogo afetou a pecuária de corte e tende a prejudicar o desempenho australiano no comércio internacional de carne e boi”, afirmou ele.

Torres lembra que, por causa do seca nos últimos anos, o país já vinha perdendo competitividade. Para ele, a especulação no mercado também pode influenciar positivamente as vendas do Brasil. Estimativas da Federação Nacional de Fazendeiros divulgadas pela imprensa australiana indicam que desde setembro uma área de 6,3 milhões de hectares foi queimada, causando a perda de 100 mil cabeças de gado.

O head de agronegócios da Criteria Investimentos, Rodrigo Brolo, acrescenta que os australianos são importantes fornecedores de carne bovina para o Japão e os Estados Unidos, países com os quais o Brasil negocia abertura de mercado. “Sem dúvida alguma este fator (comprometimento da produção australiana de carne) pode ajudar o Brasil a conquistar esses mercados”, avalia o especialista.

 

 

A possibilidade de incremento nos embarques de carne brasileira para a Indonésia, país hoje abastecido pela Austrália, e de comercialização de gado vivo, segmento em que o Brasil também concorre com os australianos, impulsionou os ativos ON da Minerva Foods na sessão desta terça-feira, 7 de janeiro – chegaram a subir 4,58%, liderando as altas das empresas do setor de carnes na B3.

No fim de agosto de 2019, o governo indonésio liberou a importação de carne bovina de dez frigoríficos brasileiros e, na época, a Minerva anunciou que tinha cinco plantas habilitadas a exportar para lá. Estão instaladas em José Bonifácio (SP), Rolim de Moura (RO), Araguaína (TO), Mirassol d’Oeste (MT) e Palmeiras de Goiás (GO).

Ainda no segundo semestre, os primeiros embarques para o país foram realizados. As ações JBS também reagiram e, no fim do pregão, os papéis ON marcaram alta de 1,79%. Brolo diz que a tendência seria de baixa por causa da venda da participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social Participações (BNDESPar) por meio de uma oferta pública de distribuição secundária de ações (“follow on”).

Para o segmento brasileiro de gado vivo, a tragédia na Austrália pode trazer recuperação. Em 2019, os embarques de animal em pé perderam ritmo com o incremento das exportações de carne bovina. Dados da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) divulgados na sexta-feira, mostram queda de 25% nos embarques do segmento em 2019, para 583 mil cabeças, ante 778 mil registradas em 2018.

Segundo Ricardo Nissen, assessor técnico de Bovinocultura de Corte da CNA, a grande redução foi nas vendas para a Turquia, de 540 mil cabeças em 2018 para 230 mil em 2019. Alguma reação neste mercado também pode beneficiar a Minerva, maior companhia do Brasil que atua no segmento.

Conforme o comunicado da Minerva divulgado em agosto, com aproximadamente 260 milhões de habitantes, a Indonésia se destaca como um dos maiores mercados consumidores de carne Halal no mundo. Em 2018, a Indonésia foi responsável pela importação de aproximadamente 150 mil de toneladas de carne bovina, sendo a Austrália responsável por suprir cerca de 40% deste total.

Este site utiliza cookies para melhorar o desempenho e entregar uma melhor experiência de navegação para você, além de recomendar conteúdos do seu interesse.
Saiba mais em Política de Privacidade

ACEITAR
Aviso de cookies