RETROSPECTIVA 2019 – NA VISÃO DE – Cleizer Maciel

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Os bastidores das reportagens mais marcantes para os repórteres do Jornal A Plateia em Sant’Ana do Livramento e Rivera nesse ano

O fim do ano chegou e com ele a possibilidade de se fazer uma avaliação do que passou. Todos os anos, o Jornal A Plateia apresenta aos seus leitores uma retrospectiva como forma de relembrar os meses para o jornalismo santanense. Em 2019, a retrospectiva será um pouco diferente.
Cada um dos repórteres do Jornal mostrará os bastidores de alguns dos fatos mais marcantes aos profissionais e que, com certeza, impactaram no cotidiano daqueles que vivem na Fronteira da Paz.
Neste primeiro fim de semana, o repórter Cleizer Maciel é o primeiro entrevistado. Com quase duas décadas dedicadas ao jornalismo e à reportagem de rua, contando – muitas vezes – em primeira mão o que acontece em Sant’Ana do Livramento:
“Eu faço parte de um grupo de profissionais que aprendeu que o fato não acontece na Redação. Não existe notícia criada e gerada no entorno de uma Redação. Com profissionais que já tinham bem mais tempo de estrada do que eu, aprendi que a notícia se dá na rua e ela, às vezes, é muito chocante e se confunde muito com a nossa história”, relata.

O que é jornalismo para você?

“O jornalismo para mim é a ferramenta de transformação da vida das pessoas, significa possibilidade de retirar alguém de uma comunidade sem poder e sem voz e poder levar essa pessoa, levar a sua demanda e a sua necessidade para quem tem o poder de dar a solução. Tem que ser entendido que o seu papel social é muito mais importante que o próprio repórter cumpre naquele momento. Muito mais importante do que o jornalista é o fato que ele vai contar, a história que ele vai contar para as pessoas e a solução que ele vai poder dar para quem necessita”.

Acidentes de trânsito

O ano de 2019 já registrou 09 mortes no trânsito e, por isso, tem sido um ano bastante duro com relação a essas estatísticas. Embora elas tenham melhorado em relação a 2018, com 12 mortes – somente na zona urbana – no ano passado foram 10 mortes no trânsito em Sant’Ana do Livramento. Algumas mortes chocam pela imprudência, pela forma muito severa como algumas pessoas, bem jovens, foram retiradas do nosso convívio como é o caso relembrado por Cleizer. “Um dos fatos que me marcou muito este ano foi o atropelamento do menino Gabriel, não porque eu o conhecesse pessoalmente, pelo contrário, eu não o conhecia pessoalmente, mas conheço o pai, a mãe e também o seu algoz eu conheço já algum tempo”.
“O que me chocou é porque era um menino de 21 anos de idade, a idade do meu filho, e que estava chegando em casa depois de uma noite festiva e, na sequência, ia para o seu local de trabalho. Então, é mais ou menos o que pode acontecer com o meu filho que tem a mesma idade, que vai para as festas, baladas com os amigos e retorna para casa mais ou menos sempre no mesmo horário, entre 5h30 e 6h30”.

Emoção

Ao relembrar de como se sucederam os fatos, Cleizer se emocionou bastante, pelo fato de também ser pai de um jovem, também de 21 anos. “Então, quando tu te deparas com uma situação dessas tu não tens como separar o profissional. A gente só vai conseguir separar, muitas vezes, depois que chega em casa, que tu olhas para o teu filho e percebes que o filho de alguém não estará mais como o teu está”.
“Esse foi um fato que me marcou muito este ano. Naqueles dias, eu fiquei muito chocado, muito sentido porque eu olhava para o meu filho e via que podia ser o meu e é uma dor que eu não desejo para nenhum pai. Eu perdi um irmão mais velho, tinha 16 anos, era mais jovem também e eu lembro do sofrimento dos meus pais quando meu irmão faleceu e quando eu vi o pai e a mãe desse menino eu enxerguei neles o sofrimento do meu pai e da minha mãe há 35 anos. E, quando eu olhei para o meu filho eu vi toda a juventude que foi embora de forme bruta, numa coisa bruta, absurda, num atropelamento, sem prestar socorro. Ficou jogado à beira da estrada como um animal, sem valor algum”.

Relembrando o caso

Nas primeiras horas da manhã, após o trabalho do Instituto Geral de Perícias, o corpo foi retirado da beira da pista
(Foto: Arquivo/AP)

Justiça
Através deste caso, muitas questões vêm à tona, entre elas a forma de Justiça nos dias de hoje. “A gente começa a refletir sobre ter uma Justiça mais firme para esses casos, né. Ninguém está livre de passar por uma situação dessas, de ser um atropelador ou ser o atropelado. Mas, a gente só consegue avaliar o peso quanto tem um filho da mesma idade. Este fato, para mim, foi muito duro, difícil”, completou..

Nem curto nem longo, na medido certa!

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